O escândalo envolvendo o extinto Banco Master acabou ofuscando uma nova turbulência no sistema financeiro. No centro das atenções agora está o Digimais, instituição ligada ao bispo Edir Macedo, da Igreja Universal, que tem no partido Republicanos seu braço político. Estimativas de mercado apontam que o banco apresenta patrimônio líquido negativo na casa de R$ 8,5 bilhões. O modelo de atuação do Digimais levanta alertas por sua semelhança com o adotado pelo Master. Entre as práticas, está a suposta inflação artificial de ativos em fundos, estratégia que melhora a aparência dos balanços e abre espaço para a emissão de CDBs. Esses papéis, assim como no caso anterior, são ofertados com taxas acima da média — chegando a 125% do CDI —, o que acende o sinal de risco. Outro ponto de convergência é o uso do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como atrativo para investidores, assegurando aplicações de até R$ 250 mil. Além disso, plataformas como XP e BTG teriam contribuído para a distribuição desses títulos no mercado. As semelhanças avançam também sobre operações consideradas irregulares, como a venda de carteiras de crédito com indícios de fraude para outras instituições. Um desses casos envolvendo o Digimais já chegou ao Judiciário e tramita na 13ª Vara de São Paulo, ainda sem decisão.
sexta-feira, 20 de março de 2026
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
Trump ameaça com tarifas mais ‘poderosas e desagradáveis’
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta segunda-feira (23/02), impor tarifas ainda mais “poderosas e desagradáveis”, após seu tarifaço ser derrubado pela Suprema Corte americana. Trump atacou novamente o tribunal, afirmando que a instituição “acidentalmente” o deu “muito mais poderes e força” do que ele tinha antes da derrubada das tarifas. “A suprema corte (usarei letras minúsculas por um tempo com base em uma completa falta de respeito!) dos Estados Unidos acidentalmente e involuntariamente me deu, como presidente dos Estados Unidos, muito mais poderes e força do que eu tinha antes de sua decisão ridícula, burra e muito divisiva internacionalmente”, escreveu Trump em sua rede social, a Truth Social. Trump anunciou no sábado o aumento das tarifas globais de importação para 15%. A declaração foi publicada menos de 24 horas depois de o próprio governante ter afirmado que aplicaria uma taxa de 10% sobre produtos importados. Segundo Trump, a decisão ocorre após uma análise da decisão da Suprema Corte dos EUA que derrubou o chamado tarifaço anteriormente imposto por ele. “Nos próximos meses, o governo Trump determinará e emitirá as novas tarifas legalmente permitidas, que darão continuidade ao nosso processo extraordinariamente bem-sucedido de tornar a América grande novamente”, escreveu o republicano na publicação. A Suprema Corte, com sua maioria conservadora, decidiu por seis votos a três que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional “não autoriza o presidente a impor tarifas”. A resolução bloqueia uma ferramenta fundamental que o presidente vinha utilizando para impor sua agenda econômica e diplomática. Durante os argumentos do caso, juízes conservadores e liberais pareceram questionar a legalidade das tarifas, que Trump impôs invocando uma lei de 1977 destinada a ser usada durante emergências nacionais. O julgamento parte de um recurso do Departamento de Justiça contra uma decisão de instância inferior, que havia concluído que o republicano extrapolou sua autoridade ao impor as taxas. Ações contra taxas foram apresentadas por empresas e por 12 estados americanos, a maioria deles governada por democratas.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
Populismo de Trump reposiciona o Brasil no radar dos investidores globais
A percepção de que os Estados Unidos passaram a agir como um “emergente populista” deixou de ser apenas uma provocação de mercado e começou a ganhar corpo entre investidores globais. Essa mudança de leitura tem provocado um efeito direto: a realocação de capital que sai de ativos americanos em direção a mercados emergentes — com o Brasil despontando como um dos principais beneficiários. Segundo relatos do Bradesco BBI após reuniões recentes com investidores nos Estados Unidos, a comparação entre os EUA e economias emergentes se tornou mais frequente e menos anedótica. A interferência do governo Donald Trump em instituições tradicionais, como o Federal Reserve, somada às incertezas fiscais e comerciais, vem enfraquecendo o dólar e estimulando a busca por alternativas fora do eixo tradicional.
Brasil ganha protagonismo
Nesse novo mapa mental dos investidores, o Brasil aparece com destaque. Apesar de responder por cerca de 4% do índice MSCI de mercados emergentes, o país tem atraído uma atenção muito superior ao seu peso formal. O motivo está na combinação de liquidez, valuation atrativo e potencial de retorno. Na prática, a Bolsa brasileira é vista como o único mercado da América Latina capaz de absorver volumes expressivos de capital estrangeiro. Isso consolida o país como uma espécie de porta de entrada regional. Para analistas, o Brasil funciona como o “mercado âncora” do continente, com uma liquidez que permite posições relevantes sem distorções excessivas de preço.
Recordes no Ibovespa
O reflexo desse movimento já aparece nos números. Em 2026, o fluxo estrangeiro tem sido o principal responsável pelos recordes sucessivos do Ibovespa. Na última sexta-feira (23), o índice chegou a ultrapassar, pela primeira vez, a marca dos 180 mil pontos, encerrando o pregão aos 178.858 pontos. Apenas naquela semana, a alta acumulada foi de 8,53% — o melhor desempenho semanal desde abril de 2020. O apetite externo também se confirma no fluxo financeiro. Na última semana, investidores estrangeiros foram compradores líquidos de R$ 7,7 bilhões. No acumulado do mês, o ingresso já soma R$ 12,4 bilhões, equivalente à metade de todo o fluxo registrado ao longo de 2025.
Juros e eleição no radar de 2026
Além do cenário internacional favorável, dois fatores domésticos sustentam a tese positiva para o Brasil em 2026. O primeiro é o início esperado do ciclo de cortes de juros, partindo de uma das maiores taxas reais do mundo. O consenso entre investidores aponta para reduções entre 200 e 300 pontos-base ao longo do ano, o que levaria a Selic de 15% para algo entre 12% e 13%. O segundo fator é o ciclo eleitoral. Embora o tema tenha passado a ocupar o centro das discussões mais recentemente, especialmente pelo impacto fiscal das propostas em debate, o risco é visto como elevado, porém administrável. Não há, ao menos por ora, a leitura de que o processo eleitoral seja capaz de desorganizar o cenário macroeconômico.
Estratégia: cautela e oportunidade
Apesar do interesse crescente, poucos investidores estrangeiros estão se posicionando diretamente em função da eleição. Muitos já estão overweight em Brasil, mas preferem aguardar episódios de maior volatilidade para ampliar a exposição. A diferença de leitura entre investidores locais e estrangeiros chama atenção. Para os fundos internacionais, o cenário brasileiro parece mais assimétrico, com disposição para comprar eventuais quedas provocadas por ruídos políticos. Nos encontros com investidores, as perguntas se concentraram em empresas capazes de capturar tanto o bom momento global quanto o doméstico. Entre os nomes mais citados estão Petrobras, Vale, Weg e BTG Pactual — ativos vistos como alavancas naturais desse novo ciclo de interesse pelo Brasil.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
Investigação contra dono do Banco Master é prorrogada por Toffoli e pode ganhar novos desdobramentos
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, prorrogou por mais 60 dias a investigação que apura suspeitas envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A ampliação do prazo foi solicitada pela Polícia Federal e, segundo investigadores, segue o trâmite normal de apurações complexas desse tipo. Apesar da prorrogação, um dos eixos centrais da investigação pode ser concluído em prazo mais curto. Conforme revelou a Folha de S.Paulo, a PF está próxima de finalizar a apuração sobre suspeitas de fraude na tentativa de venda de uma carteira de crédito do Banco Master ao Banco de Brasília. O suposto esquema envolveria créditos inexistentes que somariam cerca de R$ 12,2 bilhões. Em razão dessa acusação, foram presos no dia 17 de novembro, além de Vorcaro, outros dirigentes e sócios do banco, incluindo o ex-CEO Augusto Ferreira Lima e executivos responsáveis por áreas estratégicas da instituição. Parte dos investigados já foi intimada a prestar depoimento entre os dias 26 e 28 de janeiro, no âmbito específico das investigações relacionadas à negociação com o BRB. O ex-presidente do banco público, Paulo Henrique Costa, também será ouvido no mesmo período. Ainda nesta semana, Toffoli reduziu de seis para dois dias o prazo para a colheita dos depoimentos, atendendo a um pedido da PF, que alegou limitações operacionais no Supremo. O ministro também solicitou a apresentação de um novo cronograma, com dois dias consecutivos de oitivas. Paralelamente, a Polícia Federal avalia se amplia ou não o escopo das investigações. Por ora, a estratégia é concentrar esforços na apuração das fraudes financeiras, evitando que um único inquérito se torne excessivamente amplo com a inclusão de fatos novos. Mesmo assim, apurações preliminares já estão em andamento sobre a possível atuação de um grupo organizado de influenciadores digitais que teria promovido ataques coordenados ao Banco Central e a investigadores do caso. Pelo menos 46 perfis em redes sociais teriam participado do bombardeio digital. Esse ponto ainda não resultou na abertura formal de um inquérito, mas está sendo analisado em um procedimento preliminar da PF, conhecido como Notícia-Crime em Verificação (NCV), que pode evoluir para uma nova investigação.