Nesta segunda-feira (09/04) a Marfrig anunciou a compra do controle (51%) do frigorífico americano National Beef por 969 milhões de dólares (quase 3,3 bilhões de reais). É, em linhas gerais, uma volta às origens da empresa criada na virada do século por Marcos Molina, (fotografia) filho de açougueiros e que construiu um conglomerado baseado na carne bovina. Molina hoje é presidente do conselho de administração da companhia. Junto com a compra veio também outro grande anúncio: o de que pretende vender a totalidade da americana Keystone, que é uma das maiores fornecedora de alimentos à base de diversos tipos de carne para redes como McDonald’s e Subway. A Keystone, fundada nos anos 60, foi a empresa que criou os famosos nuggets de frango. Em 2017, a marca representou quase metade do faturamento da Marfrig. A venda da Keystone era algo esperado há algum tempo (o que mais se falava até então era uma oferta de ações na bolsa), mas a compra da National Beef foi uma surpresa para o mercado. “À primeira vista, o acordo é uma surpresa, especialmente considerando o fato de a Marfrig estar com um plano agressivo de desalavancagem”, afirmam analistas do banco BTG Pactual em relatório intitulado “Back to Beef”. Com a entrada da National Beef e a pretendida saída da Keystone, a Marfrig deve se concentrar em carne bovina, mas expandir o número de países em que atua — e reduzir o peso da dívida em seu balanço. A National Beef é a quarta maior processadora de carne bovina dos Estados Unidos (atrás de Tyson Foods, JBS USA e Cargil) e faturou 7,3 bilhões de dólares (24,3 bilhões de reais) no ano passado. Com a compra, a divisão de carne bovina da Marfrig deve passar de 10 bilhões de reais para 34 bilhões de reais. “A aquisição tem dois pilares muito importantes: o relacionamento que a National tem com seus fornecedores e o acesso ao mercado americano e japonês”, afirma Martin Arias, presidente da Marfrig. Na lista de principais mercados de exportação, a americana tem países como Japão e Coréia do Sul, onde a Marfrig não tem atuação. A aquisição deu à Marfrig o título de “segunda maior processadora de carne bovina do mundo” (a primeira é a JBS), frase destacada nos painéis na sala de coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira pela companhia. Com a compra da National Beef a Marfrig aumentará seu endividamento de 8 bilhões para 11,8 bilhões de reais. A dívida mais alta, no entanto, será compensada pela geração de caixa (medida pelo Ebitda), que deve dobrar, saindo de 1,70 bilhão de reais para 3,45 bilhões de reais. Com isso, a alavancagem (relação entre dívida e geração de caixa) diminuiria de 4,55 para 3,35 vezes. A compra agradou investidores. As ações da companhia subiram 18,8% nesta segunda, garantindo um ganho de mais de 726 milhões de reais em seu valor de mercado. Trata-se da primeira grande aquisição da Marfrig desde 2010. Mas os investidores não estão empolgados apenas com a compra, mas também com a venda, que mostra que a companhia pode, finalmente, ter aprendido uma lição importante: a de que um crescimento desenfreado pode levar a empresa para o buraco. A compra da Keystone em 2010, de 1,26 bilhão de dólares, marcou o auge da Marfrig, que adquiriu mais de 40 empresas entre 2006 e 2010. As compras envolveram não só a área bovina como também carne de perus, frangos, suínos e até mesmo o controle de uma empresa especializada em couros para indústrias automobilísticas e de aviação. O objetivo era tornar a Marfrig uma empresa global. Ele foi atingido, mas o custo foi alto demais. O crescimento foi financiado pela emissão de dívidas que fizeram a alavancagem chegar a 6,3 vezes a geração de caixa no início de 2015 e a companhia nunca mais voltou ao saudável patamar de 2,6 vezes que tinha em 2009. A venda da Keystone é um marco da estratégia que a companhia teve que adotar nos últimos anos para reduzir seu endividamento. Outras operações que a companhia teve que se desfazer incluem a venda da irlandesa Moy Park e da Seara para a concorrente JBS, a venda de ativos argentinos e o controle da empresa de couros. Para vender a Keystone, a Marfrig já contratou os bancos JP Morgan e Rabobank e espera que a aquisição saia ainda no primeiro semestre do ano. Com a venda, a Marfrig espera reduzir o endividamento para 2,5 vezes sua geração de caixa — patamar prometido há tempos para os investidores. O compromisso agora é manter esse patamar. Investidores esperam que a empresa tenha aprendido a lição.
segunda-feira, 9 de abril de 2018
sexta-feira, 6 de abril de 2018
Beto Richa deixa o cargo para concorrer ao Senado, e Cida Borghetti assume o Governo do Paraná
Participei na manhã desta sexta-feira (06/04) da solenidade de posse de Cida Borghetti Barros como governadora do Estado do Paraná. O agora ex-governador Beto Richa deixa o cargo para disputar uma das duas vagas ao Senado Federal pelo Paraná. "É uma honra ser a primeira mulher a assumir esse cargo", afirmou Cida Borghetti. Empresária e jornalista, Cida Borghetti é formada em administração pública, com especialização em Políticas Públicas. É casada com o ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP), e tem uma filha: Maria Victória Borghetti Barros (PP), que concorreu à Prefeitura de Curitiba na última eleição municipal. Cida começou na política como militante do PDS jovem. Foi deputada federal e deputada estadual por dois mandatos consecutivos. Atualmente, é a coordenadora das relações do Paraná com a bancada federal e com o Governo Federal. Já Beto Richa fez um breve balanço de seu governo citando dados positivos como a redução do nível de endividamento do governo do Paraná que segundo ele recuou de 90% para menos de 30% da receita corrente. Também citou a participação paranaense no PIB nacional que cresceu de 5,8% para 6,3%, além de outros indicadores sócio-econômicos. Cida Borghetti deve disputar a eleição para governo do Paraná pelo Partido Progressista. Confira abaixo um video que fiz durante a solenidade.
quinta-feira, 5 de abril de 2018
Richa deixará o governo do Paraná amanhã para disputar Senado
Estive na manhã de hoje (05/04) com o governador do Paraná Beto Richa no Palácio Iguaçu. Nesta sexta-feira, o governador se desincompatibilizará do cargo para disputar uma vaga ao Senado Federal. A vice-governadora Cida Borghetti (PP) assumirá o governo até o final do mandato 2015-2018. Beto Richa deixa, sem dúvidas, um legado importante, e um Paraná com o ajuste fiscal realizado, ao contrário de tantos outros entes da federação que atravessam grave crise fiscal e econômica. Na edição 126 da Frizz Magazine (Segundo Trimestre de 2018) uma matéria especial sobre o Legado que Beto Richa deixa aos paranaenses.
quinta-feira, 29 de março de 2018
Indústrias diminuem abates para tentar segurar preço do boi no atacado
O aumento da produção de carne tem desafiado a capacidade do mercado interno de absorver esse volume, afirma Marina Zaia, analista de mercado da Scot Consultoria. “As indústrias estão mudando suas estratégias de compra, diminuindo o volume de animais abatidos ou pulando dias de abate, para regular seus estoques e segurar suas margens”, conta. O comportamento das vendas, visto de forma independente, deixa a sensação de queda no consumo, mas o incremento dos abates demonstra que, aparentemente, o aumento oferta tem sobrepujado a melhora da demanda, o que causou a queda de cotações da carne. Com isso, a movimentação efetiva de baixa no mercado do boi gordo começou a aparecer com mais intensidade. Segundo Marina, fica a expectativa do impacto destas táticas no mercado. Enquanto isso, na parcial do ano, as cotações no atacado recuaram 7,5%. No atacado, a carcaça de animais castrados está cotada em R$9,23 por quilo. Com informações do Canal Rural.
segunda-feira, 26 de março de 2018
Governador Beto Richa deixará governo do Paraná para disputar o Senado
O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), anunciou na tarde desta segunda-feira (26/03) que deixará o cargo no dia 6 de abril para concorrer ao Senado. De acordo com a legislação eleitoral, ele teria até o dia 7 de abril para se desincompatibilizar do cargo. Com a saída de Richa, assume a vice-governadora Cida Borghetti (PP), pré-candidata ao governo. Ela é mulher do ministro da Saúde, Ricardo Barros, que também já anunciou que deixará o cargo de ministro para concorrer nas eleições. Ele deve ser candidato a deputado federal pelo Paraná, função da qual se licenciou para assumir o ministério. A família Barros é tradicional na política do Estado -a filha do casal, Maria Victoria, assumiu uma cadeira na Assembleia Legislativa do Paraná quando tinha apenas 22 anos. Richa verbalizou a decisão após reunião com o secretariado e afirmou que optou por deixar o governo após receber o apoio de aliados. Também disse que escolheu o Senado por ser o caminho natural depois do mandato no governo estadual. O tucano foi eleito em 2010 e reeleito em 2014. Ambas as vitórias ocorreram no primeiro turno. Em 2015, a imagem de Richa ficou desgastada após a polícia reprimir um protesto a favor da greve dos professores, deixando centenas de feridos. No entanto o governador Beto Richa deixará a chefia do Estado com as finanças em dia, o ajuste fiscal feito, e um legado de muitas obras Paraná afora.
segunda-feira, 19 de março de 2018
Doria vence prévias para o governo de São Paulo; Covas assume Prefeitura no dia 7
O prefeito de São Paulo, João Doria Júnior venceu, no primeiro turno, as prévias do PSDB e será o candidato do partido ao governo de São Paulo. Ele pretende deixar a Prefeitura da capital paulista até o dia 7 de abril, quando Bruno Covas, também do PSDB, assumirá o comando da cidade para um mandato de quase 3 anos. Doria obteve 80% votos. Em segundo lugar ficou o secretário estadual Floriano Pesaro, seguido pelo cientista político Luiz Felipe d’Ávila e pelo ex-senador José Aníbal. O governador Geraldo Alckmin, pré-candidato à Presidência, evitou declarar apoio a João Doria na eleição para o Palácio dos Bandeirantes. O vice de Alckmin, Márcio França (PSB), também deverá ser candidato ao governo em outubro, o que levará o presidenciável a ter um palanque duplo no Estado. (O Estado de São Paulo)
sexta-feira, 16 de março de 2018
Ministério da Agricultura suspende exportação de aves da BRF para a União Europeia
A BRF informou que o Ministério da Agricultura (Mapa) decidiu interromper temporariamente, a partir desta sexta-feira, dia 16, a produção e certificação sanitária de dez unidades da empresa que exportam aves para a União Europeia. A companhia informou ainda que todos os produtos já alocados, bem como os produzidos e embarcados antes dessa data, podem ser comercializados e utilizados sem restrições. “Está marcada para a próxima semana uma reunião na cidade de Bruxelas, na Bélgica, para o Mapa prestar esclarecimentos técnicos às autoridades sanitárias da União Europeia. Após o encontro, a medida será reavaliada”, disse a BRF em nota. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que confia em uma efetiva e imediata solução, por meio do Ministério da Agricultura. “O país não pode ceder às ameaças que colocam em risco milhares de empregos e as empresas do nosso setor. Somos parceiros de longa data da União Europeia, para onde exportamos mais de 5 milhões de toneladas de carne de frango apenas nos últimos dez anos”, disse, por meio de nota. A entidade informou ainda que nunca houve qualquer registro de problemas de saúde pública relacionados à carne brasileira. E que, portanto, não há motivos concretos para impor embargos a qualquer empresa do setor, especialmente em relação a fatos passados e que já teriam sido corrigidos. “Toda a questão em torno deste tema decorre de divergências sobre critérios de classificação de produtos exportados no que tange à Salmonella spp. que, em termos práticos, não traz risco à saúde pública”, informou a ABPA. Com informações do Canal Rural.
Veja o comunicado da BRF na íntegra
"A BRF S.A. ("BRF" ou "Companhia") (B3: BRFS3; NYSE: BRFS) comunica aos seus acionistas e ao mercado em geral que, de maneira cautelar, o Ministério da Agricultura, Abastecimento e Pecuária (Mapa) decidiu interromper temporariamente, a partir de 16 de março de 2018, a produção e certificação sanitária dos produtos de aves da BRF exportados do Brasil para União Europeia. A medida contempla os SIFs: 1, 18,103, 104, 292, 466, 1001, 2014, 2518 e 4567. É importante ressaltar que todos os produtos já alocados na região, bem como os produzidos e embarcados antes do dia 16 de março podem ser comercializados e utilizados sem restrições. Está marcada para a próxima semana uma reunião na cidade de Bruxelas, na Bélgica, para o Mapa prestar esclarecimentos técnicos às autoridades sanitárias da União Europeia. Após o encontro, a medida será reavaliada. A companhia reitera que vem mantendo intensa interlocução com as autoridades locais e internacionais, prestando todos os esclarecimentos necessários afim de atestar a qualidade e segurança de seus produtos
e preservar o relacionamento comercial com seus clientes e consumidores. A BRF manterá seus acionistas e o mercado em geral devidamente informados sobre qualquer nova informação relacionada ao presente comunicado."
domingo, 11 de março de 2018
Nova lei trabalhista: ex-empregado é condenado a pagar R$ 750 mil
Com base nas novas regras da lei trabalhista, proposta e sancionada pelo governo Temer, uma juíza do Trabalho de Mato Grosso condenou um ex-funcionário, que perdeu a ação contra seu patrão, a pagar R$ 750 mil em honorários para o advogado do ex-empregador. O vendedor Maurício Rother Cardoso ingressou na Justiça em 2016 queixando-se, entre outras coisas, de reduções salariais irregulares e do cancelamento de uma viagem prometida pela concessionária como prêmio para os melhores funcionários. Além de ter quase todos os pedidos negados pela Justiça, o autor do processo saiu ainda com a dívida de quase um milhão de reais. O caso foi contado em reportagem do Estado de S.Paulo.
sexta-feira, 9 de março de 2018
Super Muffato no Catuaí Maringá
Meu irmão José Nilson Sacchelli Ribeiro vice-presidente da Frizz Mídia Ltda esteve representando a empresa na inauguração da quinta loja em Maringá do Grupo Muffato – quinta maior rede de supermercados do país – na última quarta-feira, (07/03). Sob a bandeira do Super Muffato, o hipermercado está instalado no Catuaí Shopping, no Parque Industrial Bandeirantes. Na ocasião se encontrou com os proprietários da Rede Super Muffato Ederson Muffato (imagem acima) e Everton Muffato (imagem abaixo). Infelizmente não pude comparecer devido a agenda de negócios em São Paulo. Desejamos sucesso à eles todos. Mais no blog: www.circulando.com.br
sábado, 3 de março de 2018
Jovens usam cada vez menos cartão de crédito
Do jornal Valor Econômico: Os jovens conhecidos como “millennials” já foram acusados de desestabilizar muitos setores, dos jornais às lojas físicas tradicionais. E os cartões de crédito parecem ser os próximos dessa lista. Apenas um de cada três millennials usa cartões de crédito, segundo uma pesquisa da Bankrate.com, em comparação com a maioria dos americanos mais velhos. Além disso, uma pesquisa do Federal Reserve (Fed, o BC americano) concluiu que os jovens de 18 a 24 anos davam preferência a pagar com dinheiro do que outros grupos etários. Se eles têm um cartão, geralmente é pré-pago ou de débito, segundo o TD Bank. Nada disso é uma boa notícia para bancos como o J.P. Morgan Chase ou para bandeiras de cartões como Visa e MasterCard porque as taxas que eles recebem pelas transações com cartões de débito são inferiores às dos cartões de crédito. A crise financeira de 2008 e o custo cada vez maior do ensino superior talvez também tenham assustado alguns millennials. “Eles viveram a grande recessão justo quando começavam a faculdade ou a carreira e pensavam em comprar uma casa”, disse Erin Currier, diretora de segurança e mobilidade financeira da Pew Charitable Trusts. “Eles são muito sensíveis a essa experiência de vida.” Os millennials têm mais empréstimos estudantis para pagar do que as gerações mais velhas. Cerca de 41% deles tinham esse tipo de dívida, segundo um relatório do Pew em 2015. O número se compara com 26% da “geração X”, 13% dos “baby boomers” e 3% da “geração silenciosa”, nos respectivos picos. Esse tipo de dívida tem saltado: de 1990 a 2015, a dívida estudantil para um bacharelado de uma universidade típica aumentou cerca de 164%, segundo dados do Departamento de Educação dos EUA. Essas grandes obrigações poderiam explicar a aversão dos millennials por empréstimos, disse Currier. Com o tempo, talvez eles “nunca se sintam tão à vontade com cartões de crédito e financiamentos como as gerações anteriores”, afirmou.
sexta-feira, 2 de março de 2018
Comcast entra na briga com Murdoch e Disney pela Sky
A Comcast, operadora de TV a cabo dos Estados Unidos, ofereceu US$ 31 bilhões para comprar a Sky, entrando na batalha com a Fox de Rupert Murdoch e a Walt Disney de Bob Iger pelo maior grupo de TV paga da Europa. A Comcast, a gigante de mídia de US$ 184 bilhões dona da NBC e da Universal Pictures, disse que está oferecendo £ 12,50 por ação, valor significativamente maior do que as £ 10,75 por ação acordado pela Fox. As ações no Sky subiram 18%. Presente em 23 milhões de casas em toda a Europa e conhecida por sua inovação tecnológica, a britânica Sky já concordou em ser vendida para a 21st Century Fox, de Murdoch, mas a aquisição foi adiada por preocupações com a influência do magnata da mídia na Grã-Bretanha. Isso complicou um negócio separado de US$ 52 bilhões da Disney para comprar ativos da Fox, incluindo a Sky. A oferta coloca Brian L. Roberts, da Comcast, contra Murdoch, o magnata de 86 anos que ajudou a lançar a Sky no Reino Unido. A oferta também coloca Roberts contra Iger, da Disney, um rival de longa data depois que a Comcast tentou comprar a Disney por US$ 54 bilhões em 2004. A última rodada de grandes negócios indica as pressões que as redes tradicionais de televisão por cabo estão sofrendo depois de perderam clientes para serviços de transmissão como Netflix Inc e Amazon.com Inc.. “A Sky e a Comcast combinam perfeitamente: ambos somos líderes na criação e distribuição de conteúdo”, disse Roberts, presidente-executivo da Comcast. Murdoch, da Fox, concordou em comprar os 61% da Sky que ainda não possui em dezembro de 2016, mas a aquisição tem sido repetidamente negada por preocupações regulatórias de que o magnata da mídia tem muita influência no Reino Unido.
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018
Temer elogia desempenho de Ricardo Barros à frente do Ministério da Saúde
O presidente Michel Temer participou ontem (27/02), no Palácio do Planalto, da entrega da Medalha de Mérito Oswaldo Cruz para uma série de agraciados por feitos considerados notáveis na área de saúde. Em seu discurso, o presidente lembrou das realizações de seu governo e teceu elogios à sua equipe ministerial, com destaque para o ministro da Saúde, Ricardo Barros. Segundo o presidente, Barros foi seu "maior acerto". “Quando montamos nossa equipe econômica, em menos de dois anos de governo deu certo. Eu acertei também na educação, por exemplo. Acabamos aprovando uma reforma geral do ensino médio que era ansiada há mais de 20 anos”, disse Temer, acrescentando, “mas acho que meu acerto maior foi na escolha do Ricardo [Barros]. O Ricardo revelou-se um gestor extraordinário. Com todos os médicos com quem eu falo, rotineiramente e às vezes porque preciso de cuidados médicos, eu só recebo elogios em relação à gestão do Ricardo Barros”. Temer citou a “economia extraordinária” que o ministro fez na área de saúde, redirecionando recursos para compra de ambulâncias e equipamentos odontológicos, por exemplo. Na solenidade, o ministro Ricardo Barros anunciou a sua saída do ministério para se candidatar. “Eu vou sair assim que o presidente me permitir. Já pedi para me desligar, estou aguardando para que as articulações para a sucessão sejam consolidadas”, disse o ministro. Segundo ele, sua saída se dará no fim de março. Confira o vídeo.
Silvio Santos Participações é multada em R$ 38,1 mi pela CVM no caso Panamericano
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aplicou R$ 52,970 milhões em multas em um processo administrativo sancionador envolvendo o banco Panamericano (atual Banco Pan), sendo R$ 38,136 milhões à Silvio Santos Participações, holding do grupo empresarial que leva o nome do fundador e que era controladora da instituição financeira. O julgamento foi encerrado nesta terça-feira, 27, na sede da autarquia, no Rio. Além da multa milionária à empresa de Silvio Santos, a CVM aplicou multa de R$ 500 mil ao Banco Panamericano S.A. e outros R$ 14,334 milhões a 16 ex-executivos das firmas, de 17 profissionais acusados. Elinton Brobik, ex-diretor de novos negócios do Panamericano, foi absolvido. Quatro executivos foram condenados a inabilitação temporária para cargos de administração em companhias abertas: o ex-presidente do Panamericano Rafael Palladino, Wilson Roberto de Aro, ex-diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Adalberto Savioli, ex-diretor de Crédito e Administrativo, e o ex-diretor de tecnologia Eduardo de Ávila Pinto Coelho. Palladino recebeu a maior pena, inabilitado por 15 anos. Aro foi inabilitado por 12 anos, enquanto os outros dois tomaram pena de oito anos. O processo apura irregularidades por parte de administradores, membros do conselho fiscal e de órgãos técnicos e consultivos do Panamericano. Luiz Augusto Teixeira de Carvalho Bruno, ex-diretor jurídico, não foi inabilitado, mas tomou multas que somam R$ 2,367 milhões. O grupo foi acusado de manipulação contábil das informações financeiras da instituição divulgadas ao mercado e acusado de cometer uma série de infrações decorrentes disso. Em junho de 2015, o colegiado da CVM rejeitou, por unanimidade, propostas de acordo apresentadas pelo Panamericano e quatro ex-diretores para encerrar o caso. Wilson de Aro foi apontado como o grande responsável pela fraude, conforme a acusação da área técnica da CVM, com seis irregularidades descritas. Contra Palladino, a área técnica apontou responsabilidade por cinco falhas, incluindo faltar com a lealdade, tendo em vista que ele aprovou balanços financeiros fraudados e teria conhecimento disso. No geral, a acusação pediu a condenação de todos os acusados, incluindo os 17 executivos e as duas empresas. Relator do caso no Colegiado na CVM, o diretor Henrique Machado concordou em quase tudo e condenou todos os acusados, menos Brobik. "O diretor de crédito apresentava alternativas ilícitas para o diretor financeiro melhorar o resultado do banco", disse Machado, ao descrever os ilícitos em seu voto. O Panamericano e seus ex-executivos são alvo de outros quatro processos administrativos sancionadores na CVM, instaurados desde 2011. Palladino, Aro, Savioli e Carvalho Bruno também foram condenados na Justiça. Eles fazem parte de um grupo de sete ex-executivos do Panamericano condenados, dias antes do carnaval, pelo juiz João Batista Gonçalves, da 6ª Vara Federal Criminal, em São Paulo, por crimes contra o sistema financeiro nacional. Outros dez acusados foram absolvidos. Em agosto de 2012, o Ministério Público Federal em São Paulo denunciou 14 ex-diretores e três ex-funcionários do Panamericano, no total de 17 pessoas. Alguns dos réus nesse processo também são investigados no processo administrativo julgado nesta terça-feira pela CVM, mas o número total de acusados é coincidência. Após a condenação judicial antes do carnaval, as defesas dos acusados informaram ao Estadão/Broadcast que iriam recorrer. No julgamento desta terça-feira, a defesa de Palladino pediu suspensão e adiamento da sessão, com o intuito de esperas as conclusões da investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal no âmbito da Operação Conclave. Deflagrada ano passado, a operação investiga a venda do Panamericano para a Caixa Econômica Federal, em 2009. Os problemas no Panamericano vieram à tona em setembro de 2011, quando a fiscalização do Banco Central (BC) descobriu que a instituição financeira tinha um buraco de R$ 2,5 bilhões. Silvio Santos tomou um empréstimo no Fundo Garantidor de Crédito (FGC, fundo criado pelos bancos para garantir parte do dinheiro dos depositantes em caso de quebra) e deu seu patrimônio como garantia. No fim das contas, o Panamericano precisou de R$ 4,3 bilhões para acertar as contas do banco antes de ser vendido ao banco BTG Pactual, também em 2011.
terça-feira, 27 de fevereiro de 2018
Menos capacidade ociosa em frigoríficos do MT, diz Imea
Os frigoríficos de Mato Grosso começaram o ano mais produtivos. Em janeiro, a utilização da capacidade instalada atingiu 53,37%, índice 10,02 pontos percentuais maior do que registrado em igual mês de 2017, segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). Com isso, no mês passado, o estado abateu 451,4 mil cabeças, 6% a mais do que em igual período do ano passado. "O atual momento do ciclo pecuário, que demonstra cada vez mais fêmeas indo para a linha de abate (participação de 48,33% em janeiro de 2018), incentivou a abertura de diversas plantas frigoríficas nos últimos meses", diz o Imea em relatório. O instituto afirma que há ainda muito espaço produtivo a ser preenchido. "Mesmo assim, a expectativa de aumento na oferta de animais e o histórico de crescimento da pecuária matogrossense tem animado as indústrias e já há expectativas para abertura de mais frigoríficos", diz. Ao longo de 2017, Mato Grosso ampliou e diversificou sua produção. Cinco unidades foram abertas ou reabertas no ano passado, em Nova Xavantina, Mirassol do Oeste, São José dos Quatro Marcos, Barra do Bugres e Várzea Grandes. Além das plantas reativadas no ano passado, a Marfrig confirmou a reabertura da unidade de Pontes e Lacerda em 2018 e a Frigol arrendou a planta de Juruena. Fora isso, neste mês, a JBS ampliou em 50% a capacidade de abate de bovinos no frigorífico de Barra do Garças.
terça-feira, 20 de fevereiro de 2018
Os cotados para assumir o novo Ministério de Segurança
O presidente Michel Temer fez o primeiro anúncio público sobre a criação de um Ministério de Segurança Pública em uma reunião no último sábado (17/02), mas não citou quem seria seu indicado para assumir a pasta. O projeto, no entanto, é mais antigo, e atende a uma reivindicação da chamada “bancada da bala” na Câmara dos Deputados. Há algumas semanas, portanto, já circulam pelo Planalto alguns nomes de candidatos ao posto de futuro ministro. No domingo (18/02), o ministro da Justiça, Torquato Jardim, afirmou que o perfil desejado pelo governo é alguém reconhecido e com interlocução política com governadores e com o Congresso. “Criar o ministério da segurança Pública não é colocar no colo da União os problemas que são dos Estados”, salientou. Para o presidente do Senado, Eunício Oliveira, no entanto, a escolha de um nome só deve ser feita após a criação do novo ministério. Com informações da revista Exame.
Veja quem são os mais cotados para o posto, até agora:
Fleury Filho
Um dos principais cotados para assumir o novo ministério é o ex-governador de São Paulo Luiz Antonio Fleury Filho. Foi sob a sua gestão que ocorreu o “Massacre do Carandiru”, quando pelo menos 111 presos foram executados dentro do complexo penitenciário na capital paulista. Ao jornal O Globo, auxiliares de Temer confirmaram que existe um lobby dentro do governo para que ele seja indicado. Fleury foi procurado pela publicação, mas disse não ter sido consultado sobre uma possível indicação.
José Beltrame
Outro nome aventado pelo governo é o do ex-secretário estadual de Segurança Pública do Rio de Janeiro José Mariano Beltrame. Ele foi um dos responsáveis pela política de implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nos morros cariocas. Beltrame é favorável à privatização dos presídios brasileiros e já criticou o governo federal por se eximir de suas responsabilidades nas questões de segurança pública.
Gustavo Rocha
Gustavo Rocha, subchefe da Casa Civil, também é uma opção, segundo o jornalista Rudolfo Lago, da IstoÉ. Rocha é o principal assessor jurídico de Temer e já tentou várias vezes ser alçado a um posto como ministro, segundo reportagem de O Globo. De acordo com o Valor Econômico, Rocha é acostumado a atuar nos bastidores do governo e aconselha Temer em suas decisões importantes, sejam elas jurídicas, políticas ou pessoais.
Raul Jungmann
O deputado pernambucano é o atual ministro da Defesa do governo Temer. Jungmann foi secretário-geral da Frente Brasil Sem Armas e atuou no Congresso para a realização do referendo sobre o comércio de armas de fogo e munição no país, em 2005, quando defendia a proibição da comercialização de armas em todo o território nacional. No governo Fernando Henrique, foi ministro do Desenvolvimento Agrário; no de Itamar Franco, foi secretário-executivo do Ministério do Planejamento.
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018
Ministro Ricardo Barros hoje no "Roda Viva" da TV Cultura
O Ministro da Saúde, o paranaense Ricardo Barros, é o entrevistado desta segunda-feira no conhecido programa de entrevistas "Roda Viva", da TV Cultura, a partir das 22:15. Falará sobre a saúde no Brasil, a crise da "febre-amarela" e o cenário eleitoral. Sua esposa é a vice-governadora do Paraná Cida Borghetti que, segundo os bastidores da política, assumirá o governo do Paraná com a eventual desincompatibilização (saída para poder disputar a próxima eleição) do governador Beto Richa.
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018
Políticos se dividem sobre decreto de intervenção federal no Rio
Do jornal "O Globo", do Rio de Janeiro: A decisão do presidente Michel Temer (PMDB-SP) de decretar uma intervenção federal na segurança pública do Rio dividiu políticos sobre a necessidade da medida e acendeu as críticas sobre a perda de controle da administração do governador Luiz Fernando Pezão. Enquanto uns citam a emergência da violência no estado, alguns se preocupam com a instalação de um regime de exceção e outros acusam o desvio da pauta legislativa. O próprio chefe do Executivo estadual admitiu que "não dava mais" e pediu a iniciativa. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), explicou que o Congresso deve concluir a avaliação do emprego das forças no Rio até quarta-feira. Maia foi um dos deputados contrariados pela medida. Ele acabou convencido da necessidade da intervenção pelos apelos de Pezão, mas destacou que não há margem para erros e que o programa federal "precisa dar certo de qualquer jeito". "Está se dando um salto triplo sem rede: não dá para errar" — ressaltou o presidente da Câmara.O acordo de Temer e Pezão, que ainda precisa ser publicado e aprovado pelo Congresso, agradou os congressistas afeitos ao endurecimento da política de segurança no Rio. O deputado federal Hugo Leal (PSB-RJ), usou as redes sociais para apoiar a medida. "Antes tarde do que nunca. Já", escreveu no Facebook, ao compartilhar a postagem de um discurso seu, de agosto de 2016, em que considerava a intervenção no estado "inevitável". Na ocasião, Leal era candidato a vice-prefeito da cidade, na chapa de Índio da Costa, e pedia a atuação federal em função da "calamidade das contas estaduais", não da segurança. Índio da Costa (PSD-RJ), agora ex-secretário municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação, também mostrou aos seguidores que é favorável à intervenção e ainda acusou a demora da iniciativa. "Pedi a intervenção no dia 06/07/2016. Por que demorou tanto, Michel Temer? Quanta gente perdeu a vida com essa demora", comentou o deputado federal, que reassumiu o mandato em janeiro. A deputada federal Clarissa Garotinho (PRB-RJ) aproveitou a notícia da intervenção para criticar Pezão, sem expressar opinião sobre a medida. "Total descontrole do Estado...", destacou ela. Em comentário publicado em suas redes sociais, o senador Álvaro Dias (Podemos-PR) destacou que o Rio é o retrato do caos na segurança, o que é regra no país. "O governo perdeu essa batalha, e quando se anuncia a intervenção no Rio é a revelação da incompetência do governo", frisou o político, que também atribuiu a crise à corrupção no poder público. Já o deputado Glauber Rocha (PSOL-RJ) defendeu que o governador do Rio perdeu a capacidade de gerir não só a segurança, mas todas as áreas do estado. Na visão dele, que propõe uma saída coletiva de Pezão e seus aliados, a intervenção não resolve o problema da população. "Querem vender a ilusão de que esta seja uma alternativa que resolve os probelmas graves de segruança do Rio. Não resiolve. Eu pergunto a vcês: se Pezão não tem cndições de gerir a segurança pública, e não tem mesmo, ele tem condições para gerir a saúde, a educação, as outras áreas de governo? Logicamente que não", destacou o deputado em vídeo ao vivo no Facebook. O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) ressaltou que Pezão "perdeu o controle do que nunca foi capaz de gerir" e defendeu que uma ação das Forças Armadas tem riscos de violar direitos civis e não é uma solução para os conflitos "muitos graves". Para ele, a medida "populista" vem para tentar reverter os danos à bancada do PMDB em ano de eleições. No mesmo tom, seu correligionário Ivan Valente (RJ) sustenta que a medida, a qual chamou de "intervenção militar", é uma tentativa de Temer para esconder o fracasso de seu governo. O objetivo, segundo ele, seria usar um problema gravíssimo para mudar "na mão grande" a pauta legislativa. "Temer tenta com essa manobra salvar sua própria pele, a preocupação com a segurança da população fluminense é o que menos aflinge o governo. Por isso, uma intervenção sem um Plano de Segurança Pública, sem tratar de questões estruturais, sem ir ao cerne do problema. Mais uma vez, um problema estrutural é tratado de forma superficial. (...) No final, quem mais uma vez pagará o pato é a população", escreveu Valente no Facebook. Em polo ideológico oposto aos dos psolistas, o senador Wilder Morais (PP-GO), defendeu com letras maiúsculas a decisão do governo. "Nós queremos um país seguro! Intervenção federal já!!!! Depois da aprovação do nosso relatório para reformular a política nacional de segurança pública, conseguimos mais um grande avanço para acabar com o poder das facções!!!!", frisou Morais, autor do projeto de um plebiscito para revogar o Estatudo do Desarmamento. No Senado, o PT já mostra que não dará anuência à medida de Temer. Na visão da senadora Gleisi Hoffmann (RS), a intervenção militar no Rio "pode ser uma brecha para se instaurar um regime de exceção" no estado que dê margem para "repressão direta, inclusive contra movimentos sociais". Ela também lembrou que, com a proposta aprovada pelo Congresso, ficam vetadas alterações na Constituição do país, o que suspende a articulação para a votação da reforma da Previdência. Para o deputado petista Paulo Teixeira (SP), a medida é "desnecessária e populista" e apenas aprofunda o Estado de exceção. A atitude seria uma forma de "Bolsonarização" do governo, segundo ele, em referência ao deputado Jair Bolsonaro, que defende uma dura política de segurança. "Temer tenta se salvar na busca de apoio " à guerra" que agora travará com tropas nas ruas e suspensão de direitos civis", avaliou. O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) considerou um "eufemismo" a noção de que a intervenção federal é na segurança pública. "O presidente partiu para o tudo ou nada visando conservar o seu bloco no poder: o governo impopular começará a travar uma nova Guerra das Malvinas. De quebra, arrumou uma saída "honrosa" para evitar a derrota na reforma da previdência", ressaltou o petista. Na visão de Lindbergh, o decreto, ao qual chamou de "bomba do dia", fecha o governo Pezão dez meses antes do prazo, com o legado de uma crise de segurança "que o governador não titubeou em terceirizar".
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018
Ricardo Lewandowski: Presunção de inocência
Transcrevo aqui opinião do Excelentíssimo Ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski publicado no jornal Folha de São Paulo, da última sexta-feira (09/02/2018).
A presunção de inocência representa talvez a mais importante das salvaguardas
Ricardo Lewandowski
A presunção de inocência representa talvez a mais importante das salvaguardas
Ricardo Lewandowski
As constituições modernas surgiram na esteira das revoluções liberais do século 18 como expressão da vontade do povo soberano, veiculada por seus representantes nos parlamentos.
Desde então, revestiram-se da forma escrita para conferir rigidez aos seus comandos eis que foram concebidas como instrumentos para conter o poder absoluto dos governantes, inclusive dos magistrados.
Apesar de sua rigidez, logo se percebeu que as constituições não poderiam permanecer estáticas, pois tinham de adaptar-se à dinâmica das sociedades que pretendiam ordenar, sujeitas a permanente transformação. Se assim não fosse, seus dispositivos perderiam a eficácia, no todo ou em parte, ainda que vigorassem no papel.
Por esse motivo, passou-se a cogitar do fenômeno da mutação constitucional, que corresponde aos modos pelos quais as constituições podem sofrer alterações.
Resumem-se basicamente a dois: um formal, em que determinado preceito é modificado pelo legislador ou mediante interpretação judicial, e outro informal, no qual ele cai em desuso por não corresponder mais à realidade dos fatos.
Seja qual for a maneira como se dá a mutação do texto constitucional, este jamais poderá vulnerar os valores fundamentais que lhe dão sustentação.
A Constituição Federal de 1988 definiu tais barreiras, em seu art. 60, 4º, denominadas de cláusulas pétreas, a saber: a forma federativa de Estado; o voto direto, secreto, universal e periódico; a separação dos Poderes; e os direitos e garantias individuais.
A presunção de inocência integra a última dessas cláusulas, representando talvez a mais importante das salvaguardas do cidadão, considerado o congestionadíssimo e disfuncional sistema judiciário brasileiro, no bojo do qual tramitam atualmente cerca de 100 milhões de processos a cargo de pouco mais de 16 mil juízes, obrigados a cumprir metas de produtividade pelo Conselho Nacional de Justiça.
Salta aos olhos que em tal sistema o qual, de resto, convive com a intolerável existência de aproximadamente 700 mil presos, encarcerados em condições sub-humanas, dos quais 40% são provisórios multiplica-se exponencialmente a possibilidade do cometimento de erros judiciais por magistrados de primeira e segunda instâncias.
Daí a relevância da presunção de inocência, concebida pelos constituintes originários no art. 5º, LVII, da Constituição em vigor, com a seguinte dicção: ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença criminal condenatória, o que subentende decisão final dos tribunais superiores.
Afigura-se até compreensível que alguns magistrados queiram flexibilizar essa tradicional garantia para combater a corrupção endêmica que assola o país.
Nem sempre emprestam, todavia, a mesma ênfase a outros problemas igualmente graves, como o inadmissível crescimento da exclusão social, o lamentável avanço do desemprego, o inaceitável sucateamento da saúde pública e o deplorável esfacelamento da educação estatal, para citar apenas alguns exemplos.
Mesmo aos deputados e senadores é vedado, ainda que no exercício do poder constituinte derivado do qual são investidos, extinguir ou minimizar a presunção de inocência.
Com maior razão não é dado aos juízes fazê-lo por meio da estreita via da interpretação, pois esbarrariam nos intransponíveis obstáculos das cláusulas pétreas, verdadeiros pilares de nossas instituições democráticas.
RICARDO LEWANDOWSKI é professor titular de teoria do Estado da Faculdade de Direito da USPe ministro do Supremo Tribunal Federal
sábado, 10 de fevereiro de 2018
Twitter tem 1º lucro, após liberar 280 caracteres
O "microblog" Twitter registrou o primeiro lucro líquido trimestral desde que abriu seu capital, em 2013, impulsionado pelo aumento nas vendas de anúncios em vídeo, anunciou a empresa na quinta-feira (08/02). A rede social teve lucro líquido de US$ 91,1 milhões no quarto trimestre de 2017, revertendo prejuízo de US$ 21 milhões nos três meses anteriores e de US$ 167,1 milhões no quarto trimestre de 2016. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado no quarto trimestre de 2017 foi de US$ 308 milhões, ante US$ 215 milhões no ano anterior. A receita também aumentou, 2%, em relação a 2016, para US$ 731,6 milhões. Com os resultados, as ações do Twitter subiram 12,15% nesta quinta, cotadas a US$ 30,18. No ano fiscal de 2017, porém, a empresa fechou com prejuízo de US$ 108 milhões. Para 2018, o Twitter diz esperar ser lucrativo o ano todo. "O resultado de agora é reflexo de uma estratégia que o Twitter vem adotando desde o final de 2016 para refinar e simplificar a plataforma, tornando a experiência mais intuitiva e fácil para o usuário", afirma Fiamma Zarife, diretora-geral do Twitter Brasil. Sem revelar números, ela diz que o Twitter no Brasil registrou recorde de receita em 2017 --a plataforma começou a operar no país em 2013. Uma das principais novidades consolidadas pelo Twitter no último trimestre foi o aumento do limite de 140 para 280 caracteres por postagem. "O Twitter é sobre instantaneidade, não sobre caracteres. E há um público que agora consegue se expressar de maneira mais fácil e confortável", diz Zarife. O Twitter parece também ter encontrado boa receptividade dos anunciantes por vídeos. "O nosso grande motor de crescimento hoje é o vídeo, que é seis vezes mais retuitado do que qualquer outro conteúdo", afirma Zarife. O número de usuários ativos diariamente no Twitter subiu 12% no último trimestre de 2017, ante 2016. Os usuários mensais, porém, cresceram menos (4%), e mantiveram-se estáveis em relação aos três meses anteriores. Foram 330 milhões de usuários ativos mensais no quatro trimestre. A contagem é observada de perto pelos investidores como sinal de potencial de vendas de anúncios. O Twitter disse que o uso foi prejudicado por fraqueza sazonal e por uma mudança que a Apple fez no seu navegador Safari, que reduziu a conta dos usuários em 2 milhões. Em carta aos acionistas, o Twitter disse ainda que intensificou os esforços para reduzir spams, contas automatizadas (os "bots") e usuários falsos. Recentemente, reportagem do jornal "The New York Times" revelou como uma empresa "turbinava" perfis de atletas e astros da televisão com contas falsas na rede social.
Twitter /4º.tri.2017
LUCRO LÍQUIDO US$ 91,1 milhões
USUÁRIOS ATIVOS (MÊS) 330 mi
PRINCIPAIS CONCORRENTES Facebook, Instagram e Snapchat
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018
Paraná tem novo secretário de Segurança Pública
O delegado Júlio Reis foi anunciado como o novo secretário da Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp). Ele vai substituir o delegado federal Wagner Mesquita. A informação foi divulgada pelo governador Beto Richa, durante entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira (05/02). “Precisamos de mais unidade nas ações da segurança pública, com as forças policiais, tanto a Polícia Militar do Estado quanto a Polícia Civil. Para que as coisas aconteçam numa velocidade rápida, em perfeita harmonia, para que possamos ter mais efetividade no combate à criminalidade do estado”, comentou o governador. Richa justificou a indicação de Júlio Reis por seu desempenho como delegado-geral da Polícia Civil e ainda afirmou que ele foi “muito bem aceito por todos”. “Ele é um bom policial, cumpre bem papel na condução da Polícia Civil do Estado. Tivemos muitos avanços através de sua liderança na instituição”, disse. Ainda não foi detalhado quando será a posse do novo secretário. A relação de Mesquista com o governador Beto Richa ficou comprometida após o episódio em que uma família esperou por mais de 14 horas até que uma viatura do Instituto Médico Legal (IML) recolhesse o corpo de um jovem assassinado em Colombo, em janeiro. “Aquilo me irritou bastante. Foi um descaso, uma situação desumana”, disse o governador, que ainda classificou a situação como inaceitável. No entanto, ele ponderou e afirmou que a troca do comando da Sesp não foi motivado pelo episódio. Richa comentou ainda que Mesquita entendeu a substituição e ainda agradeceu o delegado federal pelo serviço. “Reconheço publicamente o bom trabalho do delegado Mesquita em todo esse período que ele ficou à frente da secretaria. Os números comprovam esse entendimento”.
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