sábado, 8 de agosto de 2026

Paraná está entre as regiões do mundo mais sujeitas à formação de tornados

 A região Sul do Brasil, formada por Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, integra uma das áreas do planeta com maior propensão à ocorrência de tornados. Juntamente com Paraguai, nordeste da Argentina e Uruguai, o território forma o segundo principal corredor mundial desse tipo de fenômeno, atrás apenas do Meio-Oeste dos Estados Unidos. Os tornados são colunas de ar em intensa rotação que se estendem da base das nuvens até o solo durante tempestades severas. Embora geralmente tenham curta duração — muitas vezes inferior a 30 minutos —, podem apresentar ventos extremamente fortes e elevado poder de destruição. Dados da Prevots (Plataforma de Registros e Rede Voluntária de Observadores de Tempestades Severas), formada por pesquisadores brasileiros, argentinos e norte-americanos, indicam que o Brasil já registrou neste ano 81 ocorrências de tornados e fenômenos semelhantes, como landspouts e trombas d’água. Em 2025, foram contabilizados 92 episódios. Segundo especialistas, o crescimento dos registros acompanha uma tendência de intensificação das tempestades severas no país. “Desde 2020, o número de tornados aumenta a cada ano no Brasil. Há uma tendência de aumento na severidade das tempestades, e com isso vem tornado e granizo”, afirma Rachel Albrecht, chefe do Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP). As tempestades severas também podem provocar chuvas intensas, grande quantidade de descargas elétricas, fortes rajadas de vento e granizo. A ocorrência desses fenômenos, entretanto, não significa necessariamente que haverá formação de um tornado. Os tornados estão frequentemente associados às chamadas supercélulas, tempestades caracterizadas por correntes de ar em rotação no interior de grandes nuvens cumulonimbus. Também podem surgir em determinadas linhas de instabilidade, quando diferentes velocidades e direções do vento criam condições favoráveis à rotação da atmosfera. Um dos fatores fundamentais para a formação dos tornados é o chamado cisalhamento do vento, fenômeno caracterizado pela mudança na velocidade ou na direção das correntes de ar conforme a altitude. É justamente essa combinação atmosférica que ajuda a explicar por que o Sul do Brasil e países vizinhos estão inseridos em um importante corredor de tempestades severas. Nas médias latitudes da América do Sul, massas de ar quente e úmido provenientes da Amazônia avançam em direção ao Sul e encontram correntes de ar frio originárias da região antártica. O choque entre essas massas cria condições favoráveis ao desenvolvimento de tempestades de grande intensidade. A Cordilheira dos Andes desempenha papel importante nesse processo ao funcionar como uma barreira natural que direciona e acelera o transporte de umidade amazônica para o centro-sul do continente. “Assim como a água que passa por um funil ganha velocidade, os ventos alísios originários da Amazônia, que são quentes e úmidos, aceleram-se ao encontrar a Cordilheira dos Andes. É isso que configura os chamados rios voadores, que levam a umidade da região amazônica para o Sul”, explica Leonardo Calvetti, professor da Faculdade de Meteorologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). O mecanismo apresenta semelhanças com o observado no chamado “Corredor dos Tornados” dos Estados Unidos. No Meio-Oeste americano, massas de ar quente e úmido provenientes do Golfo do México encontram correntes frias vindas do Canadá e massas de ar mais seco do oeste do país. A presença das Montanhas Rochosas também influencia a circulação atmosférica.  Há, entretanto, diferenças importantes. Nos Estados Unidos, o contraste entre as massas de ar quente, frio, úmido e seco costuma ser mais acentuado, especialmente em estados como Texas, Oklahoma e Kansas. Na América do Sul, a diferença de umidade entre a Amazônia e as regiões dos Pampas é menor. Essa característica ajuda a explicar por que os tornados, embora façam parte da dinâmica atmosférica do Sul do Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai, ainda são menos frequentes do que aqueles registrados no Meio-Oeste dos Estados Unidos.

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