sexta-feira, 20 de março de 2026

Digimais: o novo Master ??

O escândalo envolvendo o extinto Banco Master acabou ofuscando uma nova turbulência no sistema financeiro. No centro das atenções agora está o Digimais, instituição ligada ao bispo Edir Macedo, da Igreja Universal, que tem no partido Republicanos seu braço político. Estimativas de mercado apontam que o banco apresenta patrimônio líquido negativo na casa de R$ 8,5 bilhões. O modelo de atuação do Digimais levanta alertas por sua semelhança com o adotado pelo Master. Entre as práticas, está a suposta inflação artificial de ativos em fundos, estratégia que melhora a aparência dos balanços e abre espaço para a emissão de CDBs. Esses papéis, assim como no caso anterior, são ofertados com taxas acima da média — chegando a 125% do CDI —, o que acende o sinal de risco. Outro ponto de convergência é o uso do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como atrativo para investidores, assegurando aplicações de até R$ 250 mil. Além disso, plataformas como XP e BTG teriam contribuído para a distribuição desses títulos no mercado. As semelhanças avançam também sobre operações consideradas irregulares, como a venda de carteiras de crédito com indícios de fraude para outras instituições. Um desses casos envolvendo o Digimais já chegou ao Judiciário e tramita na 13ª Vara de São Paulo, ainda sem decisão.