quarta-feira, 10 de junho de 2020

Texto que suspende cadastro negativo durante pandemia vai a sanção

Seguiu para sanção do presidente Jair Bolsonaro o projeto de lei que proíbe a inscrição de consumidores inadimplentes em cadastros negativos durante o estado de calamidade devido à pandemia do coronavírus (PL 675/2020). De iniciativa dos deputados Denis Bezerra (PSB-CE) e Vilson da Fetaemg (PSB-MG), a proposta suspende por 90 dias a inscrição de consumidores em bancos de informação como o Serasa e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) registrada após 20 de março de 2020, ou seja, que esteja relacionada aos impactos econômicos provocados por medidas de isolamento adotadas no combate à pandemia. O texto autoriza ainda a Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça a prorrogar a suspensão das novas inscrições nos cadastros de devedores pelo tempo que durar o estado de calamidade e atribui ao Poder Executivo a regulamentação e a fiscalização necessárias, sem prejuízo da aplicação de sanções previstas no Código de Defesa do Consumidor. Caso ocorra cobrança de multa por descumprimento da norma, o dinheiro deverá ser aplicado em medidas de combate à covid-19. O projeto foi aprovada pelo Senado no início de maio, na forma de um substitutivo apresentado pela relatora, senadora Rose de Freitas (Podemos-ES).  No entanto, os deputados rejeitaram as mudanças sugeridas pela senadora, entre elas, a proibição do uso da inscrição nos cadastros negativos para restringir o acesso específico a linhas de crédito e a disponibilidade, pelos bancos, de crédito de até R$ 10 mil para a renegociação de dívidas dos consumidores negativados. De acordo com o relator do projeto na Câmara, deputado Julian Lemos (PSL-PB), o Senado mudou o texto, mas não apontou uma fonte de recursos para cobrir as despesas.O substitutivo aprovado pelo Senado Federal promove impacto sobre as despesas da União, mas não se fez acompanhar da estimativa de impacto requerida pelo mandamento constitucional — disse, durante a apreciação da matéria. 

domingo, 31 de maio de 2020

Embraer deve obter financiamento de BNDES e bancos privados de US$600 mi em junho, dizem fontes

A Embraer deve obter em junho financiamento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a bancos privados no valor de 600 milhões de dólares para atender a sua demanda de jatos executivos e comerciais para os próximos meses, disseram fontes do governo em condição de sigilo. As negociações estão em ritmo acelerado, de acordo com as fontes, que estimam que o crédito pode ser liberado nas próximas semanas. Fazem parte do pool de bancos que vão oferecer o crédito à Embraer o BNDES, Bradesco, Santander, Itaú, Citibank, Morgan Stanley e Natixis. No balanço do primeiro trimestre deste ano, a fabricante brasileira de aeronaves anunciou que tem no horizonte cerca de 16 bilhões de dólares em encomendas firmes para os próximos anos. "Isso mostra bem a solidez e o equilíbrio da empresa em meio à crise que afeta o setor aéreo", disse uma das fontes. "Ninguém sabe ao certo como vai ser o futuro da aviação comercial, mas pode ser uma era de aviões menores e voos privados e com menos gente voando. A Embraer tem aviões menores e atua em outras áreas da aviação. Essa formatação mostra que a companhia tem valor e potencialidade", acrescentou uma segunda fonte. A linha de crédito que será liberada, de acordo com as fontes, será no modelo pré-embarque, em que se financia o produtor local do produto/ativo que será vendido no exterior, e a operação terá garantias para dar suporte à operação. "O financiamento combinado entre os bancos tem garantias, ele vai direto para a Embraer e não para os compradores das aeronaves. Não é no modelo pós-embarque, e sim préembarque", afirmou a segunda fonte. O governo negocia desde abril com as principais empresas aéreas brasileiras um socorro para enfrentar os efeitos negativos da pandemia de coronavírus que abateram o setor. A ajuda do BNDES e bancos privados deve sair no começo de julho, e o pedido de recuperação judicial da Latam nos Estados Unidos foi um complicador adicional para as tratativas. A Embraer também pode ser contemplada por essa ajuda com um montante de aproximadamente 400 milhões de dólares, mas de acordo com as fontes essa operação que poderia incluir a emissão de debêntures conversíveis e emissão de bônus deve ficar para o próximo ano para a fabricante nacional. A Embraer viu frustrada este ano uma parceria com a norte-americana Boeing para a criação de uma joint venture para fabricação de aeronaves comerciais. A Reuters divulgou esta semana que a fabricante brasileira tem negociações iniciais e preliminares com empresas da Rússia, Índia e China para eventual futura parceria. As conversas, mesmo que iniciais, já fomentaram manifestações negativas da Abradin, associação que representa os acionista minoritários das empresas. "A Abradin está atenta às possíveis negociações envolvendo a (chinesa) COMAC e tomará as medidas necessárias para que fraudes contra investidores sejam perpetradas. É absolutamente inadmissível que qualquer negociação seja conduzida pelos mesmos elementos que conduziram de forma fraudulenta as negociações com a Boeing. A Boeing usará, sem dúvida, em sua defesa, as fraudes elencadas pela Abradin em sua representação junto à União Europeia para justificar desfazer o negócio", disse à Reuters o presidente da Abradin, Aurélio Valporto. Procurada pela Reuters sobre o novo financiamento, a Embraer ainda não se pronunciou.

quarta-feira, 27 de maio de 2020

País da 'dolce vita', Itália vê futuro sombrio e difícil após pandemia

Com a recessão mais severa desde a Segunda Guerra Mundial e a confiança dos investidores perdida, devido à pandemia de coronavírus, os empresários italianos veem o futuro da terceira economia na zona do euro como sombrio. Em maio, o índice de confiança nos negócios atingiu o nível mais baixo já registrado desde março de 2005, quando começou a ser medido pelo Instituto Nacional de Estatística (Istat). De março a maio deste ano, em meio à pandemia, este índice caiu de 79,5 para 51,1 pontos. "São dados alarmantes, uma vez que a emergência econômica e de saúde afetou as empresas, especialmente as que atuam no comércio, nos serviços e no turismo", disse a Confesercenti, organização que representa as pequenas e médias empresas (PMEs) nesses setores. Os empresários estão preocupados com "a falta de liquidez, necessária para cobrir as despesas e garantir os salários (...) Estamos prestes a chegar ao ponto de não retorno", reconheceu a presidente da organização, Patrizia De Luise. Em nome desses empreendedores, Patrizia pediu ao governo que as medidas tomadas - entre elas garantias de empréstimos e auxílios à perda de fundos para as PMEs - sejam "imediatamente operacionais". Para ela, "é necessário reduzir a burocracia, acelerar e simplificar os procedimentos, porque, se os apoios demorarem mais, muitas empresas não terão escolha a não ser interromperem suas atividades", afirmou. Uma polêmica foi deflagrada, depois que o governo acusou os bancos de serem muito lentos na aprovação do acesso dessas empresas a recursos públicos. Já os bancos alegam que processaram 400.000 pedidos de empréstimos ao Fundo Público de Garantia, no total de 18 bilhões de euros (20 bilhões de dólares). Primeiro país a ser afetado pela pandemia na Europa, a Itália impôs medidas rigorosas de contenção por dois meses, paralisando grande parte de sua atividade econômica. No primeiro trimestre, seu Produto Interno Bruto (PIB) caiu 5,3% em relação ao trimestre anterior, um declínio acima do esperado e nunca visto em 25 anos, conforme o Istat. O país deve registrar sua pior recessão desde a Segunda Guerra Mundial este ano, com uma queda no PIB estimada pelo Banco da Itália, nesta sexta-feira, de 9% para 13%. Para Carlo Bonomi, presidente da Confindustria, a principal confederação do setor industrial, "entre 700.000 e um milhão de empregos estão em perigo" na península. "Criam-se empregos, se houver crescimento, inovação e investimento. A crise do setor automobilístico não se resolve com empréstimos, ou desemprego técnico. Resolvemos isso olhando para o futuro. Precisamos investir em novas tecnologias", afirmou. Parece, no entanto, haver alguma esperança no horizonte: o plano de recuperação de 750 bilhões de dólares da UE (US$ 835 bilhões) anunciado esta semana, dos quais a Itália será o primeiro destinatário, com 172 bilhões de euros (190 bilhões de dólares) em subsídios e empréstimos. Os italianos como um todo parecem resistir, embora o país da "dolce vita" esteja de luto pela morte de 33.000 pessoas, vítimas do novo coronavírus. Além disso, a confiança do consumidor caiu de 100,1 para 94,3, no período de março a maio, o nível mais baixo desde o final de 2013. Embora o Estado tenha apoiado o desemprego temporário e aprovado uma remuneração para os funcionários que perderam o emprego, um bom número de pessoas foi esquecido. É o caso de Eleonora Fogliacco, de 35 anos, professora de natação e fitness na Lombardia, uma região particularmente afetada, que ordenou o fechamento de piscinas e centros esportivos no final de fevereiro. "Não consegui ter acesso à ajuda de 600 euros (670 dólares) por mês fornecida pelo governo, porque ganhei mais de 10.000 euros (US$ 11.100) no ano passado", lamentou a jovem, que de repente se viu sem emprego. "Durante o fechamento, alternei dias muito calmos e dias em que me senti completamente perdida, sem nenhuma ajuda do Estado, não via futuro algum e não sabia em que me segurar", confessou. "Não compro nada. Dependo do meu companheiro para fazer o mercado", reconhece. Para Eleonora, a pandemia "mudou a vida de todos". Ela acredita que "o futuro próximo" será muito complicado. Segundo uma pesquisa da Confcommercio-Censis publicada na terça-feira, 52,8% das famílias italianas veem o futuro como sombrio para si mesmas, e 67,5%, para todo país. Devido ao confinamento, 42,3% registraram redução de renda, 25,8% deixaram de trabalhar, e 23,4% ficaram desempregados. Além disso, seis em cada dez famílias temem perder o emprego.

domingo, 24 de maio de 2020

Com mais 114 casos e três óbitos em 24 horas, Paraná confirma escalada da Covid-19



A Secretaria de Estado da Saúde confirmou, neste domingo (24/05), o crescimento do número de casos de Covid-19 no Paraná. Nas últimas 24 horas foram 114 diagnósticos positivos de contaminação, além de três registros de óbito. Em 74 dias, desde o primeiro paciente confirmado, a média é de 43,4 novos contaminados pelo vírus Sars-CoV-2 por dia, além de aproximadamente 2,7 óbitos desde a primeira morte, há 59 dias. Até aqui, o novo coronavírus já atingiu 213 das 399 cidades paranaenses, o equivalente a 53,38% do total de municípios do estado. Um total de 3.212 pacientes foram contaminados, enquanto o número de óbitos é de 153. Os três pacientes que faleceram nas últimas 24 horas são dois homens e uma mulher. Uma paciente de 56 anos, que residia em Santa Mariana, foi a óbito no sábado (23). Um homem que morava em Braganey, de 62 anos, também morreu no sábado (23). E outro homem, que tinha 74 anos e residia em Francisco Beltrão, faleceu na quinta-feira (21), mas só teve o diagnóstico para Covid confirmado recentemente. Em todo o Paraná, 59 cidades têm ao menos um registro de morte em decorrência da infecção. A idade média das pessoas que morreram em decorrência da Covid-19 é de 68 anos de idade. 

Secretário confirma crescimento de casos e pede respeito ao isolamento social

O secretário de Saúde, Beto Preto, explica que o Estado registra crescimento de casos de pessoas com a doença. “Peço à população que compreenda e participe conosco no enfrentamento ao novo coronavírus. Embora alguns locais estejam abertos, tenham a consciência do risco que se colocam ao deixar a sua casa para alguma atividade fora. Reforço, somente saia em extrema necessidade”. Na semana retrasada, uma decisão judicial autorizou a retomada das atividades por academias de ginástica. Já na semana passada, um decreto do governo estadual estabeleceu regras para a reabertura de shoppings e o secretário municipal de Urbanismo esclareceu que os bares de Curitiba podem funcionar, enquanto a Assembleia Legislativa do Paraná autorizou que igrejas voltassem a celebrar seus cultos/missas. 

Internamentos e ocupação de leitos

238 pacientes com diagnóstico confirmado para Covid-19 estão internados neste domingo: 164 em leitos pelo SUS (sendo 58 UTI e 106 leitos clínicos) e 68 na rede privada (sendo 33 UTI e 35 em leitos clínicos). Além desses 238 pacientes internados e com confirmação de contágio, há outros 503 em leitos do SUS exclusivos e não exclusivos para Covid-19 no Estado, sendo 210 em UTI e 293 em leitos clínicos. 

Municípios atingidos e novas confirmações

213 cidades paranaenses que têm ao menos um caso confirmado pela Covid-19. Em 59 municípios há registro de óbitos pela doença.

As novas confirmações são nas cidades: Almirante Tamandaré (2), Anahy (2), Araucária (3), Bela Vista do Paraíso (1), Cambé (1), Cascavel (10), Centenário do Sul (1), Cianorte (3), Congonhinhas (1), Cornélio Procópio (2), Cruzeiro do Oeste (1), Curitiba (27), Diamante do Sul (2), Francisco Beltrão (1), Guapirama (1), Guaraniaçu (2), Ibiporã (1), Imbituva (1), Jacarezinho (1), Japurá (1), Jataizinho (1), Londrina (15), Mandaguari (1), Maria Helena (5), Maringá (2), Matinhos (1), Pinhais (3), Piraquara (3), Pitanga (1), Ponta Grossa (2), Quitandinha (1), São José dos Pinhais (3), Sapopema (3), Tamarana (1), Tapejara (1), Telêmaco Borba (1), Tijucas do Sul (2), Umuarama (3), Wenceslau Braz (1).

De fora do Paraná

Um residente de São Paulo, que foi atendido em Londrina teve a confirmação da doença, total é de 48. Três pessoas que foram atendidas no Paraná e residem fora do estado foram a óbito.

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Etanol: projeto de lei cria linha de crédito para setor sucroenergético

Segundo a senadora Kátia Abreu (PP-TO), autora do projeto, com o financiamento, as usinas beneficiadas não poderiam deixar de pagar seus fornecedores e plantadores de cana e reduzir o número de empregados Kátia Abreu (PP-TO) apresentou na quinta-feira (14/05), um projeto de lei que cria o Programa Emergencial de Apoio ao Setor Sucroenergético Brasileiro. Ao defender a criação de uma linha de crédito que beneficiaria, entre outros, produtores de etanol e cana-de-açúcar, a senadora ressalta a queda no consumo provocada pelo novo coronavírus. “A redução do consumo de combustíveis provocada pela pandemia do novo coronavírus – em função das necessárias medidas de isolamento social – combinada a uma queda superior a 50% na cotação do petróleo produziram um efeito devastador no setor sucroenergético, ocasionando um recuo de praticamente 40% do preço do etanol, colocando-o bem abaixo de seu custo de produção”, disse. A proposta da senadora utiliza o mesmo modelo de financiamento e de estruturação da medida provisória 944/2020, que criou o Programa Emergencial de Suporte a Empregos e oferece crédito a empresários com a finalidade de pagamento de folha salarial de seus empregados. A diferença entre os dois, segundo ela, é que o programa sugerido exige um aporte menor de recursos do Tesouro Nacional ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de R$ 7,65 bilhões. Ela ressalta que esse valor representaria 85% dos recursos do programa. Os 15% restantes teriam origem em recursos próprios de instituições financeiras, que preferencialmente seriam o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, o BNB [Banco do Nordeste] e o próprio BNDES. As taxas de juros seriam iguais à Selic mais 1,25% ao ano. De acordo com o projeto, as usinas beneficiadas não poderão deixar de pagar seus fornecedores e plantadores de cana-de-açúcar, assim como reduzir o número de empregados até seis meses após o recebimento da última parcela dos recursos. O texto estabelece que o prazo de pagamento poderá ser de até 24 meses, com carência de seis meses. “Diante desse cenário de elevada descapitalização do setor é que propomos por meio desse projeto de lei uma linha emergencial de crédito para que os produtores possam financiar o período da safra que no primeiro semestre está concentrado no Centro-Sul do país, que corresponde a 90% da produção nacional. Assim é nesse período, a partir de abril, que há a maior necessidade de caixa pelas empresas, com cerca de 70% dos custos operacionais de produção desembolsados no período de colheita”, ressalta. O projeto da senadora também determina que os bancos que participarem do programa não poderão recusar empréstimos baseados em ‘anotações em quaisquer banco de dados, públicos ou privados, que impliquem restrição ao crédito por parte do proponente, inclusive protesto’. Quanto às garantias a serem oferecidas pelos tomadores dos empréstimos, o projeto estabelece que somente poderão ser exigidos os estoques físicos de produtos acabados da indústria sucroalcooleira, como o etanol, em montante até o limite de 130% dos empréstimos contratados, acrescidos os encargos. Com esse volume de recursos, a senadora diz que é possível alavancar R$ 9 bilhões, que são suficientes para financiar a produção de 6 bilhões de litros de etanol anidro e/ou hidratado em um modelo conhecido como warrantagem. Por esse modelo, o etanol estocado é dado como garantia da operação de crédito até um montante de 130% do valor tomado. “A possibilidade de armazenamento do etanol (com financiamento equivalente) para a venda futura é fundamental para evitar uma retração ainda maior de preços do biocombustível e equilibrar a relação de oferta e demanda no mercado doméstico, dada a queda acentuada do consumo de combustíveis em função das medidas de isolamento social”. O projeto está com o prazo aberto para emendas e aguarda a designação de relator para iniciar sua tramitação. Pelo menos outros dois projetos de ajuda ao setor sucroalcooleiro já foram apresentados no Congresso. O do deputado federal Geninho Zuliani (DEM-SP) tem como objetivo reduzir a zero as porcentagens de contribuição para o PIS/Pasep e Cofins aplicada ao etanol hidratado. Já a do deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) proíbe por 90 dias a importação de gasolina, diesel e etanol pelo Brasil, com possibilidade de prorrogação por mais 60 dias. Diante da grave crise enfrentada pelas usinas, o setor conversa desde o mês passado com os ministério da Agricultura, de Minas e Energia e Economia, assim como com o Palácio do Planalto para que o governo crie um pacote de ajuda. O setor pede redução de impostos sobre o etanol, aumento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina e a criação de linha de crédito para estocagem do biocombustível.

domingo, 10 de maio de 2020

Após impacto com coronavírus Avianca declara falência

A companhia aérea colombiana Avianca anunciou neste domingo (10/05) que aceita voluntariamente a lei de falências dos Estados Unidos “para preservar e reorganizar os negócios” da empresa. A notícia, que é uma das consequências diretas da crise provocada pelo coronavírus, atinge vários países onde a companhia aérea está presente e gera milhares de empregos. “Aderir a esse processo foi necessário devido ao impacto imprevisível da pandemia da covid-19, que provocou uma redução de 90% no tráfego mundial de passageiros e se espera que reduza o faturamento da indústria em todo o mundo em 314 bilhões de dólares (1,72 trilhão de reais), de acordo com a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA)”, informou a empresa em um comunicado. Minutos depois, seu presidente e CEO, Anko van der Werff, disse no Twitter que a empresa voltará a voar quando lhe for permitido. “Hoje anunciamos oficialmente nossa intenção voluntária de reorganização nos Estados Unidos”, escreveu na rede social. A decisão implica que a Avianca Holding e suas subsidiárias e afiliadas, exceto a LifeMiles, se submetem ao resgate econômico contemplado no capítulo 11 do Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York. A empresa avaliou seu passivo entre um bilhão e 10 bilhões de dólares em uma declaração perante esse tribunal. O processo busca “reestruturar o balanço e as obrigações da empresa para enfrentar os efeitos da pandemia da covid-19, assim como gerenciar suas responsabilidades, arrendamentos, pedidos de aeronaves e outros compromissos”. A Avianca Holding tem cerca de 30 milhões de usuários anuais e emprega 21.000 pessoas entre empregos diretos e indiretos na América Latina, dos quais 14.000 na Colômbia. E nos últimos dias agitou um debate no país andino sobre se o Governo colombiano deve ou não salvar a companhia aérea em meio às críticas de seus usuários pelo alto preço das passagens e pelo que consideram um serviço de má qualidade. A empresa esclareceu que apesar da solicitação de resgate econômico dos Estados Unidos “continua suas conversações com os governos em relação ao apoio financeiro para o sucesso do processo”. Além do anúncio do pedido para usar a lei de falências, a empresa iniciará uma redução de suas operações no Peru e se concentrará em seus principais mercados quando for concluída a “reorganização supervisionada pelos tribunais”. “A Avianca operou durante mais de 100 anos, sendo a segunda companhia aérea do mundo a alcançar essa marca. Estamos certos de que, por meio desse processo, podemos continuar executando nosso plano Avianca 2021, otimizar nossa estrutura de capital e nossa frota de aeronaves e ―com apoio governamental― emergir como uma companhia aérea melhor e mais eficiente”, insistiu o presidente. Em agosto de 2019, um áudio vazado para a imprensa revelou que Roberto Kriete, presidente do Conselho de Administração da Avianca Holdings, havia afirmado a funcionários em El Salvador que a companhia aérea estava falida e que não estava pagando seus credores. A empresa negou as informações pouco depois. Na Colômbia as ações da Avianca caíram praticamente 80% desde fevereiro, sendo negociadas atualmente a 1,03 dólar por ação. Nos próximos dias, o tribunal de Nova York deverá decidir sobre os pedidos da empresa.

terça-feira, 5 de maio de 2020

Em meio à pandemia, lucro da Disney cai 91% no primeiro trimestre


A gigante do entretenimento Walt Disney Co. informou nesta terça-feira (05/05) que a pandemia do novo coronavírus terá um impacto de 1,4 bilhão de dólares na empresa no trimestre atual, devido ao fechamento de seus parques de diversões e outras operações. A gigante da mídia disse que seus lucros caíram 91%, a 475 milhões de dólares no período terminado em 28 de março, em meio aos efeitos da pandemia e um forte investimento em seu novo serviço de meios de comunicação por streaming Disney+. A receita total da companhia aumentou 21%, o equivalente a 18 bilhões de dólares, com forte crescimento, mostrado nas operações de seus meios de comunicação. “Enquanto a pandemia da COVID-19 tem tido um impacto financeiro apreciável nos resultados dos nossos negócios, estamos confiantes em nossa capacidade de resistir a esta interrupção e sair dela com uma posição forte”, disse Bob Chapek, nomeado diretor-executivo no começo deste ano.

sábado, 2 de maio de 2020

Nossa nova vida na Terra

Vamos nos preparar minha gente. Acabou a “moleza”. O planeta não aguenta mais. No mundo pós-pandemia muitos negócios irão desaparecer e outros irão surgir. Ganha a inovação e a coragem de empreender. Estamos em meio a um apocalipse econômico, cultural e biológico, e o mundo tem visto a importância de se ressignificar. 🌎 Embora algumas mudanças radicais já sejam observadas no comportamento do consumidor, nas estruturas da indústria e na globalização, nos tornamos atores principais de um filme, cujo final ainda está sendo escrito. Além da urgência de inventar rapidamente uma vacina para o vírus, a pandemia também expôs a necessidade de discutir questões como o crescimento exponencial, o consumismo inconsequente e o turismo predador que ignora os ecossistemas no qual estamos inseridos. Reprodução da capa de revista Época Negócios deste mês de maio.

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Sem Disneylândia

O economista-chefe da Necton, André Perfeito, comentou as consecutivas altas do dólar no Brasil conforme a crise econômica mundial avança. Para o analista, as altas da moeda norte-americana têm como principal fundamento os preços cada vez mais baixos do petróleo, afetando o valor dos juros no país. “Como o Brasil ainda é visto como um grande exportador de commodities, a percepção geral do país [no mundo] fica ainda fragilizada, sugerindo e apontando um real mais fraco”, disse o analista. Perfeito ainda comentou sobre suas projeções para a moeda ao final do ano.“Mudei minha projeção de câmbio para o final do ano, vou manter o câmbio mais próximo de R$ 6. Dado que o preço do petróleo deve continuar baixo e os juros também devem continuar bem fracos aqui.

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Juros ladeira abaixo

Durante uma videoconferência realizada pelo jornal O Estado de S. Paulo, na segunda-feira (20/04), o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sinalizou que a taxa básica de juros do país pode sofrer uma nova baixa. O economista falava sobre o cenário de crédito no Brasil e pontuou que o Banco central está disposto a tomar novas medidas que gerem aumento de oferta de crédito, caso seja necessário. Empresários tem pontuado a projeção de baixa da taxa Selic por meio do relatório Focus, divulgado pelo Banco Central. Depois da fala de Campos Neto, a aposta entre analistas é a de que o BC vai reduzir os juros básicos, atualmente em 3,75% ao ano, em 0,50 ponto porcentual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no início de maio. Com isso teríamos juros reais negativos pela primeira vez no Brasil.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Petróleo WTI despenca e vai para o negativo em nova crise do petróleo


Pela primeira vez na história, o barril de petróleo foi negociado com preço negativo. Com as principais atividades econômicas do planeta paradas e, consequentemente, com a demanda pelo combustível congelada em todo o mundo, devido ao avanço da pandemia do coronavírus, a cotação da commodity do tipo West Texas Intermediate (WTI), referência no mercado americano, entrou em colapso. O contrato futuro de maio, que expira amanhã, despencou, nesta segunda-feira (20/04), dos 17,73 dólares da abertura para fechar negociado a -37,63 dólares o barril. Isso aconteceu porque os investidores começaram uma corrida para vender os contratos, porque ninguém quer receber a entrega física, já que a capacidade de armazenamento nos Estados Unidos está chegando ao limite. Os preços negativos significam que os produtores estão pagando para que os seus óleos sejam retirados – algo que nunca aconteceu desde que os contratos futuros de petróleo começaram a ser negociados em 1983. “Tem gente dizendo: ‘Leva o meu petróleo, que eu não tenho o que fazer com ele, literalmente'”, explicou David Zylbersztajn, professor da PUC-Rio e ex-diretor geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP). O contrato de junho do WTI, o mais comercializado, terminou a sessão em nível muito superior ao de maio, cotado a 20,43 dólares o barril. Já o petróleo do tipo Brent, negociado em Londres, também recuou – uma queda de 9%, para 25,57 dólares o barril –, mas longe da ladeira abaixo do preço dos Estados Unidos, uma vez que globalmente há mais espaço disponível para armazenamento. As refinarias americanas estão processando muito menos petróleo que o normal, o que faz com que milhões de barris fiquem presos em instalações de armazenamento em todo o mundo. Grande comercializadoras de petróleo já contrataram navios apenas para ancorá-los e enchê-los do combustível. Um recorde de 160 milhões de barris está estocado em navios-tanque no mundo. Há pouco mais de uma semana, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados anunciaram um acordo com o maior corte de produção de todos os tempos, com o objetivo de conter os preços, porém, a medida não foi suficiente.Especialistas prevêem que a volatilidade deve permanecer forte por algum tempo. “Mesmo com o mundo começando a afrouxar as medidas de contenção, a economia leva um tempo para se recuperar. Ainda vai ter muita incerteza por muito tempo. Não há um futuro promissor para o longo prazo”, prevê Zylbersztajn. Mesmo o barril do contrato de junho estar sendo negociado em torno de 20 dólares, o valor ainda é muito baixo para as empresas produtoras, que assumiram dívidas e não conseguem ter fluxo de caixa para pagá-las. Algumas dessas empresas americanas não serão capazes de sobreviver a esta crise histórica e poderão ir à falência. A queda do preço do petróleo impacta todas as petroleiras, inclusive a Petrobras, que terão de rever seus modelos de negócios, reduzir custos e adiar investimentos. “A Petrobras reduziu sua projeção de investimento em 30%, de 12 bilhões de dólares em 2020, para 8,5 bilhões. Isso é ruim para o Brasil. Estamos falando da maior empresa brasileira. Além disso, uma série de empresas petrolíferas estrangeiras também irão adiar os investimentos no Brasil”, afirmou Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). No curto prazo, outras consequências virão, como a redução da arrecadação do governo com o setor de óleo e gás – ainda mais num momento de aumento de despesas públicas para tentar mitigar os efeitos da Covid-19 na economia. A arrecadação de royalties em 2020 vai diminuir algo entre 35% a 40% em relação a 2019, segundo cálculos realizados por Pires. Como o petróleo, o cenário é negro pela frente.

Segundo TV, o ditador Kim Jong-un está em estado grave

O ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, está em tratamento após passar por uma cirurgia cardiovascular no início do mês, de acordo com fontes do Departamento de Inteligência dos Estados Unidos. A informação foi dada na noite desta segunda-feira (20/04), pela CNN dos Estados Unidos. Especulações sobre a saúde de Kim Jong-un aumentaram após ele não comparecer nas festividades de 15 de abril, aniversário do avô dele, Kim Jong-il, fundador da Coreia do Norte, que morreu em 1994. O ditador norte-coreano foi visto quatro dias antes em uma reunião do governo.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Annita, um dos remédios mais vendidos do país, é testado para coronavírus

O laboratório farmacêutico FQM Farmoquímica, que vende o medicamento Annita no Brasil, realiza desde janeiro uma pesquisa para usar o princípio ativo do remédio, a nitazoxanida, no combate ao coronavírus. A empresa diz que não tem conhecimento sobre a pesquisa anunciada ontem pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e não forneceu medicamento ao governo para a realização de testes. O ministro Marcos Pontes afirmou ontem que um medicamento estava sendo testado pelo governo no combate à doença e que até agora os testes indicavam 94% de eficácia contra o coronavírus. Pontes não divulgou o nome do remédio, mas especula-se que se trata do medicamento Annita. A revista Exame apurou que a empresa chegou a ser sondada pelo governo federal, mas a conversa não evoluiu. O medicamento é um dos mais vendidos do Brasil. Com eficácia de 94% contra coronavírus. A FQM realiza uma pesquisa própria sobre o uso do princípio ativo. No estudo, está desenvolvendo um medicamento que usa a nitazoxanida, mas em dose de 600 mg, mais alta do que a encontrada no remédio Annita, com 500 mg. A medicação ainda está sendo desenvolvida e não pode ser encontrada no mercado. Ela deverá começar a ser testada em pacientes com covid-19 nos próximos dias. A meta é testar o medicamento em 50 pacientes. Os resultados mais robustos podem aparecer em três semanas. O objetivo é testar a medicação em pacientes que estejam internados, mas não em estado grave. “Uma das variáveis é verificar se o remédio consegue impedir que o quadro piore e evitar que o paciente precise da UTI”, afirma Vinicius Blum, gerente executivo da Farmoquímica e responsável pela área médica da companhia. A nitazoxanida é usada no tratamento de vírus intestinais e protozoários. Segundo Blum, o uso do remédio tem sido considerado seguro. “No entanto, a covid-19 é uma doença nova. Seria imprudente afirmar que é um tratamento seguro. É preciso confirmar com o estudo”, afirma. De acordo com o executivo, a nitazoxanida já foi testada com a dosagem estudada pela empresa para casos de H1N1 em seres humanos. In vitro, a dosagem já inibiu o crescimento de outros vírus como ebola, e o próprio novo coronavírus, em testes feitos em outros países. A empresa diz que ainda é cedo para divulgar dados de eficácia do medicamento in vitro. Após a divulgação do ministro Pontes, a Anvisa incluiu hoje o medicamento na lista de substâncias controladas, tornando mais rígidas as regras para venda nas farmácias. Agora, toda prescrição do medicamento à base de nitazoxanida precisa ser feita em receita especial de duas vias.

terça-feira, 14 de abril de 2020

O pico do Coronavírus no Brasil mudou ?

De acordo com o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, o período mais preocupante da crise da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, será entre maio e junho. “Maio e junho serão, realmente, os nossos meses mais duros. A gente tem diferentes realidades. O Brasil a gente não pode comparar com um país pequeno, como é a Espanha, como é a Itália, a Grécia, Macedônia e até a Inglaterra. Nós somos o próprio continente. Serão dias duros”, disse em entrevista ao Fantástico no último domingo (12/04). Antes, a estimativa era que o pico dos casos de coronavírus ocorresse entre abril e maio. Mas por que essa mudança? A principal explicação para a alteração é a eficácia das medidas de isolamento social. “A hipótese que todos comentamos é que o isolamento social quebrou ciclos de transmissão e fez com que o crescimento de casos ficasse mais lento, postergando o pico e, provavelmente, reduzindo sua intensidade. É o efeito proposto pelas autoridades sanitárias desde a instituição destas medidas.”, explica o infectologista Renato Grinbaum, da Sociedade Brasileira de Infectologia. O infectologista Julio Croda, pesquisador da Fiocruz e professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, vai além e acredita que não haverá pico. “Os estados estão mantendo uma taxa de isolamento social acima de 50%. Se pegarmos apenas os casos de srag (sigla para síndrome aguda respiratória grave), vê-se claramente a diminuição dos casos e achatamento da curva. O aumento vinha em uma curva exponencial e agora está mais próxima de uma linha horizontal. Dessa forma, há uma diluição dos casos da doença ao longo do tempo e não há um pico tão claro.”, afirma o especialista. Vale ressaltar que os meses de maio e junho têm um um fator extra para aumentar a preocupação das autoridades de saúde. É nesse período que há maior incidência de casos de doença respiratória em geral. “Desde 2010, o pico das síndromes respiratórias acontece em maio”, diz Croda. Por outro lado, o distanciamento social também ajuda a reduzir infecção por outros vírus que causam doença respiratória, como o influenza. “Até as outras doenças respiratórias estão diminuindo. É um impacto muito importante que estamos observando.”, ressalta o especialista. Apesar da desaceleração e do sucesso das medidas adotadas até o momento, é fundamental que elas sejam mantidas. Os resultados obtidos até agora não indicam que o distanciamento social possa ser relaxado. Pelo contrário. “Houve uma desaceleração dessa curva de crescimento graças às medidas de isolamento. Mas isso não significa um controle da doença. Se essas medidas forem interrompidas, rapidamente as transmissões aumentam e os esforços até o momento serão perdidos porque o vírus ainda está circulando.”, explica Croda. Saiba logo no início da manhã as notícias mais importantes sobre a pandemia do coronavirus e seus desdobramentos.  A única forma de acabar com a epidemia de forma rápida é por meio de uma vacina ou de algum medicamento que seja capaz de prevenir a infecção pelo vírus. O que não deve acontecer nos próximos meses, apesar da velocidade inédita no desenvolvimento de um imunizante e dos esforços mundiais. “Modelos matemáticos mostram que até 80% da população vai adquirir o vírus. Como ainda não existe vacina, não tem como impedir que as pessoas se infectem.”, diz o infectologista Gerson Salvador, especialista em saúde pública pela Faculdade de Saúde Pública da USP. “Essa é uma epidemia dinâmica, que depende do que a sociedade faz. As nossas projeções são concretizadas ou não a depender do que a população faz em relação a adoção de medidas preventivas.”, finaliza Croda.

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Jon Bon Jovi coloca mansão de 20 milhões à venda


Em tempos de Coronavírus, o astro Jon Bon Jovi, vocalista da banda de rock homônima, colocou uma mansão no estado de Nova Jersey, nos Estados Unidos, à venda. As informações são da revista Variety. A casa é vendida por 20 milhões de dólares, o equivalente a 105 milhões de reais. Conta com 1.670 metros quadrados e possui seis quartos, sete banheiros, um pub, cinema e piscina aquecida. Há ainda outra construção anexa com mais três quartos, quatro banheiros, sala de estar e cozinha. O terreno fica em um bairro luxuoso no condado de Monmouth. A casa foi projetada pelo arquiteto Robert A.M Stern e fica também na beira de um rio, contando com um cais privado. O terreno totaliza mais de 60.000 metros quadrados. Abaixo fotografias da mansão do astro.






terça-feira, 7 de abril de 2020

Desabafo: ‘Estou vivendo a epidemia do coronavírus, de vender e não receber’

A pandemia do novo coronavírus e o fechamento de restaurantes, bares e hotes tem afetado diretamente o setor lácteo. O produtor de leite do município de Nossa Senhora da Glória, em Sergipe, Márcio Góes Santos, vende o seu leite para uma queijaria local. Com o fechamento das feiras livres em alguns municípios, principalmente Aracaju, os queijos não estão sendo vendidos, trazendo prejuízos para as queijarias e para o produtor que fornece o leite. “Hoje estou me sentindo sem saída porque produzo o leite e não tenho para quem vender. Hoje entrego o leite e não sei se recebo porque quem coleta o leite alega que não está vendendo porque o queijo é vendido em feiras, mas não estão funcionando. Ele está estocando o leite. Estou vivendo a epidemia do coronavírus, a epidemia de vender e não receber. Estou com débitos e não tenho como pagar. Você trabalha, trabalha, trabalha e não sabe se recebe”, lamenta.

Queijarias

A produtora Regina Cardoso dos Santos produz uma média de 500 quilos de queijo por dia. Cerca de 70% dos queijos produzidos são comercializados em feiras livres de vários municípios do estado. Com o fechamentos das feiras, a procura está baixa. “Estamos em uma situação complicada. Não temos a quem vender a mercadoria e tivemos que parar de comprar leite e os produtores estão desesperados. Hoje não temos nenhum pedido e muito queijo no estoque”, explica Regina. Maria Joseane da Costa também é dona de uma queijaria e presidente da Associação dos Queijeiros de Sergipe. Ela vem passando por grandes dificuldades por conta da pandemia do coronavírus. Segundo ela, 50% da produção é para feiras livres e restaurantes. Como não há demandas, ela já tem um estoque de 1.400 quilos de queijo. “Por conta do coronavírus, estamos em uma situação muito difícil. A gente tinha uma capacidade de produção para 250 quilos de queijos e com essa situação estamos produzindo 120 quilos, que não estão saindo. Uma situação difícil. Não temos como pagar os produtores de leite porque não recebemos”, afirma.

Alternativas

Segundo o presidente da Federação de Agricultura e Pecuária de Sergipe (Faese), Ivan Sobral, o escoamento da produção agrícola é através das feiras livres. Um decreto estadual garantiu a realização das feiras livres em todo o interior do estado para a comercialização de gêneros alimentícios e produtos agrícolas, mas não está sendo cumprido em alguns municípios. “Defendemos que as feiras aconteçam seguindo as medidas preventivas para evitar a proliferação do coronavírus, usando equipamentos de segurança, mantendo a distância entre as barracas, pias e sabão para lavar as mãos ou pontos com álcool em gel. Entendemos que os produtores rurais não podem parar”, pontua Ivan. Outra medida que vai ajudar os produtores de leite é a parceria com uma empresa, que se comprometeu em absorver 50 mil litros de leite a mais do que a sua média diária para ajudar os pequenos produtores.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Milho: preço pode cair ao menor nível em mais de uma década nos EUA

Os preços futuros de milho na Bolsa de Chicago (CBOT) podem cair para o menor nível em mais de uma década, à medida que a queda do consumo de gasolina por causa do coronavírus pressiona também o etanol e resulta em menor demanda pelo grão. Nos Estados Unidos, o biocombustível é feito principalmente com milho e o setor consome mais de um terço da safra doméstica. Na semana encerrada em 27 de março, a demanda por gasolina nos EUA caiu 25% em relação à semana anterior, de acordo com a Administração de Informação de Energia (EIA, na sigla em inglês). No país, a gasolina costuma ter uma mistura de 10% de etanol. Um relatório de economistas da Universidade de Illinois estima que o uso de etanol deve cair 2,8 bilhões de litros no período de março a maio, o que resultaria em uma redução de 6,5 milhões de toneladas na demanda por milho. Para piorar a situação, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estima que a área semeada com milho este ano deve ser de 39,25 milhões de hectares, um aumento de 8% ante o ano passado. “A perspectiva para o etanol se deteriorou rapidamente” desde o Fórum de Perspectivas Agrícolas do USDA, no fim de fevereiro, disse John Payne, da Daniels Trading. Na ocasião, a área tinha sido projetada em 38,04 milhões de hectares. Mesmo que a área ficasse 4 milhões de hectares abaixo da previsão do USDA, isso não seria suficiente para dar suporte aos preços, disse Payne. Desde o fim de fevereiro, os preços de etanol nos EUA acumulam perda de mais de 35%, de acordo com o analista-chefe de petróleo da OPIS by IHS Markit, Denton Cinquegrana. Já os preços da gasolina no varejo estão 50% mais baixos do que no ano passado, com base em dados de postos de gasolina em todo o país, disse o analista. A demanda por gasolina está caindo apesar de os preços no varejo estarem no menor nível desde 2016. A demanda por etanol costuma acompanhar a gasolina, “mas estamos numa situação incomum no momento”, já que o etanol está elevando o custo da gasolina em vez de reduzi-lo como acontece normalmente, disse Patrick De Haan, chefe de análise de petróleo na GasBuddy. Isso deve levar muitos postos a misturar apenas o mínimo necessário de etanol para atender às exigências regulatórias, afirmou o analista. “Isso, por sua vez, está afetando seriamente fabricantes de etanol. Algumas destilarias que produzem etanol estão fechando completamente.” Esses fatores pioram muito a perspectiva para a demanda por milho. No curto prazo, há estimativas de que o preço do grão possa chegar a US$ 3 por bushel, disse Sal Gilbertie, presidente e diretor de investimento da Teucrium Trading. Um preço abaixo de US$ 3 seria o menor desde que o chamado Padrão de Combustíveis Renováveis foi expandido, em 2007, afirmou. O programa estabelece os volumes mínimos de combustíveis renováveis que devem ser misturados a combustíveis fósseis a cada ano. Abaixo desse nível, o milho “ficaria muito abaixo de seu custo de produção, colocando a produção futura em risco e tornando qualquer preço próximo de US$ 3 insustentável por muito tempo”, disse Gilbertie.

segunda-feira, 30 de março de 2020

Secretaria de Saúde confirma terceiro óbito e 160 casos de coronavírus no Paraná

A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) confirmou mais um óbito por coronavírus. Um homem de 66 anos, morador de Cascavel no Oeste do Paraná, teve a confirmação de Covid-19 neste domingo (29/03) e morreu na manhã desta segunda-feira (30/03). O paciente possuía comorbidades e havia viajado para os Emirados Árabes com retorno ao Brasil no dia 14/03. Teve os primeiros sintomas no dia 18/03 e foi hospitalizado dia 25/03 em uma unidade da rede privada. Oito novos casos foram confirmados nos municípios de Curitiba (3), Almirante Tamandaré (2), Rio Branco do Sul (1), Campo Largo (1) e Matinhos (1). Os pacientes são seis homens e duas mulheres com idades entre 26 e 59 anos. Um caso confirmado no município de Colombo foi transferido para Curitiba visto que o paciente reside na capital. Dados do boletim registram atualmente 160 casos confirmados – cinco não residem no Estado –, destes, três óbitos, 2.877 casos descartados e 484 em investigação.

quarta-feira, 25 de março de 2020

Bancos podem manter dinheiro parado

As medidas anunciadas pelo Banco Central, que já passam de R$ 1 trilhão, para dar suporte aos bancos em meio à pandemia de coronavírus não resolvem o principal problema desta crise: o aumento do risco. Ao irrigar o sistema com recursos, na expectativa de que as instituições abram suas torneiras de crédito - seja por meio de linhas tradicionais ou para garantir folhas de pagamentos -, o BC pode, na opinião de especialistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast, repetir os erros de 2008. À época, a liquidez dos bancos ficou "empoçada" (quando o dinheiro fica parado nas tesourarias das instituições) e somente Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil atuaram na linha de frente, enquanto seus pares privados se retraíram. A demanda por crédito nos bancos disparou com a chegada do novo coronavírus no Brasil e o fechamento do mercado de capitais. Grandes empresas de diversos setores, como varejistas, montadoras e indústrias correram aos bancos para acionar linhas disponíveis. Ainda que não precisem delas neste momento, para reforçar o caixa, elas preveem dias mais difíceis e precisam ter recursos disponíveis à vista. O salto nos pedidos encareceu a obtenção de financiamento. Mesmo pagando mais caro pelos recursos, algumas empresas já encontram as portas fechadas, principalmente em instituições privadas, que naturalmente recuam diante do aumento do risco na economia. Ao mesmo tempo, as pessoas físicas e as pequenas e médias empresas - até outro dia, o motor para o crédito no Brasil - podem ficar sem recursos para enfrentar os estragos deixados pelo novo coronavírus. A ameaça do desemprego e o comprometimento de caixa minam o apetite dos bancos, deixando esse público - que está no centro da crise - desamparado no momento em que mais precisa de novos recursos. "O problema é fazer os recursos chegarem às pequenas e médias empresas, às pessoas de menor renda. Par  isso, as políticas anunciadas são ineficazes e primárias. A questão do crédito está mal endereçada", diz um experiente especialista do setor bancário, na condição de anonimato. "O remédio não é crédito. É seguro e ajuda, tudo o que o governo Bolsonaro não quer, mas terá de fazer." Neste contexto, medidas adicionais foram apresentadas pelos bancos à equipe econômica, incluindo empréstimos para subsidiar folhas de pagamentos e ainda a criação de um fundo - como outros que estão em estudo por conta da crise - com recursos públicos e privados. A ideia é que esse colchão de dinheiro dê suporte a empresas e indivíduos neste momento. O desafio, na visão de fontes do setor, é a coordenação que essas estruturas vão exigir. No caso dos empréstimos para garantir folha de pagamento, diz a fonte, a alternativa em discussão é subsidiá-los, com taxas de juros baixas e carência de três a seis meses. Para evitar que o crédito seja concedido sem critério, a sugestão é montar um sindicato de bancos ou uma empresa de capital misto. Ou seja: combinar atores públicos e privados, o que garantiria as operações e a oferta de recursos com disciplina. "Ou isso ocorre ou os bancos públicos terão de entrar sozinhos novamente", afirma a fonte. "Não basta dar liquidez para o sistema: é preciso segurança e conforto para que os bancos emprestem." Os bancos públicos foram os primeiros a divulgar medidas para enfrentar a crise. Enquanto o BB anunciou R$ 100 bilhões, a Caixa liberou R$ 75 bilhões e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) outros R$ 55 bilhões. Além disso, tantos os públicos quanto os privados estão flexibilizando os pagamentos de pessoas físicas e jurídicas por 60 dias. Questionado sobre o risco de os bancos "sentarem em cima" dos recursos em vez de emprestá-los, o presidente do Banco Central, Roberto Campos, negou que haja sinais no cenário atual, mas prometeu monitorar a postura das instituições. "Vamos tentar direcionar para pequenas e médias empresas, ou destinar para setores específicos. Os bancos têm um grande potencial em mãos e vamos monitorar isso", disse na segunda-feira em coletiva de imprensa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

terça-feira, 24 de março de 2020

Prefeito de Maringá recebe ameaça de morte por decretos contra o Covid-19

O prefeito de Maringá Ulisses Maia foi entrevistado no Programa Balanço Geral, da RIC Maringá/TV Record. O chefe do executivo falou sobre os decretos e medidas adotadas pela prefeitura para combater o avanço do coronavírus na Cidade Canção. Além de algumas ´faltas´ de comerciantes, de uma maneira geral, Maia disse que já sofreu ameaça de morte em razão das medidas colocadas em prática na cidade e que têm dos órgãos competentes. "Não vou desistir. Fui ameaçado de morte. Pode me ameaçar. Tomei essas medidas para o bem da população maringaense e os demais órgãos competentes estão ao nosso lado", disse. O prefeito de Maringá disse ainda que um posto de combustíveis entrou na Justiça para poder abrir a sua loja de conveniência e um açougue, para funcionar normalmente, que não tiveram êxito".