quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Nova técnica abre caminho para vacinas contra diferentes tipos de câncer

 A imunoterapia tornou-se, nos últimos anos, uma das principais frentes da medicina no combate ao câncer. A estratégia consiste em estimular o próprio sistema imunológico do paciente para que reconheça e destrua as células tumorais, que muitas vezes conseguem escapar das defesas naturais do organismo por apresentarem características semelhantes às células saudáveis. Apesar dos avanços, esses tratamentos podem ter custos elevados e, em determinados casos, precisam ser desenvolvidos de maneira personalizada, levando em consideração características específicas do tumor de cada paciente. Uma técnica desenvolvida por pesquisadores na Alemanha, porém, abriu uma nova perspectiva: ensinar o sistema imunológico a reconhecer células cancerosas como se fossem agentes estranhos, desencadeando uma resposta semelhante àquela utilizada pelo organismo para combater uma infecção viral. O método utiliza moléculas de RNA mensageiro (mRNA) encapsuladas em nanopartículas de lipídios. Essas moléculas carregam instruções relacionadas a proteínas encontradas nas células tumorais e são apresentadas ao sistema imunológico com o objetivo de provocar uma reação contra o câncer. A pesquisa foi liderada pelo cientista Ugur Sahin, professor da Universidade Johannes Gutenberg e um dos fundadores da BioNTech. O trabalho representou uma das etapas pioneiras no desenvolvimento de vacinas de RNA voltadas à imunoterapia contra tumores. Nos experimentos, os pesquisadores encapsularam fragmentos de RNA relacionados a proteínas produzidas por células cancerosas em pequenas partículas de gordura e as injetaram diretamente na corrente sanguínea de camundongos. O sistema imunológico reagiu às partículas, especialmente por meio das chamadas células dendríticas, responsáveis por identificar estruturas estranhas e apresentá-las aos linfócitos T, importantes componentes das defesas do organismo. Os pesquisadores observaram a ativação principalmente dos linfócitos CD4+ e CD8+. Enquanto os primeiros auxiliam na coordenação da resposta imunológica, os CD8+ possuem capacidade de reconhecer e destruir diretamente células que apresentam determinados antígenos. Essa combinação é considerada uma das características mais importantes da estratégia, pois permite mobilizar diferentes mecanismos do sistema imunológico contra as células tumorais. Outra vantagem apontada pelos pesquisadores está na versatilidade da tecnologia. Como diferentes antígenos tumorais podem ser codificados por RNA, a plataforma poderia ser adaptada para combater diversos tipos de câncer. Além disso, a produção tende a ser mais rápida do que algumas formas tradicionais de imunoterapia personalizada.  A pesquisa também incluiu uma pequena etapa experimental em humanos. Três pacientes com melanoma receberam nanopartículas contendo RNA relacionado a quatro proteínas associadas a esse tipo agressivo de câncer de pele. Mesmo utilizando doses reduzidas — característica comum dos primeiros testes clínicos destinados principalmente a avaliar a segurança —, os pesquisadores observaram resposta imunológica nos participantes. Em um dos pacientes, um tumor localizado em um nódulo linfático apresentou redução de tamanho. Outro participante, que havia passado anteriormente pela retirada cirúrgica dos tumores, permaneceu sem sinais da doença durante pelo menos sete meses. O terceiro apresentava oito tumores nos pulmões que permaneceram clinicamente estáveis durante o período observado. Os resultados iniciais reforçaram a possibilidade de utilização do RNA como plataforma para o desenvolvimento de novas imunoterapias contra o câncer. A tecnologia, entretanto, não significa a existência imediata de uma vacina única capaz de prevenir ou curar todos os tipos de câncer. Os tumores apresentam grande diversidade genética e biológica, inclusive entre pacientes com o mesmo diagnóstico, o que representa um dos principais desafios para o desenvolvimento de tratamentos verdadeiramente universais.  Além disso, resultados obtidos em animais e em pequenos grupos de pacientes precisam ser confirmados por estudos clínicos maiores e realizados em diferentes fases antes que seja possível determinar a segurança e, principalmente, a eficácia de uma nova terapia. Ainda assim, a utilização do RNA para direcionar o sistema imunológico contra tumores abriu uma importante linha de investigação na oncologia moderna e ajudou a consolidar uma tecnologia que posteriormente ganharia projeção mundial com o desenvolvimento das vacinas de mRNA.

sábado, 8 de agosto de 2026

Paraná está entre as regiões do mundo mais sujeitas à formação de tornados

 A região Sul do Brasil, formada por Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, integra uma das áreas do planeta com maior propensão à ocorrência de tornados. Juntamente com Paraguai, nordeste da Argentina e Uruguai, o território forma o segundo principal corredor mundial desse tipo de fenômeno, atrás apenas do Meio-Oeste dos Estados Unidos. Os tornados são colunas de ar em intensa rotação que se estendem da base das nuvens até o solo durante tempestades severas. Embora geralmente tenham curta duração — muitas vezes inferior a 30 minutos —, podem apresentar ventos extremamente fortes e elevado poder de destruição. Dados da Prevots (Plataforma de Registros e Rede Voluntária de Observadores de Tempestades Severas), formada por pesquisadores brasileiros, argentinos e norte-americanos, indicam que o Brasil já registrou neste ano 81 ocorrências de tornados e fenômenos semelhantes, como landspouts e trombas d’água. Em 2025, foram contabilizados 92 episódios. Segundo especialistas, o crescimento dos registros acompanha uma tendência de intensificação das tempestades severas no país. “Desde 2020, o número de tornados aumenta a cada ano no Brasil. Há uma tendência de aumento na severidade das tempestades, e com isso vem tornado e granizo”, afirma Rachel Albrecht, chefe do Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP). As tempestades severas também podem provocar chuvas intensas, grande quantidade de descargas elétricas, fortes rajadas de vento e granizo. A ocorrência desses fenômenos, entretanto, não significa necessariamente que haverá formação de um tornado. Os tornados estão frequentemente associados às chamadas supercélulas, tempestades caracterizadas por correntes de ar em rotação no interior de grandes nuvens cumulonimbus. Também podem surgir em determinadas linhas de instabilidade, quando diferentes velocidades e direções do vento criam condições favoráveis à rotação da atmosfera. Um dos fatores fundamentais para a formação dos tornados é o chamado cisalhamento do vento, fenômeno caracterizado pela mudança na velocidade ou na direção das correntes de ar conforme a altitude. É justamente essa combinação atmosférica que ajuda a explicar por que o Sul do Brasil e países vizinhos estão inseridos em um importante corredor de tempestades severas. Nas médias latitudes da América do Sul, massas de ar quente e úmido provenientes da Amazônia avançam em direção ao Sul e encontram correntes de ar frio originárias da região antártica. O choque entre essas massas cria condições favoráveis ao desenvolvimento de tempestades de grande intensidade. A Cordilheira dos Andes desempenha papel importante nesse processo ao funcionar como uma barreira natural que direciona e acelera o transporte de umidade amazônica para o centro-sul do continente. “Assim como a água que passa por um funil ganha velocidade, os ventos alísios originários da Amazônia, que são quentes e úmidos, aceleram-se ao encontrar a Cordilheira dos Andes. É isso que configura os chamados rios voadores, que levam a umidade da região amazônica para o Sul”, explica Leonardo Calvetti, professor da Faculdade de Meteorologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). O mecanismo apresenta semelhanças com o observado no chamado “Corredor dos Tornados” dos Estados Unidos. No Meio-Oeste americano, massas de ar quente e úmido provenientes do Golfo do México encontram correntes frias vindas do Canadá e massas de ar mais seco do oeste do país. A presença das Montanhas Rochosas também influencia a circulação atmosférica.  Há, entretanto, diferenças importantes. Nos Estados Unidos, o contraste entre as massas de ar quente, frio, úmido e seco costuma ser mais acentuado, especialmente em estados como Texas, Oklahoma e Kansas. Na América do Sul, a diferença de umidade entre a Amazônia e as regiões dos Pampas é menor. Essa característica ajuda a explicar por que os tornados, embora façam parte da dinâmica atmosférica do Sul do Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai, ainda são menos frequentes do que aqueles registrados no Meio-Oeste dos Estados Unidos.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

LATAM anuncia voos diretos entre Londrina e Curitiba a partir de março de 2027

 

A LATAM Airlines Brasil confirmou a criação de uma nova rota direta entre Londrina e Curitiba a partir de março de 2027. A operação terá 14 voos semanais e será realizada com aeronaves Embraer 195-E2, modelo que passará a integrar a frota da companhia dentro de sua estratégia de expansão da aviação regional. A confirmação foi comunicada oficialmente ao prefeito de Londrina, Tiago Amaral, nesta terça-feira (04/08), pelo Head de Assuntos Públicos da LATAM Airlines Brasil, Eduardo Leal Macedo. Segundo a companhia, a ligação entre as duas cidades integra a primeira fase de incorporação dos Embraer 195-E2 à operação da empresa e faz parte do plano de ampliar a conectividade entre cidades brasileiras e fortalecer sua presença no mercado regional. Para a Prefeitura de Londrina, a nova rota é resultado das articulações realizadas pela administração municipal junto às companhias aéreas, órgãos reguladores e representantes do setor. Desde o início da atual gestão, o município vem buscando ampliar a oferta de voos e consolidar Londrina como um dos principais polos econômicos, logísticos e de negócios do Sul do país. O prefeito Tiago Amaral destacou que a ligação direta com a capital paranaense representa um avanço estratégico para a cidade. “Mais uma articulação que gerou resultado e Londrina sai ganhando. Em função da visita feita recentemente à LATAM conseguimos avançar e teremos voos de ligação direta com Curitiba. Isso fortalece nosso ambiente de negócios, facilita o deslocamento de quem precisa, além de aproximar ainda mais nossa cidade dos principais centros administrativos e econômicos do Paraná. É o resultado de um trabalho técnico, de diálogo permanente e da confiança que o mercado tem no potencial de crescimento de Londrina”, afirmou. Além de facilitar o deslocamento entre Londrina e Curitiba, a nova operação deverá ampliar as possibilidades de conexão dos passageiros londrinenses com outros destinos nacionais e internacionais por meio do Aeroporto Internacional Afonso Pena. No comunicado encaminhado ao município, a LATAM também confirmou a ampliação de sua malha aérea no Paraná. A companhia aumentará a oferta de voos nas rotas Cascavel–Guarulhos, Curitiba–Rio de Janeiro (Galeão) e Curitiba–Porto Alegre. A expansão está relacionada à chegada dos Embraer 195-E2, que serão utilizados pela LATAM para avançar sobre mercados regionais e ampliar a ligação entre cidades brasileiras. Segundo a empresa, as novas aeronaves permitirão maior eficiência operacional e contribuirão para a expansão da malha doméstica. A Prefeitura de Londrina informou que continuará mantendo tratativas com companhias aéreas e representantes do setor para viabilizar novas rotas e ampliar as frequências existentes, acompanhando o crescimento da demanda e fortalecendo a posição do município como polo regional de negócios e mobilidade.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Em 1º turno, Lula mantém 46,3%; Flávio recua para 36,6% após turbulências, diz AtlasIntel

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a ampliar a vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) na corrida pelo Palácio do Planalto, segundo a mais recente pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta quarta-feira (2). Após um cenário de empate técnico no segundo turno apontado em maio, o novo levantamento indica recuperação do petista e perda de fôlego do principal adversário. No cenário de primeiro turno, Lula lidera com 46,3% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 36,6%. Em comparação com a pesquisa anterior, o presidente oscilou de 47,2% para 46,3%, variação considerada dentro da margem de erro. Já o senador recuou de 40% para 36,6%, interrompendo a trajetória de crescimento registrada nos primeiros meses do ano. Na sequência aparecem Renan Santos (Missão), com 7,8% das intenções de voto; Ronaldo Caiado (União Brasil), com 2,9%; Romeu Zema (Novo), com 2%; e Joaquim Barbosa (DC), que estreia no levantamento com 1%. Os demais pré-candidatos — Aécio Neves (PSDB), Samara Martins (UP), Augusto Cury (Avante), Cabo Daciolo (Mobiliza), Rui Costa Pimenta (PCO), Edmilson Costa (PCB) e Hertz Dias (PSTU) — registraram menos de 1% das intenções de voto. Brancos e nulos somam 1,1%, enquanto apenas 0,1% dos entrevistados disseram ainda não saber em quem votar.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Receita Federal realiza operação contra fraudes na cadeia da carne bovina

 A Receita Federal deflagrou, na manhã  da quarta-feira (27/05), a Operação Rota do Fim, com ações simultâneas nos estados do Acre, Rondônia, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Mato Grosso. A investigação mira uma suposta organização criminosa que teria atuado dentro da cadeia econômica da carne bovina no Acre. Segundo o órgão, as apurações envolvem suspeitas de fraudes econômicas, lavagem de dinheiro, ocultação de bens, direitos e valores, além de possíveis ligações com o tráfico ilícito de entorpecentes. A operação mobilizou cerca de 10 servidores da Receita Federal e inclui medidas de bloqueio patrimonial consideradas expressivas. Entre os bens atingidos estão 25 imóveis — sendo sete fazendas — além de 25 veículos. Também foram determinadas medidas de sequestro de valores financeiros e de rebanhos bovinos vinculados aos investigados. O caso chama atenção do setor pecuário por envolver ativos rurais e estruturas ligadas diretamente à produção agropecuária em uma investigação relacionada à lavagem de capitais. Especialistas destacam que situações desse tipo ampliam o debate sobre rastreabilidade patrimonial, conformidade fiscal e mecanismos de controle dentro da cadeia produtiva da carne bovina. Até o momento, a Receita Federal não divulgou detalhes sobre o volume financeiro sequestrado, a quantidade de animais atingidos ou o estágio processual da investigação. Também não foram informados nomes de empresas ou pessoas investigadas. Sem dados adicionais sobre eventual impacto em frigoríficos, propriedades ou fluxo de comercialização, ainda não é possível estimar efeitos concretos sobre o mercado pecuário regional. A operação, porém, reforça o monitoramento fiscal e patrimonial sobre atividades consideradas estratégicas dentro do agronegócio brasileiro.


quarta-feira, 13 de maio de 2026

União Europeia barra carne brasileira e antibiótico citado já é proibido no Brasil

 A decisão da União Europeia de deixar o Brasil fora da lista de países autorizados a exportar carne para o bloco europeu a partir de setembro reacendeu o debate sobre o uso de antimicrobianos na produção animal e os impactos das novas exigências sanitárias internacionais. O anúncio foi feito nesta terça-feira (12) e ocorre em meio ao endurecimento das regras europeias relacionadas ao uso de antibióticos considerados importantes para a medicina humana e veterinária. Segundo o bloco europeu, o Brasil ainda não apresentou garantias consideradas suficientes sobre o controle desses produtos na cadeia produtiva animal. O detalhe é que o antibiótico citado nas restrições europeias já é alvo de proibição no próprio Brasil. No último dia 26 de abril, o Ministério da Agricultura e Pecuária publicou uma portaria que proíbe em todo o território nacional a importação, fabricação, comercialização e utilização de aditivos melhoradores de desempenho contendo antimicrobianos classificados como relevantes para a saúde humana ou animal.

O texto oficial determina:

“Ficam proibidos, em todo o território nacional, a importação, a fabricação, a comercialização e o uso de aditivos melhoradores de desempenho que contêm os antimicrobianos constantes do Anexo desta Portaria, classificados como importantes na medicina humana ou na medicina veterinária.”

A divulgação da lista europeia foi interpretada por analistas do setor como um movimento político e regulatório da União Europeia, especialmente diante da pressão exercida por produtores rurais europeus após o avanço do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. O comissário europeu para Agricultura, Christophe Hansen, afirmou que a medida busca garantir que produtos importados atendam aos mesmos padrões sanitários exigidos dos produtores europeus. “Nossos agricultores seguem alguns dos padrões de saúde e controle de antimicrobianos mais rigorosos do mundo. Portanto, é legítimo que os produtos importados estejam sujeitos aos mesmos requisitos. A decisão tomada hoje demonstra que o sistema europeu de controle funciona”, declarou.

Resistência antimicrobiana preocupa o mundo

A preocupação internacional com o uso excessivo de antibióticos está ligada ao avanço da resistência antimicrobiana (RAM), considerada pela Organização Mundial da Saúde uma das principais ameaças globais à saúde pública e ao desenvolvimento econômico. Dados da entidade apontam que a resistência bacteriana foi diretamente responsável por 1,27 milhão de mortes em 2019, além de ter contribuído para outras 4,95 milhões de mortes em todo o planeta. Segundo especialistas, o uso inadequado e excessivo de antimicrobianos em humanos, animais e plantas favorece o surgimento de microrganismos resistentes aos medicamentos, dificultando tratamentos e aumentando os riscos em procedimentos médicos como cirurgias, cesarianas e tratamentos oncológicos. Além dos impactos sanitários, a resistência antimicrobiana também representa preocupação econômica. Estimativas do Banco Mundial citadas pela OMS indicam que a RAM pode gerar custos adicionais de até US$ 1 trilhão em saúde até 2050, além de provocar perdas anuais entre US$ 1 trilhão e US$ 3,4 trilhões no PIB global até 2030.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Lufthansa corta voos na Europa para economizar combustível em meio à crise

 

A Lufthansa anunciou uma série de cortes em sua malha aérea europeia como resposta ao aumento das incertezas no fornecimento de combustível. A companhia vai cancelar cerca de 20 mil voos de curta distância até outubro, numa tentativa de economizar querosene de aviação diante da possibilidade de escassez e alta de preços causada pela Guerra no Irã. Segundo a empresa, os voos cancelados são operados por diferentes subsidiárias do grupo, com destaque para a regional Lufthansa CityLine. No total, a medida representa uma redução de aproximadamente 1% na capacidade de passageiros da companhia. Na semana anterior, a Lufthansa já havia sinalizado mudanças em sua operação, incluindo a retirada de aeronaves menos eficientes e a exclusão definitiva de 27 aviões da CityLine da programação de voos de verão no Hemisfério Norte. Embora essa retirada já estivesse nos planos, o cenário geopolítico acelerou a decisão. Com as medidas anunciadas, a expectativa é economizar mais de 40 mil toneladas de querosene de aviação. Ainda assim, a empresa afirmou que o abastecimento para os voos previstos durante o verão europeu deve permanecer estável. Entre as rotas afetadas estão conexões a partir de Frankfurt para cidades como Bydgoszcz, Rzeszow e Stavanger, que foram temporariamente suspensas. A companhia também informou que novos cortes, especialmente para voos a partir de junho, devem ser anunciados até o fim de abril ou início de maio, conforme o cenário global evolui.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Alvaro Dias disputará o Senado pelo MDB

 Filiado ao MDB em novembro do ano passado como um dos principais nomes da legenda, o ex-governador e ex-senador Alvaro Dias confirmou que disputará novamente uma vaga no Senado Federal. O anúncio foi feito na quarta-feira (1º) pelo partido, que, em nota oficial, afirmou que seguirá empenhado na construção de “um projeto amplo, sólido e conectado com as demandas da população, pautado pelos valores democráticos que marcam a história da sigla”. Com trajetória consolidada na política paranaense, Álvaro Dias governou o estado entre 1987 e 1991. Iniciou a carreira em Londrina, como vereador, e posteriormente exerceu mandatos de deputado estadual, deputado federal e senador, tendo ocupado cadeira no Senado em diferentes períodos desde 1983. Ao retornar ao MDB, em novembro, o ex-senador afirmou não ter compromisso imediato com uma candidatura, embora não descartasse a possibilidade de voltar à disputa. Agora, a legenda estrutura seu projeto eleitoral com mais clareza: além de Álvaro Dias ao Senado, conta também com o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca como pré-candidato ao governo estadual, abrindo caminho para uma eventual chapa própria nas eleições de outubro.

sexta-feira, 20 de março de 2026

Digimais: o novo Master ??

O escândalo envolvendo o extinto Banco Master acabou ofuscando uma nova turbulência no sistema financeiro. No centro das atenções agora está o Digimais, instituição ligada ao bispo Edir Macedo, da Igreja Universal, que tem no partido Republicanos seu braço político. Estimativas de mercado apontam que o banco apresenta patrimônio líquido negativo na casa de R$ 8,5 bilhões. O modelo de atuação do Digimais levanta alertas por sua semelhança com o adotado pelo Master. Entre as práticas, está a suposta inflação artificial de ativos em fundos, estratégia que melhora a aparência dos balanços e abre espaço para a emissão de CDBs. Esses papéis, assim como no caso anterior, são ofertados com taxas acima da média — chegando a 125% do CDI —, o que acende o sinal de risco. Outro ponto de convergência é o uso do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como atrativo para investidores, assegurando aplicações de até R$ 250 mil. Além disso, plataformas como XP e BTG teriam contribuído para a distribuição desses títulos no mercado. As semelhanças avançam também sobre operações consideradas irregulares, como a venda de carteiras de crédito com indícios de fraude para outras instituições. Um desses casos envolvendo o Digimais já chegou ao Judiciário e tramita na 13ª Vara de São Paulo, ainda sem decisão. 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Trump ameaça com tarifas mais ‘poderosas e desagradáveis’

 O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta segunda-feira (23/02), impor tarifas ainda mais “poderosas e desagradáveis”, após seu tarifaço ser derrubado pela Suprema Corte americana. Trump atacou novamente o tribunal, afirmando que a instituição “acidentalmente” o deu “muito mais poderes e força” do que ele tinha antes da derrubada das tarifas. “A suprema corte (usarei letras minúsculas por um tempo com base em uma completa falta de respeito!) dos Estados Unidos acidentalmente e involuntariamente me deu, como presidente dos Estados Unidos, muito mais poderes e força do que eu tinha antes de sua decisão ridícula, burra e muito divisiva internacionalmente”, escreveu Trump em sua rede social, a Truth Social. Trump anunciou no sábado o aumento das tarifas globais de importação para 15%. A declaração foi publicada menos de 24 horas depois de o próprio governante ter afirmado que aplicaria uma taxa de 10% sobre produtos importados. Segundo Trump, a decisão ocorre após uma análise da decisão da Suprema Corte dos EUA que derrubou o chamado tarifaço anteriormente imposto por ele. “Nos próximos meses, o governo Trump determinará e emitirá as novas tarifas legalmente permitidas, que darão continuidade ao nosso processo extraordinariamente bem-sucedido de tornar a América grande novamente”, escreveu o republicano na publicação. A Suprema Corte, com sua maioria conservadora, decidiu por seis votos a três que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional “não autoriza o presidente a impor tarifas”. A resolução bloqueia uma ferramenta fundamental que o presidente vinha utilizando para impor sua agenda econômica e diplomática. Durante os argumentos do caso, juízes conservadores e liberais pareceram questionar a legalidade das tarifas, que Trump impôs invocando uma lei de 1977 destinada a ser usada durante emergências nacionais. O julgamento parte de um recurso do Departamento de Justiça contra uma decisão de instância inferior, que havia concluído que o republicano extrapolou sua autoridade ao impor as taxas. Ações contra taxas foram apresentadas por empresas e por 12 estados americanos, a maioria deles governada por democratas.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Populismo de Trump reposiciona o Brasil no radar dos investidores globais

A percepção de que os Estados Unidos passaram a agir como um “emergente populista” deixou de ser apenas uma provocação de mercado e começou a ganhar corpo entre investidores globais. Essa mudança de leitura tem provocado um efeito direto: a realocação de capital que sai de ativos americanos em direção a mercados emergentes — com o Brasil despontando como um dos principais beneficiários. Segundo relatos do Bradesco BBI após reuniões recentes com investidores nos Estados Unidos, a comparação entre os EUA e economias emergentes se tornou mais frequente e menos anedótica. A interferência do governo Donald Trump em instituições tradicionais, como o Federal Reserve, somada às incertezas fiscais e comerciais, vem enfraquecendo o dólar e estimulando a busca por alternativas fora do eixo tradicional.

Brasil ganha protagonismo

Nesse novo mapa mental dos investidores, o Brasil aparece com destaque. Apesar de responder por cerca de 4% do índice MSCI de mercados emergentes, o país tem atraído uma atenção muito superior ao seu peso formal. O motivo está na combinação de liquidez, valuation atrativo e potencial de retorno. Na prática, a Bolsa brasileira é vista como o único mercado da América Latina capaz de absorver volumes expressivos de capital estrangeiro. Isso consolida o país como uma espécie de porta de entrada regional. Para analistas, o Brasil funciona como o “mercado âncora” do continente, com uma liquidez que permite posições relevantes sem distorções excessivas de preço.

Recordes no Ibovespa

O reflexo desse movimento já aparece nos números. Em 2026, o fluxo estrangeiro tem sido o principal responsável pelos recordes sucessivos do Ibovespa. Na última sexta-feira (23), o índice chegou a ultrapassar, pela primeira vez, a marca dos 180 mil pontos, encerrando o pregão aos 178.858 pontos. Apenas naquela semana, a alta acumulada foi de 8,53% — o melhor desempenho semanal desde abril de 2020. O apetite externo também se confirma no fluxo financeiro. Na última semana, investidores estrangeiros foram compradores líquidos de R$ 7,7 bilhões. No acumulado do mês, o ingresso já soma R$ 12,4 bilhões, equivalente à metade de todo o fluxo registrado ao longo de 2025.

Juros e eleição no radar de 2026

Além do cenário internacional favorável, dois fatores domésticos sustentam a tese positiva para o Brasil em 2026. O primeiro é o início esperado do ciclo de cortes de juros, partindo de uma das maiores taxas reais do mundo. O consenso entre investidores aponta para reduções entre 200 e 300 pontos-base ao longo do ano, o que levaria a Selic de 15% para algo entre 12% e 13%. O segundo fator é o ciclo eleitoral. Embora o tema tenha passado a ocupar o centro das discussões mais recentemente, especialmente pelo impacto fiscal das propostas em debate, o risco é visto como elevado, porém administrável. Não há, ao menos por ora, a leitura de que o processo eleitoral seja capaz de desorganizar o cenário macroeconômico.

Estratégia: cautela e oportunidade

Apesar do interesse crescente, poucos investidores estrangeiros estão se posicionando diretamente em função da eleição. Muitos já estão overweight em Brasil, mas preferem aguardar episódios de maior volatilidade para ampliar a exposição. A diferença de leitura entre investidores locais e estrangeiros chama atenção. Para os fundos internacionais, o cenário brasileiro parece mais assimétrico, com disposição para comprar eventuais quedas provocadas por ruídos políticos. Nos encontros com investidores, as perguntas se concentraram em empresas capazes de capturar tanto o bom momento global quanto o doméstico. Entre os nomes mais citados estão Petrobras, Vale, Weg e BTG Pactual — ativos vistos como alavancas naturais desse novo ciclo de interesse pelo Brasil.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Investigação contra dono do Banco Master é prorrogada por Toffoli e pode ganhar novos desdobramentos

 O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, prorrogou por mais 60 dias a investigação que apura suspeitas envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A ampliação do prazo foi solicitada pela Polícia Federal e, segundo investigadores, segue o trâmite normal de apurações complexas desse tipo. Apesar da prorrogação, um dos eixos centrais da investigação pode ser concluído em prazo mais curto. Conforme revelou a Folha de S.Paulo, a PF está próxima de finalizar a apuração sobre suspeitas de fraude na tentativa de venda de uma carteira de crédito do Banco Master ao Banco de Brasília. O suposto esquema envolveria créditos inexistentes que somariam cerca de R$ 12,2 bilhões. Em razão dessa acusação, foram presos no dia 17 de novembro, além de Vorcaro, outros dirigentes e sócios do banco, incluindo o ex-CEO Augusto Ferreira Lima e executivos responsáveis por áreas estratégicas da instituição. Parte dos investigados já foi intimada a prestar depoimento entre os dias 26 e 28 de janeiro, no âmbito específico das investigações relacionadas à negociação com o BRB. O ex-presidente do banco público, Paulo Henrique Costa, também será ouvido no mesmo período. Ainda nesta semana, Toffoli reduziu de seis para dois dias o prazo para a colheita dos depoimentos, atendendo a um pedido da PF, que alegou limitações operacionais no Supremo. O ministro também solicitou a apresentação de um novo cronograma, com dois dias consecutivos de oitivas. Paralelamente, a Polícia Federal avalia se amplia ou não o escopo das investigações. Por ora, a estratégia é concentrar esforços na apuração das fraudes financeiras, evitando que um único inquérito se torne excessivamente amplo com a inclusão de fatos novos. Mesmo assim, apurações preliminares já estão em andamento sobre a possível atuação de um grupo organizado de influenciadores digitais que teria promovido ataques coordenados ao Banco Central e a investigadores do caso. Pelo menos 46 perfis em redes sociais teriam participado do bombardeio digital. Esse ponto ainda não resultou na abertura formal de um inquérito, mas está sendo analisado em um procedimento preliminar da PF, conhecido como Notícia-Crime em Verificação (NCV), que pode evoluir para uma nova investigação.