quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Nova técnica abre caminho para vacinas contra diferentes tipos de câncer

 A imunoterapia tornou-se, nos últimos anos, uma das principais frentes da medicina no combate ao câncer. A estratégia consiste em estimular o próprio sistema imunológico do paciente para que reconheça e destrua as células tumorais, que muitas vezes conseguem escapar das defesas naturais do organismo por apresentarem características semelhantes às células saudáveis. Apesar dos avanços, esses tratamentos podem ter custos elevados e, em determinados casos, precisam ser desenvolvidos de maneira personalizada, levando em consideração características específicas do tumor de cada paciente. Uma técnica desenvolvida por pesquisadores na Alemanha, porém, abriu uma nova perspectiva: ensinar o sistema imunológico a reconhecer células cancerosas como se fossem agentes estranhos, desencadeando uma resposta semelhante àquela utilizada pelo organismo para combater uma infecção viral. O método utiliza moléculas de RNA mensageiro (mRNA) encapsuladas em nanopartículas de lipídios. Essas moléculas carregam instruções relacionadas a proteínas encontradas nas células tumorais e são apresentadas ao sistema imunológico com o objetivo de provocar uma reação contra o câncer. A pesquisa foi liderada pelo cientista Ugur Sahin, professor da Universidade Johannes Gutenberg e um dos fundadores da BioNTech. O trabalho representou uma das etapas pioneiras no desenvolvimento de vacinas de RNA voltadas à imunoterapia contra tumores. Nos experimentos, os pesquisadores encapsularam fragmentos de RNA relacionados a proteínas produzidas por células cancerosas em pequenas partículas de gordura e as injetaram diretamente na corrente sanguínea de camundongos. O sistema imunológico reagiu às partículas, especialmente por meio das chamadas células dendríticas, responsáveis por identificar estruturas estranhas e apresentá-las aos linfócitos T, importantes componentes das defesas do organismo. Os pesquisadores observaram a ativação principalmente dos linfócitos CD4+ e CD8+. Enquanto os primeiros auxiliam na coordenação da resposta imunológica, os CD8+ possuem capacidade de reconhecer e destruir diretamente células que apresentam determinados antígenos. Essa combinação é considerada uma das características mais importantes da estratégia, pois permite mobilizar diferentes mecanismos do sistema imunológico contra as células tumorais. Outra vantagem apontada pelos pesquisadores está na versatilidade da tecnologia. Como diferentes antígenos tumorais podem ser codificados por RNA, a plataforma poderia ser adaptada para combater diversos tipos de câncer. Além disso, a produção tende a ser mais rápida do que algumas formas tradicionais de imunoterapia personalizada.  A pesquisa também incluiu uma pequena etapa experimental em humanos. Três pacientes com melanoma receberam nanopartículas contendo RNA relacionado a quatro proteínas associadas a esse tipo agressivo de câncer de pele. Mesmo utilizando doses reduzidas — característica comum dos primeiros testes clínicos destinados principalmente a avaliar a segurança —, os pesquisadores observaram resposta imunológica nos participantes. Em um dos pacientes, um tumor localizado em um nódulo linfático apresentou redução de tamanho. Outro participante, que havia passado anteriormente pela retirada cirúrgica dos tumores, permaneceu sem sinais da doença durante pelo menos sete meses. O terceiro apresentava oito tumores nos pulmões que permaneceram clinicamente estáveis durante o período observado. Os resultados iniciais reforçaram a possibilidade de utilização do RNA como plataforma para o desenvolvimento de novas imunoterapias contra o câncer. A tecnologia, entretanto, não significa a existência imediata de uma vacina única capaz de prevenir ou curar todos os tipos de câncer. Os tumores apresentam grande diversidade genética e biológica, inclusive entre pacientes com o mesmo diagnóstico, o que representa um dos principais desafios para o desenvolvimento de tratamentos verdadeiramente universais.  Além disso, resultados obtidos em animais e em pequenos grupos de pacientes precisam ser confirmados por estudos clínicos maiores e realizados em diferentes fases antes que seja possível determinar a segurança e, principalmente, a eficácia de uma nova terapia. Ainda assim, a utilização do RNA para direcionar o sistema imunológico contra tumores abriu uma importante linha de investigação na oncologia moderna e ajudou a consolidar uma tecnologia que posteriormente ganharia projeção mundial com o desenvolvimento das vacinas de mRNA.

sábado, 8 de agosto de 2026

Paraná está entre as regiões do mundo mais sujeitas à formação de tornados

 A região Sul do Brasil, formada por Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, integra uma das áreas do planeta com maior propensão à ocorrência de tornados. Juntamente com Paraguai, nordeste da Argentina e Uruguai, o território forma o segundo principal corredor mundial desse tipo de fenômeno, atrás apenas do Meio-Oeste dos Estados Unidos. Os tornados são colunas de ar em intensa rotação que se estendem da base das nuvens até o solo durante tempestades severas. Embora geralmente tenham curta duração — muitas vezes inferior a 30 minutos —, podem apresentar ventos extremamente fortes e elevado poder de destruição. Dados da Prevots (Plataforma de Registros e Rede Voluntária de Observadores de Tempestades Severas), formada por pesquisadores brasileiros, argentinos e norte-americanos, indicam que o Brasil já registrou neste ano 81 ocorrências de tornados e fenômenos semelhantes, como landspouts e trombas d’água. Em 2025, foram contabilizados 92 episódios. Segundo especialistas, o crescimento dos registros acompanha uma tendência de intensificação das tempestades severas no país. “Desde 2020, o número de tornados aumenta a cada ano no Brasil. Há uma tendência de aumento na severidade das tempestades, e com isso vem tornado e granizo”, afirma Rachel Albrecht, chefe do Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP). As tempestades severas também podem provocar chuvas intensas, grande quantidade de descargas elétricas, fortes rajadas de vento e granizo. A ocorrência desses fenômenos, entretanto, não significa necessariamente que haverá formação de um tornado. Os tornados estão frequentemente associados às chamadas supercélulas, tempestades caracterizadas por correntes de ar em rotação no interior de grandes nuvens cumulonimbus. Também podem surgir em determinadas linhas de instabilidade, quando diferentes velocidades e direções do vento criam condições favoráveis à rotação da atmosfera. Um dos fatores fundamentais para a formação dos tornados é o chamado cisalhamento do vento, fenômeno caracterizado pela mudança na velocidade ou na direção das correntes de ar conforme a altitude. É justamente essa combinação atmosférica que ajuda a explicar por que o Sul do Brasil e países vizinhos estão inseridos em um importante corredor de tempestades severas. Nas médias latitudes da América do Sul, massas de ar quente e úmido provenientes da Amazônia avançam em direção ao Sul e encontram correntes de ar frio originárias da região antártica. O choque entre essas massas cria condições favoráveis ao desenvolvimento de tempestades de grande intensidade. A Cordilheira dos Andes desempenha papel importante nesse processo ao funcionar como uma barreira natural que direciona e acelera o transporte de umidade amazônica para o centro-sul do continente. “Assim como a água que passa por um funil ganha velocidade, os ventos alísios originários da Amazônia, que são quentes e úmidos, aceleram-se ao encontrar a Cordilheira dos Andes. É isso que configura os chamados rios voadores, que levam a umidade da região amazônica para o Sul”, explica Leonardo Calvetti, professor da Faculdade de Meteorologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). O mecanismo apresenta semelhanças com o observado no chamado “Corredor dos Tornados” dos Estados Unidos. No Meio-Oeste americano, massas de ar quente e úmido provenientes do Golfo do México encontram correntes frias vindas do Canadá e massas de ar mais seco do oeste do país. A presença das Montanhas Rochosas também influencia a circulação atmosférica.  Há, entretanto, diferenças importantes. Nos Estados Unidos, o contraste entre as massas de ar quente, frio, úmido e seco costuma ser mais acentuado, especialmente em estados como Texas, Oklahoma e Kansas. Na América do Sul, a diferença de umidade entre a Amazônia e as regiões dos Pampas é menor. Essa característica ajuda a explicar por que os tornados, embora façam parte da dinâmica atmosférica do Sul do Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai, ainda são menos frequentes do que aqueles registrados no Meio-Oeste dos Estados Unidos.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

LATAM anuncia voos diretos entre Londrina e Curitiba a partir de março de 2027

 

A LATAM Airlines Brasil confirmou a criação de uma nova rota direta entre Londrina e Curitiba a partir de março de 2027. A operação terá 14 voos semanais e será realizada com aeronaves Embraer 195-E2, modelo que passará a integrar a frota da companhia dentro de sua estratégia de expansão da aviação regional. A confirmação foi comunicada oficialmente ao prefeito de Londrina, Tiago Amaral, nesta terça-feira (04/08), pelo Head de Assuntos Públicos da LATAM Airlines Brasil, Eduardo Leal Macedo. Segundo a companhia, a ligação entre as duas cidades integra a primeira fase de incorporação dos Embraer 195-E2 à operação da empresa e faz parte do plano de ampliar a conectividade entre cidades brasileiras e fortalecer sua presença no mercado regional. Para a Prefeitura de Londrina, a nova rota é resultado das articulações realizadas pela administração municipal junto às companhias aéreas, órgãos reguladores e representantes do setor. Desde o início da atual gestão, o município vem buscando ampliar a oferta de voos e consolidar Londrina como um dos principais polos econômicos, logísticos e de negócios do Sul do país. O prefeito Tiago Amaral destacou que a ligação direta com a capital paranaense representa um avanço estratégico para a cidade. “Mais uma articulação que gerou resultado e Londrina sai ganhando. Em função da visita feita recentemente à LATAM conseguimos avançar e teremos voos de ligação direta com Curitiba. Isso fortalece nosso ambiente de negócios, facilita o deslocamento de quem precisa, além de aproximar ainda mais nossa cidade dos principais centros administrativos e econômicos do Paraná. É o resultado de um trabalho técnico, de diálogo permanente e da confiança que o mercado tem no potencial de crescimento de Londrina”, afirmou. Além de facilitar o deslocamento entre Londrina e Curitiba, a nova operação deverá ampliar as possibilidades de conexão dos passageiros londrinenses com outros destinos nacionais e internacionais por meio do Aeroporto Internacional Afonso Pena. No comunicado encaminhado ao município, a LATAM também confirmou a ampliação de sua malha aérea no Paraná. A companhia aumentará a oferta de voos nas rotas Cascavel–Guarulhos, Curitiba–Rio de Janeiro (Galeão) e Curitiba–Porto Alegre. A expansão está relacionada à chegada dos Embraer 195-E2, que serão utilizados pela LATAM para avançar sobre mercados regionais e ampliar a ligação entre cidades brasileiras. Segundo a empresa, as novas aeronaves permitirão maior eficiência operacional e contribuirão para a expansão da malha doméstica. A Prefeitura de Londrina informou que continuará mantendo tratativas com companhias aéreas e representantes do setor para viabilizar novas rotas e ampliar as frequências existentes, acompanhando o crescimento da demanda e fortalecendo a posição do município como polo regional de negócios e mobilidade.