quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Deputados da Assembléia do PR criticam cassação do registro de Belinati

Deputados da Assembléia Legislativa do Paraná ocuparam a sessão desta quarta-feira (29), em Curitiba, para rejeitar a decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que cassou por 5 votos a 2 o registro da candidatura do deputado estadual e prefeito eleito de Londrina, Antônio Belinati (PP). Belinati foi o vencedor do segundo turno com 51,73% dos votos válidos ante 48,2% do deputado federal tucano Luiz Carlos Hauly. Os advogados de Belinati devem entrar com recurso extraordinário no STF (Supremo Tribunal Federal). Na decisão, os ministros do TSE acataram ação do Ministério Público Estadual a partir de irregularidade verificada em convênio firmado em 1999, quando Belinati era prefeito, entre a administração de Londrina e o Departamento de Rodagem (DER) no valor de R$ 150 mil. À época, Belinati não comprovou o uso da verba. Em julho do ano passado, a sentença do TC transitou em julgado, o que significa que já não cabe mais recurso. A solidariedade partiu inclusive do presidente estadual do PSDB e líder da oposição na Casa, Valdir Rossoni, que repetiu o que já havia dito o candidato derrotado de seu partido Luiz Carlos Hauly (PSDB), ao afirmar que o julgamento havia sido tardio e que a decisão das urnas deveria prevalecer. "Se os ministros do TSE não julgaram a impugnação da candidatura de Belinati no prazo estipulado, que respeitem a vontade do povo", afirmou. O líder do governo na Assembléia, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), também se solidarizou a Belinati e lembrou que, mesmo declarando apoio a Hauly no segundo turno ("ele é um velho amigo"), defendia o resultado das urnas. O deputado Jocelito Canto (PTB) afirmou que a vitória de Belinati em Londrina foi conquistada na "raça e na categoria" e que não poderia ser contestada. Já o presidente da Assembléia, Nelson Justus (DEM) condenou a extemporaneidade da decisão e defendeu a legalidade da vitória de Belinati no segundo turno das eleições. Presente na sessão, Belinati não quis comentar o assunto, limitando-se apenas a agradecer a manifestação dos colegas. O advogado do deputado, Eduardo Franco, criticou a decisão dos ministros do TSE, após o julgamento na terça-feira (28). "O TSE mudou a forma de decidir no meio do processo eleitoral. Isso caracteriza insegurança jurídica", afirmou. Anteontem, Belinati disse ter "garantias" de que o resultado das urnas seria respeitado pelo TSE e afirmou não acreditar em uma decisão no "tapetão". "O Tribunal Superior Eleitoral já sinalizou através de alguns de seus ministros pela legalidade da minha candidatura. Não creio que serei surpreendido por uma decisão que vai contra a vontade da maioria do povo londrinense".A decisão do TSE pode criar um impasse jurídico em Londrina. Na interpretação dos juristas, três cenários são possíveis: Luiz Carlos Hauly (PSDB), segundo colocado no pleito de domingo, pode ser declarado vencedor, pode haver um novo segundo turno entre Hauly e Barbosa Neto (PDT), segundo e terceiro colocados na eleição, ou ainda pode ser marcado um novo pleito. A definição, segundo a assessoria do TRE-PR (Tribunal Regional Eleitoral do Paraná), será julgada pela juíza eleitoral de Londrina, Denise Hammerschmidt.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Banco Central dipara "artilharia" para segurar câmbio

O dólar comercial fechou a sessão de hoje em queda de 3,15%, cotado a R$ 2,305 no mercado interbancário de câmbio, após saltar 12,53% nas três sessões anteriores e subir até 6,39% logo na abertura dos negócios hoje. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar à vista fechou em baixa de 3,13%, também a R$ 2,305. O giro financeiro total à vista disparou 148%, para US$ 7,539 bilhões. A moeda americana devolveu os ganhos iniciais e passou a cair em relação ao real, até bater na mínima de 2,250 (-5,46%), em reação ao anúncio pelo Banco Central de um programa de venda de swap cambial de até US$ 50 bilhões, que foi seguido de uma série de leilões de venda direta de dólar. Ao todo, a autoridade monetária fez cinco operações, duas de venda de swap cambial, num total de US$ 2,227 bilhões, e três leilões de venda direta, com negociação estimada de cerca de US$ 850 milhões. "O BC está dando saída para o mercado", avaliou um operador de um banco estrangeiro. Para esta fonte, o BC deve reforçar ainda mais a dose dos leilões diários a fim de atender à demanda que está grande, uma vez que atuações a conta-gotas, como vinham sendo feitas, não resolvem, avaliou. Não fosse a forte ação do BC no câmbio hoje, o mercado poderia ter sido pressionado pela continuidade das perdas nas bolsas internacionais e na brasileira e as notícias domésticas desfavoráveis, disse um profissional. Ele citou, por exemplo, o déficit de US$ 2,769 bilhões na conta corrente do balanço de pagamentos, valor acima das previsões. Segundo este operador, o fato de os bancos estarem comprados em dólar em cerca de US$ 7,146 bilhões este mês até a última terça-feira (dia 21) não quer dizer que estão com essa posição desprotegida, ou seja, devem também estar vendidos em outra ponta no mercado futuro.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Governo reforça medidas para elevar oferta de crédito ao setor rural

O governo ampliou ontem o pacote de medidas que visam a elevar a oferta de crédito de curto prazo ao setor rural. Circular do Banco Central reforçou os termos de uma resolução de setembro de 2007 que permitiu aos bancos a reclassificação, para categoria de menor risco, das operações de renegociação ou prorrogação de dívidas de crédito rural. A medida permitirá aos produtores elevar seus limites de crédito bancário a partir da reclassificação em níveis de risco menos elevados. Assim, teriam acesso a novos créditos, a juros teoricamente mais baixos para custeio, investimento e comercialização da safra 2008/09. Para garantir esse direito, entretanto, os produtores terão que submeter as operações, caso a caso, a uma nova avaliação do banco. A medida também vale para operações com recursos do Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO) e do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Lideranças rurais, auxiliadas pela bancada ruralista e o Ministério da Agricultura, faziam forte pressão sobre a área econômica do governo para "abrir a janela" à redução do nível de risco. Os bancos relutavam em aceitar uma nova resolução porque temem exposição maior ao risco de crédito em um momento de crise na área. Além disso, as carteiras de crédito têm sido avaliadas com lupa por investidores e agências de classificação de risco. "Qualquer alteração pode sugerir um afrouxamento no controle de concessão de crédito", afirma um executivo de banco. A nova ação do governo soma-se à antecipação de R$ 5 bilhões em recursos do Banco do Brasil para operações de custeio e à elevação de 25% para 30% das exigibilidades sobre depósitos à vista, além da redução "carimbada", de 45% para 42%, nos depósitos compulsórios sem remuneração. O governo ainda avalia criar uma linha de R$ 1 bilhão para reforçar o capital das cooperativas de crédito e de produção agropecuária, além de elevar, de 65% para 70%, as exigibilidades sobre recursos da poupança rural e usar o excedente dos repasses do Tesouro Nacional aos fundos constitucionais - R$ 527 milhões até agosto - para financiar o comércio exterior do agronegócio.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

R$ 1 bilhão para a segurança no PR

O governo do Paraná deve aplicar R$ 1,25 bilhão na área de segurança pública no ano que vem. O valor representa aumento de 34,27% em comparação a este ano. A proposta orçamentária que prevê os investimentos foi encaminhada à Assembléia Legislativa. Está prevista a construção de seis novas sedes de delegacias para a Polícia Civil e ainda a reforma de outras 21 unidades. No orçamento, ainda estão previstas aquisição de equipamentos para as polícias, operações policiais em todo o Estado e construção e reforma de unidades da Polícia Militar. A construção de oito novas sedes do Instituto Médico-Legal (IML) e a reforma de outras três, que devem custar juntas quase R$ 14 milhões, estão previstas para o ano que vem. Para o interventor do IML, coronel Almir Porcides, o investimento representa salto na qualidade dos trabalhos prestados para a população. Na semana passada levantamento divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública apresentou o Paraná como o Estado que mais investiu em informação, inteligência e defesa civil e o segundo que mais aplicou recursos financeiros em policiamento em todo o Brasil em 2007. O próprio coordenador executivo do Fórum Brasileiro de Segurança Publica, Renato Sérgio de Lima, confirmou que o Paraná está em um patamar confortável em comparação a outros Estados. “O Paraná é um Estado que investiu bastante em segurança pública no País. É um dos poucos que teve crescimento neste setor na comparação com outros estados, nos últimos dois anos”, enfatizou.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

CCE demite

O Grupo CCE já cortou cerca de 2 000 funcionários, desde agosto. Só na divisão de informática foram 1 200 pessoas, segundo uma fonte interna da empresa. Os cortes são especialmente assustadores quando é levado em consideração o volume total de funcionários. Segundo a apresentação institucional hoje a empresa tem cerca de 5 800 funcionários diretos. Isso signfica que cerca de 34% da força de trabalho já foi eliminada. Antecipação da crise ? Acho que não. Talvez coincidência.... Torçamos para que seja um caso isolado.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

HP com Touchsmart: seria um HP iPhone ?

A HP anunciou dia desses sua nova linha de computadores para o mercado brasileiro, que inclui notebooks, tablets e a principal atração: um desktop com tela sensível à toque, o TouchSmart. É um iPhone gigante que não faz ligações. A explicação para a comparação está justamente na tela sensível à toque e no tamanho: a tela tem 22 polegadas. O usuário do novo desktop pode arrastar fotos para visualizá-las, puxar músicas para sua lista de reprodução, abrir e até fechar aplicativos literalmente com a ponta do dedo. É um gadget interessante, mas tem lá suas restrições. Uma delas é a ausência de compatibilidade multitouch. Isso significa que o usuário não consegue utilizar vários dedos para fazer as tarefas, como aumentar ou diminuir uma foto para visualizá-la, por exemplo, com o movimento de pinça feito com os dedos polegar e indicador, o que é permitido no iPhone. Da mesma forma, apesar do porte do monitor ser para lá de interessante, não é um aparelho mais indicado para os entusiastas de games, porque não tem um disco rígido dedicado, como outras muitas máquinas do gênero. Por outro lado, o aspecto estético é o forte do modelo. Ele não tem CPU - as funções daquela parte são embutidas na parte de trás do monitor - e o monitor amplo e reluzente e todas as funções sem fio fazem da máquina literalmente um objeto de decoração. Essa é justamente a proposta da HP, que busca atingir o consumidor doméstico das classes A e B. O TouchSmart terá um preço alto no Brasil na comparação com modelos com funções semelhantes: será importado no início e custará cerca de 6000 reais. Sinal de que, como o iPhone, será um objeto para poucos, informou a revista Exame.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

BC vende dólar pela 1a vez em 5 anos e moeda fecha em queda

Em sessão bastante tumultuada, o dólar fechou em baixa nesta quarta-feira, após o Banco Central ter realizado uma série de intervenções no mercado. A moeda norte-americana encerou cotada a 2,294 reais, em queda de 0,74 por cento, após ter apresentado máxima de 2,530 reais e mínima de 2,280 reais no pregão eletrônico da BM&F. A autoridade monetária realizou nesta quarta-feira três leilões de venda de dólares ao mercado, sem compromisso de recompra. Operações desse tipo não eram feitas desde março de 2003.Os leilões foram anunciados após as negociações no mercado futuro de dólar terem atingido seu limite máximo de alta de 6 por cento, a 2,462 reais. Com isso, as operações no mercado de balcão permaneceram praticamente travadas durante todo o dia. O Banco Central ainda vendeu na sessão 1,3 bilhão de dólares em leilão de swap cambial tradicional, anunciado na véspera. Após as intervenções da autoridade monetária, na segunda metade da sessão, o dólar inverteu seu movimento. A turbulência permanece e o momento requer uma enérgica atuação do Banco Central de modo a conter estes movimentos bruscos da taxa de câmbio que são decorrentes em boa parte do mercado de Derivativos Cambiais.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Crédito apertado para a população

A confusão no mercado financeiro já atrapalha o cidadão comum. Os grandes bancos brasileiros, especialmente aqueles que atuam no mercado de Crédito Direto ao Consumidor, suspenderam hoje toda e qualquer operação de empréstimo pessoal ou financiamento. Entre eles , Itaú, Bradesco e Unibanco. A razão da suspensão não é falta de liquidez. Os bancos não sabem quanto cobrar do tomador do empréstimo ou financiamento. Até segunda ordem, está tudo parado. O banco Panamericano, do grupo Silvio Santos, deixou de operar com crédito consignado desde a semana passada.

domingo, 5 de outubro de 2008

Hauly e Belinati disputarão o segundo turno em Londrina

Em Londrina, Luiz Carlos Hauly (PSDB) vai disputar o segundo turno com Antonio Carlos Belinati. Hauly fez 63.891 votos, ou 23% dos votos válidos e Belinati alcançou 98.432, ou 36% dos votos válidos (PP). Barbosa Neto (PDT) completou 62.020, ou 22% dos votos válidos. A disputa entre Barbosa Neto e Hauly foi também uma das mais acirradas da história de Londrina. Mesmo assim pode haver uma reviravolta, pois existe uma ação judicial impugnando a candidatura de Antonio Belinati, que pode levar a disputa a um novo duelo no segundo turno entre Hauly (PSDB) e Barbosa Neto (PDT).

Richa "massacra" adversários em Curitiba

Carlos Alberto Richa, 43 anos, será o prefeito de Curitiba por mais quatro anos, após uma campanha eleitoral sem sobressaltos, onde se manteve praticamente com 70% das intenções de voto em todas as pesquisas realizadas. Beto Richa (PSDB) foi reeleito com 778.514 votos (77% dos votos válidos), contra 183.027 votos (18% dos votos válidos). Quase uma aclamação eleitoral, dada a diferença em relação aos outros candidatos. O resultado da eleição faz com que companheiros de partido e até mesmo os adversários coloquem Beto Richa como forte candidato para disputar o governo do estado em 2010.

João Carlos é o novo Prefeito de Apucarana.

O contabilista João Carlos de Oliveira , candidato da coligação ”Apucarana conhece e confia” (PMDB-PSDB-PV) venceu as eleições em Apucarana com 34.945 votos (51% dos votos válidos), contra 24.500 votos (30% dos votos válidos) do candidato Beto Preto, da coligação Renovação (PT-DEM). A pesquisa Instituto Global/Frizz já indicava na pesquisa de 20 e 21 de setembro que o candidato João Carlos de Oliveira provavelmente seria o vencedor, pois naquela pesquisa já liderava com boa margem. Com a eleição de João Carlos, o atual prefeito Valter Pegorer mostrou mais uma vez sua força nas urnas, elegendo seu sucessor após 8 anos de Prefeitura, e sem dúvida sai muito fortalecido desta eleição. Às 18:30 já era possível ter a certeza que João Carlos ganharia as eleições. As apurações na cidade aconteceram de forma muito rápida.

Silvio Barros vence em Maringá

Em Maringá o prefeito Sílvio Barros (PP) foi reeleito no primeiro turno com 103.099, ou 57,46% dos votos válidos, contra Enio Verri (PT) que ficou em segundo lugar com 39.425, ou 21,57% dos votos válidos. Engenheiro, Silvio Magalhães Barros II teve grande apoio político do deputado federal Ricardo Barros e da deputada estadual Cida Borghetti, ambos do PP.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Divulgados dados desanimadores da economia americana

De Nova Iorque, USA: Indicadores divulgados ontem aqui nos EUA mostraram que a economia pode não se recuperar apenas com o pacote: o Departamento do Trabalho informou que o número de pedidos iniciais de auxílio-desemprego nos EUA aumentou em mil na semana encerrada no dia 27 de setembro, atingindo a marca de 497 mil solicitações iniciais do benefício. Foi a maior taxa desde a semana encerrada em 29 de setembro de 2001. O número de pessoas recebendo auxílio-desemprego há pelo menos duas semanas ficou em 3,591 milhões, um aumento de 48 mil na semana encerrada no dia 20 de setembro (data da leitura mais disponível). Foi o maior número desde setembro de 2003. Nada animadores também foram os dados sobre a indústria divulgados hoje: o Departamento do Comércio informou que as encomendas às indústrias americanas tiveram queda de 4% em agosto, após alta de 0,7% em julho. Foi a maior queda desde outubro de 2006, quando houve retração de 4,8%. Esses sinais foram vistos com pessimismo pelos investidores asiáticos. A Bolsa de Tóquio operou durante todo o dia no vermelho e fechou com queda de 1,94%. A Bolsa de Hong Kong afundou 2,40%; em Sydney (Austrália), os negócios retraíram 1,49%; em Seul (Coréia do Sul), as perdas foram de 1,39%. Hoje também devem ser divulgados os dados referentes ao mercado de trabalho em setembro nos EUA. A expectativa dos analistas é de que tenham sido eliminados 105 mil postos de trabalho no país, marcando o nono mês consecutivo de fechamento de vagas no país. A economia européia também é motivo de preocupação. O presidente do BCE (Banco Central Europeu), Jean-Claude Trichet, disse hoje que a zona do euro vive um momento de "crescimento desacelerado e corre um sério risco de que a situação seja ainda pior". Ele insistiu em que o crescimento é "fraco", em entrevista à rádio francesa "Europe 1", e afirmou que "o mundo inteiro está sofrendo neste momento".

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Senado aprova pacote de 700 bi


De Nova Iorque, USA - O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta quarta-feira o pacote de resgate financeiro que prevê o uso de até US$ 700 bilhões para comprar títulos podres. Foram 74 votos a favor e 25 contra. A intenção é evitar quebradeiras e acalmar o mercado.O pacote também precisa de aprovação na Câmara dos Representantes para ser implementado. A votação lá pode acontecer nesta sexta-feira. Na segunda-feira, a Câmara havia rejeitado uma outra versão do plano por 228 votos contra e 205 a favor. A principal novidade do projeto de lei de resgate ao setor financeiro votado no Senado norte-americano, em comparação com o texto que foi rejeitado pela Câmara, é o aumento na garantia para depósitos de correntistas dos bancos dos EUA de US$ 100 mil para US$ 250 mil entre a data da publicação da lei e o final de 2009. O projeto prevê ainda que a Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC), entidade responsável por essas garantias, não terá limites para tomar recursos emprestados do Departamento do Tesouro para assegurar os pagamentos. Atualmente esse limite, que nunca foi usado, é de US$ 30 bilhões. O pedido feito pela FDIC era para elevá-lo para US$ 100 bilhões, mas os senadores decidiram acabar com o teto da linha de crédito, para dar maior segurança para os correntistas.No final do segundo trimestre, a FDIC tinha cerca de US$ 45 bilhões para garantir depósitos totais de US$ 4,5 trilhões.A nova versão do pacote manteve o ponto central do anterior, que prevê a autorização para que o Tesouro dos EUA use até US$ 700 bilhões para comprar títulos podres lastreados em hipotecas e que estão na carteira de bancos, seguradoras e fundos de pensão.Além da compra direta, será possível também oferecer garantia para esses títulos, mediante a cobrança de um prêmio, como se fosse uma espécie de seguro. A pressão aqui nos EUA é grande para que este pacote esteja aprovado o mais breve possível, pois várias empresas de pequeno e médio porte (small businesses), que respondem pela grande maioria dos empregos aqui, não estão conseguindo crédito, algumas até usando cartão de crédito para financiar suas operações como payroll (folha de pagamento de funcionários) e outros custos fixos. A folha de pagamentos de salários aqui começa a vencer na semana que vem e a previsão é que alguns cidadãos podem ter seus salários atrasados devido a incerteza com o mercado de crédito, informou o USA Today.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Senado americano marca votação de megapacote para hoje.

De Boston, USA - O Senado dos EUA marcou para a noite desta quarta-feira a votação de um pacote de US$ 700 bilhões, que incluirá um aumento no valor dos depósitos bancários segurados pelo FDIC (Federal Deposit Insurance Corp, um órgão governamental) para US$ 250 mil dólares, contra US$ 100 mil previstos anteriormente. O líder da maioria Harry Reid, senador democrata por Nevada, recebeu um consenso unânime do Senado para marcar a votação sobre o pacote que, diz a Casa Branca, é necessário para evitar uma grande crise econômica.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Pessimismo dos mercados faz ouro valorizar-se

De Boston, USA - Ápice da crise do subprime até o momento, setembro trouxe sessões históricas aos mercados. Reféns dos desdobramentos da maior crise em décadas, os investidores, sob fortíssimo estresse, assistiram ao remodelamento do cenário financeiro.A corrida em busca dos ativos de menor risco - movimento conhecido como "fly to quality" (vôo para a qualidade, na tradução livre) - garantiu ao ouro o posto de melhor investimento no nono mês de 2008. Em linha com a tendência global de valorização, a commodity negociada na BM&F Bovespa encerrou o mês cotada a R$ 53,90 o grama, com alta acumulada de 19,32% em setembro. No ano, o ganho é mais modesto, de 8,47%.No extremo oposto, a Bolsa aparece como alternativa menos rentável pelo quarto mês consecutivo. Em setembro, a queda do Ibovespa, principal índice de ações da BM&F Bovespa, foi de 11,03%, a maior desde abril de 2004. O terceiro trimestre marcou derrocada de 23,8%, a pior performance trimestral do índice em sete anos.

domingo, 28 de setembro de 2008

Investimentos na infra-estrutura aeroportuária urgentemente

De Boston, USA - Os seguidos apagões experimentados por passageiros de avião no Brasil desde 2006 deixaram bem claras a situação precária do setor de transporte aéreo e a necessidade urgente de investimentos na infra-estrutura aeroportuária. Mas foi uma ameaça de apagão no futebol que trouxe à tona a proposta de privatizar os aeroportos, discutida desde 2005 apenas nos bastidores do governo. Na primeira semana de setembro, numa reunião com assessores e ministros ligados ao setor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que a administração dos aeroportos do Galeão, no Rio de Janeiro, e de Viracopos, em Campinas, seja concedida à iniciativa privada até o final de 2009. Um novo aeroporto para São Paulo, a ser construído e operado pela iniciativa privada, também está nos planos. Caberá ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) fazer os estudos de viabilidade que fundamentarão os editais de licitação. A preocupação declarada do presidente é garantir que o Brasil tenha condições de sediar a Copa do Mundo de 2014. A idéia é evitar o constrangimento passado pela Colômbia, que teve de desistir da Copa de 1986 por não ter recursos para as obras de infra-estrutura requisitadas (o campeonato acabou sendo realizado no México). Se realmente forem concretizadas, as concessões poderão funcionar como laboratório de um novo modelo para o setor aeroportuário, que permita ao Brasil escapar de futuros apagões — e sediar uma Copa do Mundo sem correr o risco de um vexame internacional. O Galeão é hoje uma péssima porta de entrada para uma cidade que pretende ser uma das capitais da Copa de 2014. Os banheiros estão sujos e malconservados. Parte das escadas rolantes e dos elevadores não funciona. Não há vagas suficientes de estacionamento para os visitantes. Os representantes do Comitê Olímpico Internacional que estiveram no Rio checando a candidatura da cidade a sede da Olimpíada de 2016 ficaram claramente mal impressionados com o que viram. As notas dos 11 itens avaliados no Galeão variaram de 5 a 7,5, enquanto os aeroportos das cidades concorrentes — Madri, Tóquio e Chicago — receberam avaliações entre 8,5 e 9,5. O mau desempenho do aeroporto reflete sua perda de importância nos últimos anos. Até 1985, segundo um estudo feito pelo governo do Rio, o movimento nos aeroportos do estado chegou a ser maior que o registrado em São Paulo. Hoje, a situação se inverteu. O aeroporto de Guarulhos concentra a maior parte dos vôos internacionais, e o resultado é um Galeão subutilizado. Os 11 milhões de passageiros que o aeroporto movimenta por ano representam apenas 60% de sua capacidade total. As projeções da Infraero mostram que, depois de reformado, o Galeão poderia movimentar até 20 milhões de passageiros. Da forma como está, apesar de arrecadar 278 milhões de reais por ano, o Galeão tem altos custos de manutenção e reparo, que sugam todo o lucro de mais de 5 milhões de reais. O resultado, em 2007, foi um prejuízo de 166 000 reais, segundo a revista EXAME.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Aracruz e Sadia têm fortes prejuízos com a variação cambial

De Nova Iorque - Duas grandes companhias brasileiras deram nesta sexta-feira o sinal de que a crise financeira com epicentro nos Estados Unidos pode causar mais estragos no Brasil do que muitos acreditavam. A alta do dólar, que chegou a beirar os 18% em setembro, efeito colateral da crise, complicou as contas de algumas exportadoras brasileiras que mantinham, até então, posições no mercado de derivativos de câmbio destinadas inicialmente a reduzir o impacto de um movimento oposto: o da valorização do real. A Sadia, uma das principais indústrias alimentícias brasileiras, com fortes vendas externas em carteira, reconheceu uma perda de R$ 760 milhões geradas principalmente por posições em contratos de futuros e opções cambiais. O diretor-financeiro foi demitido. A Aracruz Celulose divulgou um comunicado informando que a exposição da companhia a instrumentos de derivativos foi "fortemente" afetada pelo dólar e que contratou uma empresa especializada para verificar o tamanho do estrago. O diretor financeiro pediu licença do cargo. A resposta do mercado foi imediata. As ações PN (preferenciais) da Sadia desabaram 35,48%, enquanto as ON (ordinárias) caíram 16,76% nesta sexta-feira. A situação, com a apreensão dos investidores sobre o que mais poderia estar acontecendo nas corporações brasileiras, influenciou negativamente a Bovespa e fez com que várias empresas divulgassem comunicados para informar que não possuem exposições pesadas a instrumentos financeiros. Especialistas esperam por impactos nos resultados das companhias nos próximos dois trimestres. "Os investidores estão certos em ficar preocupados. É um sinal amarelo. Vamos todos olhar para as empresas que têm mais operações internacionais e que costumam fazer operações com derivativos", afirmou Lucy Souza, presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec) em São Paulo. "Foi realmente uma surpresa, ninguém estava esperando", disse a analista do setor de papel e celulose na corretora Ativa, Mônica Araújo. "Estamos fazendo um levantamento das empresas que são tradicionalmente exportadoras e com dívida e que poderiam estar sendo pressionadas com essa situação. A maioria está OK, mas esse trabalho tem que continuar", acrescentou. A Sadia reconheceu que as operações que foram realizadas pela diretoria financeira da companhia excederam o hedge (proteção) tradicional utilizado por muitos exportadores, que buscam reduzir a influência da flutuação da moeda nos seus resultados por meio de contratos de câmbio. Há dúvidas no mercado sobre se muitas outras empresas também poderiam ter caído na tentação de buscar ganhos financeiros com derivativos cambiais, quando o ideal seria que apenas buscassem garantir o equilíbrio no lado operacional. "A questão do derivativo é uma ferramenta interessante para hedge, mas ela mal empregada é como uma navalha na mão de criança", afirmou Carlos Daniel Coradi, diretor da empresa de análise Engenheiros Financeiros & Consultores. "Pouca gente entende com profundidade e muitas empresas se iludem com as pseudovantagens de proteção dos ativos e passivos através de derivativos", acrescentou. O diretor geral da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais, Sérgio Mendes, afirmou que os casos de Sadia e Aracruz parecem configurar uma situação em que a empresa passou a apostar com o hedge, o que não pode ocorrer. Informou a Folha de São Paulo.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Como fica o Brasil caso a crise internacional se agrave

O pacote de medidas anunciado pelo governo americano levou euforia ao mercado financeiro na última sexta-feira (19), mas ainda é insuficiente para debelar a crise, segundo o próprio secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson. Muitos dos créditos podres que sufocam o sistema financeiro não são elegíveis para o programa de ajuda, que somará 700 bilhões de dólares. Tanto que as ações de bancos americanos de pequeno e médio porte despencaram nesta semana. Além disso, ainda não há garantias de que o pacote será rapidamente aprovado, já que o Partido Democrata tenta incluir também ajuda a mutuários no programa. As dificuldades para a aprovação do plano geraram intranqüilidade no mercado. A bolsa brasileira chegou a cair 4% nesta terça-feira e completou dois pregões em baixa. O presidente do Federal Reserve (banco central dos EUA), Ben Bernanke, tentou reagir e disse no Congresso que a rejeição do plano impediria o bom funcionamento dos mercados e mergulharia os EUA na recessão. Para o Brasil, o agravamento da crise americana não seria nada bom. Até agora só a Bovespa, a BM&F e os exportadores sentiram o golpe, mas a economia real continua funcionando bem. Analistas ouvidos  alertam, no entanto, que o prolongamento da crise e a quebra de mais bancos poderiam dificultar a obtenção de crédito no país. “As empresas poderão ser atingidas e o reforço de capital para financiá-las terá de vir internamente, via sistema financeiro público, com linhas de crédito de longo prazo”, afirma o economista e professor Ricardo Carneiro, da Unicamp. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já foi orientado pelo presidente Lula a aumentar a concessão de crédito para as empresas que estiverem temporariamente sem acesso a financiamento internacional por causa da crise. O presidente do banco, Luciano Coutinho, elevou a previsão de desembolsos neste ano de 80 bilhões de reais para 85 bilhões de reais com a demanda inesperada. A instituição obteve um empréstimo de 15 bilhões do Tesouro Nacional, negocia a captação de 7 bilhões de reais do FGTS e levantou 1 bilhão de dólares no mercado externo para garantir a expansão das linhas de crédito.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O leão e as empresas

Um novo sistema informatizado da Receita Federal vai começar a mudar — e muito — a vida das empresas em janeiro. A novidade, batizada de Sped, sigla para Sistema Público de Escrituração Digital, determina a transferência para o meio eletrônico de todas as obrigações contábeis e fiscais das empresas, hoje cumpridas com um interminável preenchimento de formulários e livros, informou a Revista Exame. O lado positivo da mudança é a simplificação e padronização de muitos processos tributários — o que não é pouco, dado o inferno que se tornou a vida do contribuinte brasileiro. Também deve ocorrer um avanço no combate à informalidade, já que a Receita passará a ter condições de acompanhar eletronicamente a vida das empresas. O lado feio do novo sistema — mais uma demonstração do poderio tecnológico do Fisco brasileiro — é o fato de ser implantado sem nenhuma melhoria no caos tributário. A partir do próximo ano, qualquer deslize, fato quase inevitável diante do emaranhado de regras, será imediatamente detectado e passível de punição. Não é para menos que o regime de impostos do país é considerado um dos mais complicados do planeta. São 79 tributos e mais de 5 000 leis para regulá-los, que sofrem uma inacreditável média de três alterações a cada 2 horas. Num cenário desses, é mais do que esperado que a maioria das empresas cometa algum erro no recolhimento dos impostos ou na hora de prestar as inúmeras informações exigidas pelos vários órgãos arrecadadores com que têm de lidar. A IOB realizou um estudo simulando uma auditoria fiscal sobre as operações realizadas em 2007 por 223 empresas e descobriu que quase todas cometeram algum erro no relacionamento com os órgãos arrecadadores. Os lapsos de procedimento explicam parte considerável das autuações federais, que somaram 95 bilhões de reais no ano passado.