quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Carlos Walter Martins Pedro é eleito novo presidente da Fiep



O industrial Carlos Walter Martins Pedro vai comandar a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) pelos próximos quatro anos. Liderando a chapa “Foco na Indústria, Fiep para os Sindicatos”, ele recebeu 49 votos, contra 47 do candidato da chapa “Sindicato Forte, Fiep Maior”, o também industrial José Eugenio Souza de Bueno Gizzi. Ambos são vice-presidentes na atual diretoria da Fiep. No comando da entidade, Martins Pedro substituirá Edson Campagnolo, que preside a Federação desde 2011. O mandato da nova gestão começa oficialmente em 1º de outubro. Dos 99 sindicatos filiados à Fiep, 96 foram considerados habilitados a votar, de acordo com os critérios estabelecidos pelo Regulamento Eleitoral da entidade, e todos compareceram para registrar seus votos. A eleição ocorreu no Campus da Indústria do Sistema Fiep, em Curitiba, com a coleta dos votos começando às 12 horas desta quarta-feira (14/08). Pouco depois das 18 horas, quando a votação foi encerrada, iniciou-se a apuração. O resultado final foi anunciado pouco depois das 19 horas pelo procurador do Ministério Público do Trabalho no Paraná, Ricardo Bruel da Silveira, que presidiu a mesa apuradora.“A indústria do Paraná é forte, é diversificada e capacitada tecnicamente. A Federação, por meio dos sindicatos que são seus federados, representa essa indústria e tem a missão da defesa dos interesses da indústria”, afirmou o presidente eleito, logo após o encerramento da apuração dos votos. “É isso que a nossa diretoria vai fazer, assumindo a nova gestão buscando tudo para a defesa e a evolução da indústria do Paraná”, completou. Em relação aos serviços prestados pelas instituições que compõem o Sistema Fiep – Fiep, Sesi, Senai e IEL -, seu objetivo é aprimorá-los cada vez mais, agregando valor ao setor industrial. “Tanto na formação profissional e no apoio técnico que o Senai faz, na saúde e segurança do trabalhador, por meio do Sesi, e na defesa intransigente da indústria feita pela Fiep, sempre por meio dos sindicatos, que são os representantes legítimos das nossas indústrias”, ressaltou Martins Pedro. O atual presidente da Fiep, Edson Campagnolo, que integra a chapa vencedora como delegado representante junto à Confederação Nacional da Indústria (CNI), afirmou que o resultado do pleito reforça a transparência do processo eleitoral da entidade. “O importante agora é que Carlos Walter Martins Pedro está eleito, com uma nova proposta e, com certeza, sempre tem muito a fazer. O resultado demonstra que havia uma competição saudável, mas venceu aquele que tinha mais experiência e capacidade de gestão dentro da casa”, declarou.

Biografia

Nascido em Maringá, Carlos Walter Martins Pedro é sócio-administrador e fundador da ZM Bombas. A empresa, com mais de 30 anos de atuação, é especializada na produção de bombas hidráulicas, hidrolavadoras de pressão e sistemas eólicos para bombeamento e energia. Atua em todo o mercado nacional, América do Sul e Central e África do Sul. É presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Maringá (Sindimetal Maringá), do qual foi fundador, e é conselheiro de Relações do Trabalho da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Foi presidente do Conselho Regional do Senai no Paraná. Também é vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Maringá (ACIM). Preside a Fundação Tecnópolis de Maringá e o Conselho Gestor da Incubadora Tecnológica de Maringá. É vice-presidente do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá (Codem) e integra o Conselho Temático do Setor Metalmecânico do Paraná (G19).

sábado, 10 de agosto de 2019

Proposta de Alvaro Dias limita escolha de embaixadores a integrantes da carreira diplomática


A escolha de chefe de missão diplomática de caráter permanente (embaixada) deve recair sobre servidor integrante da carreira diplomática. É o que estabelece a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 118/2019, que aguarda a designação de relator na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). A proposta, que altera o inciso IV do artigo 52 da Constituição, foi apresentada pelo senador Alvaro Dias (Podemos-PR) e subscrita por outros 29 senadores. Atualmente, a Lei 11.440, de 2006, limita a indicação a ministros de primeira ou segunda classe, sendo a indicação de pessoa não pertencente aos quadros do Ministério das Relações Exteriores uma hipótese excepcional. No entanto, ao não estabelecer limites a tal excepcionalidade, acabou-se assumindo essa possibilidade como simples e plenamente aberta, observa Alvaro Dias. A PEC altera o artigo que trata das atribuições privativas do Senado Federal, ao definir que caberá à Casa aprovar previamente, por voto secreto, após arguição em sessão secreta (sabatina), a escolha dos chefes de missão diplomática de caráter permanente, que deverá recair sobre servidor efetivo integrante da carreira diplomática. A emenda constitucional entrará em vigor na data de sua publicação, assegurando-se a permanência como chefe de missão diplomática de caráter permanente de todos aqueles que, àquela data, já tiverem tido sua escolha aprovada pelo Senado. Na justificativa da PEC, Alvaro Dias argumenta que o serviço exterior deve se caracterizar, fundamentalmente, por ser uma carreira de Estado, “preservada, tanto quanto possível, de grandes guinadas causadas pelas trocas de governo”. “Daí a apresentação desta emenda constitucional, que pretende fazer com que se limite a escolha de embaixadores, chefes de missão diplomática de caráter permanente, a servidores de carreira. Isso ajuda a profissionalizar a diplomacia, retirando-se indicações como embaixadores de caráter meramente político, ora recompensados com o posto em fim de carreira política, ora premiados pela sua proximidade com o governo de ocasião”, argumenta Alvaro Dias. O autor da PEC observa ainda que o Brasil orienta-se nas suas relações internacionais, entre outros princípios, pela manutenção da paz e cooperação entre os povos. “Essencial, portanto, que o componente ideológico ceda espaço ao pragmatismo. Isso deve se refletir na escolha de embaixadores, autoridades do mais alto patamar diplomático acreditadas junto a Estados e organismos estrangeiros, dando-se a escolha entre servidores de carreira, profissionais da área, em detrimento às indicações livres que, pela própria natureza da escolha, carregam forte componente ligado à conjuntura política de momento”, argumenta o senador. Alvaro Dias ressalta que a PEC tem a virtude de valorizar a carreira diplomática, dando-lhe maior dinamismo. O senador destaca ainda que a proposição contribui para “a mais completa e perfeita profissionalização da diplomacia e para assegurar que o serviço exterior brasileiro seja orientado por políticas de Estado”.A PEC é subscrita pelos senadores Carlos Viana (PSD-MG), Confúcio Moura (MDB-RO), Eduardo Girão (Podemos-CE), Elmano Férrer (Podemos-PI), Fabiano Contarato (Rede-ES), Flávio Arns (Rede-PR), Humberto Costa (PT-PE), Izalci Lucas (PSDB-DF), Jayme Campos (DEM-MT), Jean Paul Prates (PT-RN), Jorge Kajuru (PSB-GO), Lasier Martins (Podemos-RS), Lucas Barreto (PSD-AP), Marcio Bittar (MDB-AC), Marcos do Val (Cidadania-ES), Oriovisto Guimarães (Podemos-PR), Paulo Paim (PT-RS), Paulo Rocha (PT-PA), Plínio Valério (PSDB-AM), Reguffe (sem partido-DF), Romário (Podemos-RJ), Styvenson Valentim (Podemos-RN), Tasso Jereissati (PSDB-CE), Veneziano Vital do Rêgo (PSB-PB) e Weverton (PDT-MA).E pelas senadoras Leila Barros (PSB-DF), Maria do Carmo Alves (DEM-SE), Rose de Freitas (Podemos-ES) e Zenaide Maia (PROS-RN).

Gilmar Mendes afirma que Judiciário vive a maior crise desde a redemocratização


Agência Brasil - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes disse na última sexta-feira (09/08) que os diálogos divulgados pelo site The Intercept mostram que procuradores federais tentaram ganhar dinheiro com a Operação Lava Jato. “O próprio corregedor, embora não cumprindo corretamente as suas funções, diz: ' vocês estão monetizando, ganhando dinheiro com a Lava Jato’. E isso, obviamente, é vedado”, disse o ministro, antes de participar de evento na Associação dos Advogados de São Paulo (AASP). Reportagem da Folha de S. Paulo e do The Intercept, a partir de um diálogo por aplicativo de mensagens ocorrido em 2017 e vazado a partir de hackeamento de celulares, mostra que o então corregedor-geral do Ministério Público Federal, Hindemburgo Chateaubriand Filho, teria criticado informalmente a conduta do procurador da República Deltan Dallagnol por dar palestras remuneradas. “Está escrito na Constituição. Eu não posso usar a função pública para ganhar dinheiro além do que eu já ganho”, enfatizou Mendes ao analisar a conduta dos procuradores da força-tarefa. Para o ministro, os problemas na condução da Lava Jato, revelados pelos diálogos publicados, são a “maior crise” vivida pelo Judiciário desde a redemocratização. “Nada é comparável a isso que nós estamos vivendo, porque atinge a Justiça Federal e a Procuradoria-Geral da República na sua substância. São duas instituições de elite do sistema que estão fortemente atingidas por essas revelações”, destacou. Na opinião de Mendes, em alguns momentos, a conduta dos procuradores se aproxima da de organizações criminosas. Ele se referia a trechos dos diálogos que apontam a tentativa dos procuradores de informalmente investigar ministros do Supremo. “Se nós olharmos a linguagem de determinadas organizações criminosas, nós não conseguimos distinguir quem é o combatente do crime e quem é o partícipe de organização criminosa”, acrescentou. O papel do atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, que atuou como juiz responsável pela Lava Jato na Justiça Federal em Curitiba, também foi mencionado por Mendes. “Juiz não pode ser chefe de força-tarefa”, ressaltou a partir do conteúdo divulgado pelos portais que tiveram acesso às mensagens. Para Mendes, todas essas suspeitas precisam ser apuradas pelos órgãos competentes. “Em algum momento essas pessoas que se envolveram, acredito, nesses malfeitos terão de prestar contas. Todos nós que integramos uma instituição temos um dever de accountability. Essa gente teria de contar o que eles fizeram de errado para que a gente no futuro possa fazer as possíveis correções”, acrescentou. No início de julho, durante audiência na Câmara dos Deputados, Moro afirmou que, no cenário jurídico brasileiro, conversas entre juízes, membros do Ministério Público e advogados "são coisas absolutamente triviais". Na ocasião, o ministro reiterou que não reconhece o conteúdo das mensagens veiculadas pela imprensa e que elas podem ter sido adulteradas. Já o Ministério Público Federal no Paraná emitiu nota, também em julho, afirmando que as mensagens atribuídas a procuradores da Operação Lava Jato e divulgadas pela imprensa são "oriundas de crimes cibernéticos e não puderam ter seu contexto e veracidade verificados". O ministro criticou ainda a decisão da juíza substituta Carolina Lebbos, da 12ª Vara Federal de Curitiba, que determinou a transferência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para São Paulo. Na avaliação de Mendes, a decisão contou com “forte teor político”. Atualmente, o ex-presidente cumpre pena por corrupção e lavagem de dinheiro na Superintendência da Polícia Federal do Paraná. Com a transferência, ele iria para o presídio de Tremembé, no interior paulista. “Ali aconteceram algumas coisas estranhas. O pedido está lá há mais de um ano. O juiz titular não decidiu. Aí decide a juíza substituta. O tribunal identificou que havia sinais de desvios e abusos. Por isso, fez aquela suspensão rápida”, disse o ministro. A transferência de Lula foi suspensa por decisão da maioria dos ministros do STF.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Paraná amplia malha aérea com o "Voe Paraná"


O Paraná passa a ter a maior malha aeroviária do País com o início nesta quarta-feira (07/08) do programa Voe Paraná. O novo pacote aéreo regional foi lançado pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior no Aeroporto do Bacacheri, em Curitiba, e vai atender 12 cidades, de todas as regiões do Estado. Neste primeiro momento, os municípios beneficiados pela adesão da companhia aérea Gol em parceria com a empresa de táxi aéreo TwoFlex são Paranaguá, Arapongas, Apucarana, Guarapuava, Campo Mourão, Francisco Beltrão, Paranavaí, Cianorte, Telêmaco Borba, Cornélio Procópio, União da Vitória e Guaíra, todos com população variando entre 32 mil e 155 mil habitantes. De acordo com a Gol, os bilhetes começam a ser vendidos a partir de 2 de setembro e os voos regulares a partir de 22 ou 23 de outubro. “É o maior projeto de voo regional da história do Estado. Nosso planejamento sempre foi fazer com que a Capital e o Interior fiquem mais próximos, desenvolvendo o Paraná por inteiro, levando mais indústrias para o Interior e consequentemente gerando mais emprego”, afirmou o governador. “Muitas vezes o empresariado quer se instalar no Interior, mas não tinha uma ligação fácil com a Capital. Esse programa encurta as distâncias”, afirmou. Ratinho Junior informou ainda que outras cidades do Estado deverão encorpar o programa nos próximos meses, desde que haja liberação por parte da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e também escala de demanda. Os deslocamentos serão feitos por aeronaves Cessna Grand Caravan de até 9 lugares, com média de três a quatro voos semanais. Curitiba será o principal destino, mas há também rotas interligando cidades do Interior. “Estamos em negociação também com outras companhias para ampliar a oferta de voos. O Paraná passa a ser maior com esse projeto de desenvolvimento regional”, disse. Presidente da Gol, Paulo Kakinoff destacou a retomada dos deslocamentos regionais no País com a implantação do projeto paranaense. “Como essas 12 novas cidades, o Paraná passa a ter a maior quantidade de destinos do Brasil. É o resgate da aviação por meio um modelo consagrado. Modelo promissor, que tem capacidade de transformar. Estamos agradecidos ao Estado do Paraná”, afirmou.  Aos novos voos somam-se linhas aéreas operadas pela Azul, o que faz do Paraná a maior malha aeroviária do Brasil. A companhia possui voos regulares ligando Curitiba a Toledo, Pato Branco, Ponta Grossa, Maringá, Cascavel, Londrina e Foz do Iguaçu. Na última segunda-feira (05/08), inclusive, Pato Branco passou a contar com deslocamentos diários do Aeroporto Municipal Juvenal Loureiro Cardoso para a capital paranaense. Até o dia 30 de agosto, os voos serão de segunda a sexta-feira. A partir de 2 de setembro a oferta será ampliada, incluindo os domingos no roteiro dos voos. Em abril, a Azul já havia melhorado o serviço em Toledo, passando de um para seis voos semanais. As ligações diretas e regulares têm como destino Curitiba e oferecem possibilidades de conexão para mais de 100 destinos domésticos e internacionais operados pela empresa. A ampliação da operação ocorreu três meses após o pouso do primeiro voo comercial na cidade, em 09 de janeiro deste ano. Com isso, o Paraná passa a ser o terceiro Estado com mais operações da empresa, ficando atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais. De acordo com a Azul, são 60 decolagens por dia com uma oferta de 41 mil voos assentos semanais. “A previsão é que até o final do ano tenhamos um acréscimo de 500 mil a 1 milhão de novos passageiros no Paraná”, ressaltou Sandro Alex, secretário da Infraestrutura e Logística.

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Forte massa de ar frio de origem polar avança para o Brasil

A temperatura volta a baixar muito no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, Acre e Rondônia. Uma grande e forte frente fria vai avançar sobre a América do Sul nos primeiros dias de agosto de 2019 trazendo uma massa de ar frio de origem polar muito intensa. As simulações atmosféricas iniciais feitas no último fim de semana de julho já mostram que esta nova massa de ar frio tem potencial para derrubar a temperatura novamente por todo o Sul do Brasil e em muitas áreas do Sudeste, do Centro-Oeste. Uma nova friagem deve ocorrer também em Rondônia, no Acre e no sul do Amazonas. Ainda há dúvida se esta nova massa de ar frio será mais intensa ou não do que a super onda de frio que passou pelo Brasil entre 5 e 10 de julho, mas as duas já têm uma coisa em comum: neve na Região Sul.

domingo, 21 de julho de 2019

Entre 42 ações, Toffoli priorizou caso Flávio Bolsonaro, diz jornal

Antes de beneficiar o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) em uma liminar publicada na segunda-feira (15/07), o presidente do STF, Dias Toffoli, atuou por dois anos em um caso que também tratava de compartilhamento de dados fiscais sem autorização judicial. Contudo, Toffoli não viu motivo para determinar a suspensão de investigações pelo país, como fez no caso do filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL), segundo uma matéria do jornal Folha de S. Paulo publicada neste domingo (21/07). Em abril de 2018, o caso semelhante ao de Flávio foi considerado de “repercussão geral” pelo STF, o que significa que seu desfecho serviria como referência para outros casos semelhantes. Desde então, segundo análise da Folha, 42 outros processos, que tratam principalmente de crimes de sonegação fiscal, foram colocados como dependentes dessa definição. Entre eles, quatro são relatados por Toffoli. Por se tratar de um caso de repercussão geral, já no ano passado o ministro já poderia ter suspendido as ações e investigações questionadas até um julgamento definitivo do STF. Mas a decisão de Toffoli só foi tomada após a defesa de Flávio apresentar pedido para suspender as investigações. O caso de Flávio foi incluído em um recurso relatado por Toffoli e o despacho foi concedido no mesmo dia em que o pedido foi protocolado. O filho do presidente é investigado por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Presidente Bolsonaro defende filho Eduardo e diz que ele poderia até ser chanceler


Em meio a polêmicas, o presidente Jair Bolsonaro voltou a defender nesta quinta-feira (18/07) a indicação de um dos seus filhos, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), para a embaixada brasileira em Washington, nos Estados Unidos, com o argumento de que ele poderá ter um bom relacionamento com o governo americano. O presidente também citou a indicação de um ex-deputado do PT Tilden Santiago para a embaixada de Havana, em Cuba, pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o nome do diplomata e político Oswaldo Aranha, com o argumento de que indicações políticas para o comando das representações diplomáticas já foram realizadas antes. “Você tem que ver o seguinte: é legal? É. Tem algum impedimento? Não tem impedimento. Atende o interesse público, qual o grande papel do embaixador? Não é o bom relacionamento com o chefe de Estado daquele outro país? Atende isso? Atende. É simples o negócio”, disse ao deixar o Palácio da Alvorada em direção ao Palácio do Planalto.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Governo vai liberar mais de R$100 bi em compulsório, diz Guedes

Após a liberação na última quarta-feira (26/06), pelo Banco Central de R$ 16,1 bilhões em compulsórios, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o governo pretende liberar mais de R$ 100 bilhões desses recursos no futuro para estimular o crédito privado. “Nosso primeiro desafio é a reforma da Previdência, mas faremos também a reforma tributária e o Pacto Federativo. Estamos desestatizando o mercado de crédito e ontem (quarta) o Banco Central já liberou compulsórios para aumentar o crédito privado. Vão vir mais de R$ 100 bilhões de liberação de compulsório no futuro”, disse Guedes após encontro com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), também estava presente no encontro. O ministro da Economia admitiu que se ressentiu da retirada de Estados e municípios do parecer da reforma da Previdência na comissão especial da Câmara e também da exclusão de servidores públicos do relatório. Guedes comentou sobre eventuais dificuldades derivadas de resistências de membros de alguns partidos com relação à inclusão de Estados e municípios na reforma da Previdência. “Essas questões locais… às vezes um partido qualquer quer a reforma, mas não quer pagar o custo político. […] Dê um passo para frente, assuma o custo político e vamos botar o Brasil para crescer”, afirmou.

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Crise da mídia chega na "cúpula" global com a "despejotização" dos contratos de trabalho


Por Daniel Castro, do "Notícias da TV" - O processo de "despejotização" dos altos salários desencadeado pela Globo no Rio de Janeiro nos últimos meses acaba de chegar a São Paulo. A emissora começou nesta semana a convocar jornalistas, repórteres e executivos com contratos de pessoa jurídica (PJ) para renegociarem seus vínculos. Quer liquidar os atuais contratos e registrar os profissionais como celetistas, em carteira de trabalho. A medida causou inquietação. O Notícias da TV apurou que a Globo está propondo pagar aos jornalistas e executivos os mesmos salários que eles ganham atualmente, como PJ. Ou seja, não há redução nominal de valores, o que poderia ser interpretado como ilegal. A oferta parece boa, afinal a empresa passará a ter custos maiores com cada profissional (por volta de 40% a mais por ano). Mas, assim como no Rio, a maioria dos profissionais está se sentindo desconfortável com a abordagem da Globo. Primeiro, porque, apesar de ser uma "proposta", os jornalistas sentem que é uma obrigação, que eles não terão futuro na casa se não aceitarem virar celetistas. Em segundo lugar, perdem a estabilidade que um contrato de três ou quatro anos oferece, pois podem ser demitidos com o pagamento de apenas um salário (o aviso prévio). E, por último, passam a ganhar menos em valores nominais, por causa dos descontos de folha de pagamento. "Acho isso escandaloso. A emissora está nos obrigando a aceitar uma mudança para se livrar de multa e processo na Justiça", diz um profissional, que pede sigilo sobre sua identidade à reportagem. Ele vê uma estratégia "esperta" da Globo: após dois anos do encerramento dos contratos de PJs, ela não pode mais ser processada por direitos celetistas, de acordo com a legislação, e se livra de um potencial enorme passivo trabalhista. Pode, então, demitir quem hoje é PJ a um custo relativamente baixo. A "despejotização" dos altos salários da Globo é consequência de uma ação civil pública que corre contra a emissora no Tribunal Regional do Trabalho da Primeira Região, no Rio de Janeiro, como revelou o Notícias da TV com exclusividade na terça-feira (25/06). A emissora se viu obrigada a renegociar contratos para evitar multas na Justiça e para não correr o risco de ser processada por ex-PJs que reivindicam direitos trabalhistas. Nesse processo, a Globo está aproveitando também para se livrar de profissionais dos quais não faz mais questão de ter sob contrato, porque não são produtivos na maior parte do ano. Foram os casos, por exemplo, do apresentador Otaviano Costa (que não aceitou redução salarial), da diretora Cininha de Paula (que vai trabalhar apenas por temporada, durante as gravações da Escolinha do Professor Raimundo) e do humorista Leandro Hassum. A emissora também tem renegociado altos salários, superiores a R$ 100 mil mensais, de apresentadores e atores. Nomes do calibre de Galvão Bueno, Fernanda Montenegro e Cléber Machado tiveram que aceitar a nova realidade. Além de questões legais, as renegociações visam reduzir os custos com produção da emissora, que aumentaram por causa da concorrência do Globoplay com a Netflix. No ano passado, a emissora teve um prejuízo operacional de R$ 530 milhões. Só não fechou no vermelho por causa de ganhos com aplicações financeiras. A Globo nega que as renegociações de contrato tenham relação com a ação judicial sigilosa que corre no Rio de Janeiro. Diz que já teve decisão favorável, o que é fato, mas o processo segue em segunda instância na Justiça Trabalhista. "As mudanças implementadas não têm como objetivo a redução de remuneração e tampouco resultaram em qualquer prejuízo aos talentos", diz a Globo em nota. "São decorrentes da reestruturação que prepara a empresa para os desafios do futuro".

sábado, 22 de junho de 2019

Dallagnol já afirmou que 'jornalista que vaza não comete crime', afirma Intercept Brasil

O procurador da República Deltan Dallagnol vem criticando o vazamento de conversas dele com o ministro da Justiça, Sergio Moro — quando este era juiz federal —, e demais integrantes do Ministério Público Federal. O Intercept, no entanto, publicou novas mensagens neste sábado (22/06), nas quais Dallagnol já afirmou que "jornalista que vaza não comete crime". Em novembro de 2015, em um grupo chamado "PF-MPF Lava Jato 2", enquanto discutiam medidas para coibir vazamentos de informações da força-tarefa (“alguns vazamentos tem sido muito prejudiciais”), Dallagnol afirmou que usar medidas judiciais para investigar jornalistas que publicaram material vazado não seria apenas difícil, mas "praticamente impossível", porque "jornalista que vaza não comete crime". Em maio de 2018, os procuradores da força-tarefa da “Lava Jato” criaram um grupo no Telegram chamado “Liberdade de expressão CF”. O objetivo era redigir um manifesto em defesa da liberdade de expressão. Isso porque o Conselho Nacional do Ministério Público iria julgar se abria procedimento administrativo contra o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima por críticas ao então presidente Michel Temer (MDB). Nos debates no grupo, Dallagnol apontou que autoridades públicas têm menos privacidade do que cidadãos comuns. “Autoridades Públicas estão sujeitas a críticas e têm uma esfera de privacidade menor do que o cidadão que não é pessoa pública”, disse o procurador na ocasião, de acordo com o The Intercept Brasil. A reportagem também lembra que ao defender a divulgação, por Moro, de conversas telefônicas do ex-presidente Lula — sendo uma delas com a então presidente Dilma Rousseff — o próprio Dallagnol argumentou que o interesse do público de saber o que governantes fazem se sobrepõe ao direito à privacidade de políticos. O Intercept Brasil ainda destaca que, antes da publicação de suas conversas, outros procuradores da “lava jato” apoiavam a divulgação de documentos sigilosos e demonstravam admiração por pessoas como Edward Snowden, que tornou públicos documentos secretos comprovando irregularidades ou corrupção por parte de autoridades.

sábado, 8 de junho de 2019

O "abacaxi" de Neymar Júnior


Compartilho da mesma opinião deste conceituado jornalista de Londrina, Oswaldo Militão.  O jogador Neymar Júnior poderia estar sem este "abacaxi" se fosse um pouco melhor orientado pelos seus amigos "de festa'.

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Extrema direita avança, mas partidos pró-Europa obtêm maioria nas eleições

Os partidos comprometidos com o fortalecimento da União Europeia conquistaram dois terços dos assentos no Parlamento Europeu, segundo estimativas sobre as eleições do bloco, que se encerraram ontem, após quatro dias de votação. No entanto, os eurocéticos de extrema direita e nacionalistas avançaram, obtendo cerca de 25% das cadeiras - embora menos dos 30% que esperam eleger. Os ganhos obtidos dos nacionalistas e populistas de direita - combinados com um bom desempenho dos verdes - confirmaram o enfraquecimento dos partidos tradicionais da Europa. O presidente da França, Emmanuel Macron, que sempre defendeu que a UE é a resposta para os desafios de uma economia globalizada, sofreu um golpe pessoal ao ver seu movimento centrista, o Em Marcha, ficar atrás do partido anti-imigração de Marine Le Pen, a Reunião Nacional (RN). No entanto, o partido de Macron contribuiu para os ganhos dos liberais na Europa. Com o bom resultado também dos verdes, os grupos de centro pró-UE perderam 20 cadeiras, mas garantiram 505 de um total de 751, de acordo com projeções da UE. Com 178 eurodeputados, 38 a menos do que e m 2014, o Partido Popular Europeu (PPE, de direita) continua a maior força, mesmo sem ser maioria. Seus tradicionais aliados, os social-democratas, caíram de 185 para 152 representantes.  Juntos, espera-se que os dois grupos caiam de 401 parlamentares para 330 nos próximos cinco anos - para eleger o novo chefe da Comissão Europeia é preciso 376 votos. Com base nesse resultado, sem maioria clara, caberá aos líderes europeus escolher os próximos presidentes das principais instituições europeias. O resultado também complica o processo legislativo, com o fim da "grande coalizão" de dois partidos. As forças pró-Europa seguem no controle da Casa com o avanço dos liberais, que passaram de 69 para 108 cadeiras, e dos verdes, que progrediram para 67. Para analistas, essas duas vozes deverão agora ter mais poder. As urnas também diminuíram as esperanças dos ultradireitistas de França e Itália de tentar interromper a integração da UE - os grupos eurocéticos de direita ficaram com 169 deputados no total, segundo projeções divulgadas ontem. A Europa das Nações e Liberdades, à qual pertencem os partidos ultradireitistas, passou de 36 eurodeputados para 57. As tensões entre nacionalistas, que incluem também os partidos polonês e húngaro, e o novo Partido do Brexit, do nacionalista britânico Nigel Farage, limitaram o poder de articulação do grupo. "O importante é que os ganhos para os extremistas não foram muito substanciais", disse Guntram Wolff, chefe do centro de estudos Bruegel, em Bruxelas. O partido de Farage, inserido no grupo Europa da Liberdade e Democracia Direta, no entanto, passou de 14 cadeiras para 56, enquanto os Conservadores e Reformistas Europeus britânicos, da coalizão da qual participa o Partido Conservador, de Theresa May, perderam 16 cadeiras, ficando com 61. May anunciou, na quinta-feira, que deixará o cargo de premie após falhar em suas tentativas de aprovar um acordo sobre o Brexit no Parlamento. Autoridades europeias celebraram o aumento do comparecimento, de 43%, em 2014, para 51%. Foi a primeira inversão de uma tendência de queda da participação desde a primeira votação no bloco, em 1979. Mais alta em 20 anos, a participação pode conter um pouco o temido "déficit democrático", que tem minado a legitimidade dos legisladores da UE. (Com agências internacionais).

terça-feira, 28 de maio de 2019

Uso de carvão ou lenha para cozinhar cresce 27% e atinge 14 milhões de lares

O uso de carvão (ou lenha) e da eletricidade para cozinhar alimentos cresceu fortemente nos lares do país entre 2016 e 2018, mesmo período em dispararam o desemprego e o preço do gás de cozinha, segundo a pesquisa domiciliar do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número de domicílios que usava carvão ou lenha para cozinhar cresceu 27% em dois anos, para 14 milhões de lares. São 3 milhões a mais em apenas dois anos. Do total de domicílios do país, 21,8% usavam esse tipo de energia – ou seja, um em cada cinco domicílios do país. Já o total de domicílios que usam energia elétrica para preparação de alimentos chegou a 37,9 milhões, crescimento de 72% de 2016 a 2018. O uso de bens como micro-ondas, fogão e fritadeiras elétricas era uma opção, pela primeira vez, em mais da metade (53,5%) dos lares do país. Parte do movimento está ligada à busca de fonte mais barata de energia na cozinha. Mas uma parcela significativa do movimento também tem ver com a maior compreensão das famílias, a cada ano, de que a eletricidade é um insumo quando, por exemplo, usam micro-ondas – e passam a informar isso aos agentes do IBGE. A pesquisa não detalha, porém, a renda das famílias que passaram a informar usar carvão como fonte de energia para cozinhar. O levantamento mostra, porém, que crescimento do uso foi maior em unidades da federação mais ricas como Distrito Federal (136%) e São Paulo (152%) do que em pobres como Alagoas (13%) e Maranhão (18%). Segundo o IBGE, o gás de botijão ficou 24% mais caro de 2016 a 2018. O gás encanado, por sua vez, avançou 27% no período. Os números referem-se ao IPCA, que mede a inflação das famílias com renda de um a 40 salários mínimos. Os reajustes foram mais intensos em 2017. Em 2019, as variações têm sido moderadas. Foi em junho de 2017 que a Petrobras aprovou uma nova política de reajuste de preços para a comercialização às distribuidoras do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) comercializado em botijões de até 13 kg. O objetivo era pôr fim a anos de subsídio. Além dessa nova política, os últimos anos foram marcados pela perda de empregos e lenta recuperação do mercado de trabalho. No fim do ano passado, o país tinha 12,1 milhões de pessoas procurando emprego no país, dos quais 3,6 milhões na região Nordeste, a mais pobre. Apesar dos reajustes, o gás de botijão e encanado segue como a principal fonte de energia para a preparação de alimentos no país, presente em 98,2% dos domicílios. Esse uso era superior a 95% em todos os Estados do país.

sexta-feira, 24 de maio de 2019

População com mais de 65 aumenta 26% em 6 anos

A população brasileira com 65 anos ou mais cresceu 26% de 2012 a 2018, ao passo que a população de até 13 anos recuou 6%, mostram dados da pesquisa "Características Gerais dos Domicílios e dos Moradores 2018", divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A população residente no Brasil no ano passado foi estimada em 207,8 milhões de pessoas, 5,1% a mais do que em 2012. As pessoas com 65 anos ou mais de idade representavam 10,5% desse total, o correspondente a 21,9 milhões de pessoas. A parcela de crianças era 18,6% do total, o equivalente a 38,6 milhões de pessoas. Segundo Adriana Beringuy, pesquisadora do IBGE, apesar de o contingente de crianças permanecer muito superior ao de idosos, o envelhecimento da população reforça a necessidade de políticas voltadas aos idosos. "É preciso observar se o Estado e a sociedade estão se preparando", disse a pesquisadora. O mudança do perfil demográfico também reforça a importância da reforma da Previdência. Com o declínio da população em idade ativa, a tendência é de menor número de contribuintes para sustentar os benefícios dos aposentados. "Você vai precisar aumentar a produtividade desses jovens para compensar isso", acrescentou ela. A pesquisa do IBGE mostrou ainda que o número de brasileiros que se declararam pretos aumentou 32,2% entre 2012 e 2018, para 19,2 milhões de pessoas. Esse aumento representou um acréscimo de 4,7 milhões de pessoas, no período, que se declararam dessa forma. Esse avanço foi muito superior aos de outras classificações no período. A população brasileira que se declara parda subiu 8% entre 2012 e 2018, para 96,7 milhões. Já a população que se autodenomina branca caiu 2,7% no período, para 89,7 milhões. Na comparação de 2018 com 2017, o mesmo fenômeno se repete. Para Maria Lucia Vieira, economista do instituto, o avanço pode estar relacionado à política de autoafirmação da população preta no país. Pessoas que, no passado, se declaravam como brancas ou pardas agora se reconhecem como de outra cor. "Mas não sabemos até que ponto isso [o resultado] pode estar ligado a essa política de autoafirmação" disse, frisando que o IBGE, quando faz a pesquisa, apenas pergunta a pessoa em qual classificação ela se define. Outra mudança em curso identificada pela pesquisa tem a ver com o papel das mulheres nos domicílios do país. Nos últimos seis anos, 9 milhões de mulheres passaram a exercer a função de "chefe de família". No mesmo período, 661 mil homens perderam essa função.  As mulheres apontadas como pessoa de referência na família representavam 45% dos domicílios, oito pontos percentuais a mais do que o verificado em 2012, início da série histórica da pesquisa do IBGE. A pesquisa permite uma interpretação subjetiva do termo "pessoa de referência". Nas entrevistas, os agentes do IBGE não deixam explícito se essa pessoa de referência é necessariamente a pessoa que assume a maior parte das despesas.

terça-feira, 21 de maio de 2019

Assembleia Legislativa do Paraná volta a insistir em orçamento impositivo


A Assembleia Legislativa retoma nesta semana a discussão de uma iniciativa que pode obrigar o governo do Estado a destinar cerca de centenas de milhões de reais ao ano para atender a projetos e obras indicados pelos deputados através de emendas individuais ào Orçamento. Pela Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do chamado “Orçamento impositivo” que terá sua admissibilidade votada na Comissão de Constituição e Justiça da Casa nesta terça-feira (21), o governo ficaria obrigado a executar as emendas parlamentares no porcentual de até 1,2% da receita corrente líquida prevista na lei orçamentária. Caso valesse para o Orçamento de 2019, por exemplo, cuja receita prevista é de R$ 57,3 bilhões, o Estado teria que destinar cerca de R$ 690 milhões aos projetos indicados pelos deputados para suas bases eleitorais este ano, o equivalente a R$ 12,7 milhões para cada um dos 54 parlamentares. Atualmente, o atendimento das emendas dos deputados ao Orçamento é facultativo. Na prática, os últimos governos não têm destinado os recursos para elas sob a alegação de dificuldades financeiras. Nesse contexto, as emendas acabam muitas vezes sendo usadas como moeda pelo Executivo em troca de apoio político no Legislativo. Na justificativa da proposta que será votada amanhã pela CCJ, e é subscrita pelo presidente da comissão, deputado Fernando Francischini (PSL), e diversos outros parlamentares da base do governo Ratinho Júnior, a alegação é de que a medida traria “independência da atuação do Parlamento diante do Executivo”. A PEC repete praticamente o mesmo texto de proposta semelhante apresentada em junho do ano passado, com o apoio de 42 deputados. Apesar de ter recebido parecer favóravel da mesma CCJ em agosto, a iniciativa não chegou a ser votada em plenário. Deputado estadual na época, o hoje governador Ratinho Júnior (PSD) foi um dos parlamentares que subscreveram a proposta. Na legislatura anterior, ainda o primeiro mandato do governo Beto Richa (PSDB), os deputados já haviam apresentado proposta semelhante, mas ela também acabou arquivada por falta de interesse do Executivo na sua aprovação. No plano federal, o Orçamento impositivo já vigora desde 2015, quando foi aprovado pelo Congresso já em meio à crise que resultou no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Recentemente, os deputados aprovaram outra PEC, que amplia o mecanismo, tornando obrigatório que o governo federal destine também recursos para atender as emendas de bancada. O Orçamento da União para 2019 prevê R$ 1,434 trilhões de despesas primárias. Deste total, 90,4% são despesas obrigatórias, e 9,6%, despesas não obrigatórias. Ao todo, estão previstos R$ 45 bilhões para o custeio da máquina pública. Pela proposta, as emendas de bancadas estaduais que deverão ser executadas obrigatoriamente se referem a programações de caráter estruturante - obras e equipamentos - até o montante global de 1% da receita corrente líquida realizada no exercício anterior ao da elaboração do orçamento. Atualmente, o pagamento é obrigatório somente em parte das emendas individuais dos congressistas, as chamadas “emendas impositivas”. O governo já é obrigado a executar 1,2% da receita com as emendas individuais. A medida foi vista como nova derrota para o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) no Congresso, já que engessaria ainda mais a execução do Orçamento, em um momento de crise financeira da União. Com o Orçamento impositivo, o governo teria ainda menos margem de manobra na gestão dos recursos. A discussão sobre o Orçamento impositivo também deve dar impulso ao debate da proposta do governo Ratinho Jr. (PSD) de redução dos repasses de recursos ao Legislativo e Judiciário na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2020. A proposta apresentada pelo Executivo prevê a redução de 18,6% para 17,6% do porcentual da receita líquida anual que o governo é obrigado a repassar aos demais poderes. Ela também prevê a exclusão das verbas do Fundo de Participação dos Estados (FPE) da base de cálculo para esses repasses. O anteprojeto de LDO prevê para 2020 uma receita de R$ 55,8 bilhões. O FPE do Paraná de 2019 está estimado em quase R$ 2,2 bilhões, dos quais quase R$ 400 milhões estão reservados para os demais Poderes. Cada poder tem uma parcela fixa do Orçamento do Estado. No Orçamento de 2019, em vigor, 9,5% da receita fica com o Tribunal de Justiça; 4,1% com o Ministério Público; 3,1% fica com a Assembleia Legislativa; e 1,9% fica com o Tribunal de Contas. Na legislatura passada, o governo Beto Richa tentou por diversas vezes retirar o dinheiro do FPE da base de cálculo dos repasses para outros poderes, mas a medida sempre foi rechaçada pelos parlamentares, inclusive da base de apoio do Executivo, sob o temor de confronto com o Judiciário, Ministério Público e Tribunal de Contas. No final do ano passado, uma proposta para reduzir o repasse para a própria Assembleia encampada por Ratinho Jr já após sua eleição para o governo também acabou sendo arquivada pela presidência do Legislativo sem ser votada, sob a alegação de que a medida seria inconstitucional. As informações são do portal "Bem Parana´".

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Alibaba corta prazo e frete no país


O maior site de comércio eletrônico do mundo, o chinês Alibaba lançou no Brasil o AliExpress Premium Shipping, opção que reduz o prazo de entrega no país pela metade, e com queda de até 59% nos custos de envio. É o primeiro anúncio do Alibaba envolvendo, de forma conjunta, cortes em prazos e frete em anos de operação no Brasil. Isso ocorre num momento em que Magazine Luiza, B2W e Via Varejo tentam melhorar nível de serviço local. Valor de frete e prazos são pontos centrais na decisão de compra hoje — metade dos brasileiros que desiste de uma transação na internet abandona o carrinho por causa de prazos ou valores de envio muito altos, dizem pesquisas. Segundo o anunciado ontem pelo Alibaba, o período de entrega cai de até dois meses (30 a 60 dias) para até um mês (22 a 28 dias). E com a redução nos valores do frete, uma tarifa de entrega de R$ 50, por exemplo, cairia para até R$ 20 — a empresa não informa valores, apenas a queda máxima de até 59%. Os novos prazos e preços começaram a valer nesta quarta-feira (22/05) no site do AliExpress no Brasil, operação controlada pelo Alibaba. O AliExpress opera com a venda de produtos de lojistas estrangeiros em seu site (“marketplace”), especialmente asiáticos. O site representou 51% de toda a venda de sites estrangeiros no país em 2018 (a Amazon respondeu por 25%), diz a Nielsen/Ebit. Em 12 meses, até março, o grupo vendeu no mundo cerca de US$ 850 bilhões (venda de itens de terceiros), um terço do valor da Amazon. A receita líquida foi de US$ 56 bilhões, alta de 40’%. No Brasil, o corte de prazos e frete tem apoio decisivo de seu braço de tecnologia e logística, a Cainiao Network. Em 2018, no evento anual da Cainiao, Jack Ma, fundador do Alibaba, disse que investirá US$ 15 bilhões de 2019 a 2023 para criar uma rede logística global por meio da Cainiao. A empresa não detalha, mas menciona no comunicado de ontem que haverá uma melhora “do canal na entrega terrestre por meio de parceiros locais” no Brasil. Hoje, a empresa usa principalmente o sistema dos Correios. “O Alibaba já anunciou meses atrás que quer entregar tudo em 72 horas. No Brasil, se reduzirem o prazo de entrega da China até a alfândega no Brasil para algo nessa faixa será uma revolução no segmento”, diz Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC). Na prática, as remessas do Alibaba ao país já tem levado entre 30 a 40 dias, segundo pesquisa do Valor em sites globais de rastreamento. São 15 dias da China até os portos de Santos, Itajaí (SC) ou Rio de Janeiro, e mais 15 a 20 dias para os Correios entregarem dentro do Brasil. Atualmente, a questão do nível de serviço, que inclui aspectos como prazos de envio e atendimento ao cliente, tornou-se foco central de empresas como Magazine Luiza e Mercado Livre. O Magazine, por exemplo, está ampliando investimentos para melhorar mais rapidamente suas métricas. Por isso, a mudança anunciada ontem tem efeito no mercado local.A decisão ainda ocorre semanas após a B2W (Submarino e Americanas) anunciar a sua entrada no mercado de venda on-line de produtos estrangeiros, o segmento de atuação do AliExpress. A B2W tem cerca de 400 mil itens nesse braço, batizada de Americanas Mundo — AliExpress tem alguns milhões. Ontem, após o Alibaba anunciar a sua decisão no país, as ações de Magazine Luiza, B2W e Via Varejo intensicaram a queda na B3. Ao fazer esse movimento o Alibaba ainda tenta resolver um problema que impede a empresa de crescer mais rapidamente por aqui. A empresa já identicou que a demora nas entregas pesa mais no abandono dos carrinhos de compra no site Aliexpress que a qualidade dos produtos vendidos, oriundos da China, segundo análises internas, apurou o jornal Valor Econômico.

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Em crise, tradicional hotel cinco estrelas, o Tropical, em Manaus, tem energia cortada e funcionários dispensados


Um dos hotéis mais conhecidos do Amazonas passa por uma grande crise financeira. Localizado às margens do Rio Negro, o Tropical Hotel (antigamente conhecido como o "Hotel da VARIG") vive uma realidade bem diferente da de outros tempos, quando foi destino de celebridades como as Spice Girls e seleções internacionais durante a Copa do Mundo de 2014. Há quase uma semana, o eco resort cinco estrelas está sem energia elétrica. Os hóspedes precisaram sair, e alguns funcionários foram demitidos. Jornalistas estiveram no hotel na última quinta-feira (16/05). Hall de entrada, pátio, área de convivência e corredores seguem com a mesma estrutura, mas não há nenhum turista ocupando os mais de 600 quartos. As várias lojas de souvenirs amazônicos do empreendimento ainda conservam suas vitrines, mas as portas estão fechadas. O vazio dos corredores tem motivo: uma dívida de aproximadamente R$ 20 milhões com a Eletrobras, que fez a energia elétrica do local ser cortada no dia 10 deste mês. Com isso, todos os hóspedes (não foi informada a quantidade de pessoas) que estavam ali foram reembolsados e seguiram para outros hotéis da capital. O corte de energia provocou a interrupção das atividades no hotel. Nos próximos dias, ele ficará sem receber hóspedes e com quadro reduzido de funcionários. Avaliado em quase R$ 300 milhões, o hotel já tinha dava sinais de crise há alguns anos. Antes da interrupção do fornecimento de energia, já era possível perceber a situação: boa parte dos quartos, ainda que com cuidado diário do staff, estava com colchões encostados nas paredes e passava o dia com portas e janelas abertas. No primeiro final de semana do mês, durante as primeiras horas do domingo, por duas vezes seguidas, faltou energia. Foram quedas rápidas, logo restabelecidas. À exceção do restaurante localizado no Parque das Águas, desativado há algum tempo, os serviços seguiam normalmente. O centro de lojas - que atendia não só hóspedes, mas visitantes no geral - já estava desativado. Ainda assim, lojas do interior do hotel seguiam abertas, ainda que com baixa frequência de vendas. Ponto bastante visitado do hotel, o zoológico reúne animais como onças, macacos, e tartarugas. De acordo com a assessoria, no período em que o eco resort estiver fechado, o local receberá visitas de um biólogo para cuidar da fauna.

O que diz a Amazonas Energia 

Em nota, a concessionária diz que "há mais de 20 anos ocorrem diversas tentativas de negociações com o Tropical Hotel Manaus". Suspensões de fornecimento de energia elétrica do hotel, por não cumprimento dos acordos, ocorreram por diversas vezes, ao longo dos anos. A última negociação ocorreu em abril de 2019, quando a Amazonas Energia concedeu desconto de 60%, sobre o valor de uma dívida de mais de R$ 20 milhões, o acordo, que previa o pagamento de R$ 8 milhões, pelo Tropical Hotel, também não foi cumprido. Desde o ano de 2018 até o presente momento, foram realizados três cortes por inadimplemento, entretanto a Distribuidora realizava o religamento mediante liminares. 

Acordos judiciais e leilões

Nos três primeiros meses de 2019, os representantes do hotel participaram de várias audiências especiais de mediação no Centro Judiciário de Métodos Consensuais de Solução de Disputas - CEJUSC-JT do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT11). As audiências envolveram processos que tramitavam em primeira instância, a maioria em fase de execução. Das 72 audiências realizadas, houve acordo em 53 processos, totalizando o valor de R$ 1.166.210,27 a ser pago aos reclamantes. Antes disso, em outubro de 2018, processos trabalhistas que envolviam o hotel foram a discussão na 1ª Vara do Trabalho de Manaus. Dos 15 processos pautados, 11 resultaram em conciliações, totalizando R$ 132 mil reais em créditos trabalhistas. As ações trabalhistas tinham como pedidos principais o pagamento de verbas rescisórias, FGTS, férias, 13º salário, além de danos morais e materiais. Os débitos trabalhistas fizeram, ainda, com que bens do Tropical e o próprio ecoresort fossem a leilão.



segunda-feira, 13 de maio de 2019

Azul oferece US$ 145 milhões por parte das operações da Avianca Brasil


A Azul apresentou à Justiça de São Paulo nesta segunda-feira (13/05) uma nova  proposta para comprar parte das operações da Avianca Brasil por US$ 145 milhões. A companhia aérea não entrou em detalhes sobre a oferta, mas disse que ela contemplaria slots (autorizações para pousos e decolagens) da ponte-aérea Rio-São Paulo. Depois de protocolada, cabe à Justiça conceder autorização ou não para que a proposta seja formalizada. A Azul foi a primeira companhia aérea a tentar comprar uma parte da Avianca , em 11 de março. Na época, a empresa ofereceu US$ 105 milhões pelas operações. Em nota, a Azul diz acreditar que o pedido apresentado à 1ª Vara de Falências e Recuperação Judicial de São Paulo, onde tramita o processo de recuperação judicial da Avianca , confere à "empresa, seus empregados, consumidores, credores e demais interessados uma alternativa legal e legítima para viabilizar a monetização, uso continuado de bens e preservação de atividades que atualmente correm grave risco de paralisação e perecimento à luz da rápida deterioração das atividades da companhia, no melhor interesse do mercado de aviação e todos os envolvidos". A companhia aérea ressalta, ainda, que a proposta "oferece uma real alternativa para aumentar a competitividade na ponte aérea entre Rio-São Paulo " e esclarece que o pedido feito à Justiça de São Paulo não invalida o leilãodas sete fatias da Avianca. Na visão da Azul, "a alienação judicial da Nova UPI oferece uma alternativa compreensiva, viável e verdadeiramente implementável, inclusive do ponto de vista operacional, regulatório e concorrencial". Dias depois da primeira proposta de compra pela Azul , a própria Avianca anunciou mudanças em seu plano de recuperação judicial , em curso desde dezembro do ano passado, com o desmembramento da empresa em sete unidades — as chamadas Unidades Produtivas Isoladas (UPI), que seriam leiloadas. Com a mudança no modelo de recuperação, além da Azul, Latam e Gol também anunciaram suas ofertas, e o leilão foi marcado para 7 de maio. Apesar da data acertada, o leilão não ocorreu porque credores obtiveram liminar suspendendo o evento. A expectativa é que a Avianca apresente recurso para remarcação ainda hoje. A situação da Avianca agrava a cada dia. Semana passada, a empresa perdeu mais um avião na Justiça. A aeronave pertencia à empresa de leasing Wells Fargo. Com isso, a frota da Avianca foi reduzida para cinco unidade. E ainda há risco de perder mais aviões, pois a Airbus briga na Justiça para retomar quatro dos cinco restantes.  

Veja abaixo as unidades que serão leiloadas se a Avianca conseguir reverter a decisão da Justiça que suspendeu o certame: 

UPI A:  20 voos em Guarulhos, 12 no Santos Dumont e 18 em Congonhas. Parte dos funcionários.
UPI B:  26 voos em Guarulhos, 8 no Santos Dumont e 13 em Congonhas. Parte dos funcionários.
UPI C:  6 voos em Guarulhos, 6 no Santos Dumont e 8 em Congonhas. Parte dos funcionários.
UPI D:  6 voos em Guarulhos, 4 no Santos Dumont e 4 em Congonhas. Parte dos funcionários.
UPI E:  6 voos em Guarulhos, 4 no Santos Dumont e 9 em Congonhas. Parte dos funcionários.
UPI F:  23 voos em Congonhas. Parte dos funcionários.
UPI Programa Amigo:  Banco de dados do programa de fidelidade, pontos não utilizados e passagens já emitidas por esse canal, mas não utilizadas. 

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Guerra entre os serviços de streaming: Apple x Spotify


A Apple está prestes a se tornar alvo de investigação na União Europeia por supostas práticas anticompetitivas, segundo o jornal britânico Financial Times . O caso deve ser aberto nas próximas semanas, motivado por reclamação apresentada em março deste ano pelo Spotify, que defende que a fabricante do iPhone está “inclinando o campo de jogo para prejudicar os competidores”, se comportando de maneira ilegal fazendo uso do seu controle da App Store para favorecer o serviço Apple Music. A reclamação do Spotify foca na política da  Apple  de cobrar taxa de 30% das assinaturas vendidas pela App Store sobre fornecedores de conteúdo digital. Ela se aplica ao Spotify e outras plataformas de streaming, mas não a outros aplicativos, como o Uber. Após analisar a reclamação e entrevistar consumidores, concorrentes e outros segmentos no mercado, a comissão de competição da União Europeia devidiu abrir uma investigação antitruste formal sobre a conduta da Apple, que, assim como o Spotify , preferiu não comentar o assunto. A investigação não tem prazos e pode durar anos. A comissão pode exigir que as companhias implementem mudanças em práticas consideradas ilegais e aplicar multas de até 10% sobre o faturamento global da companhia. No entanto, as empresas investigadas podem acelerar o process, evitando multas a partir de  acordos com promessas de mudança de comportamento. Daniel Ek, diretor executivo do Spotify, afirmou logo após apresentar a reclamação, que a longa disputa contra a Apple se tornou “insustentável”. Caso a taxa de 30% continue sendo aplicada, a empresa pode ser forçada a aumentar os preços, se tornando menos competitiva. O Spotify é líder do mercado global de streaming de música, superando a marca de 100 milhões de assinantes. O Deezer, concorrente do Spotify e do Apple Music, e a Organização Europeia de Consumidores (Beuc) apoiaram a ação do Spotify contra a Apple . Segundo Thomas Vinje, advogado do escritório Clifford Chance que participou da reclamação apresentada à União Europeia, outras empresas têm “críticas similares”, mas sentem “medo para processar a Apple”. Por ser dona da App Store, a Apple tem a prerrogativa de aprovar ou reprovar os aplicativos disponíveis na loja virtual. Logo após a reclamação ser apresentada, a  Apple  se manifestou e acusou o Spotify de “retórica enganosa”. Em comunicado, a companhia afirmou que “após anos usando a App Store para aumentar dramaticamente seu negócio, o Spotify busca manter todos os benefícios do ecossistema da App Store (incluindo receita substancial conseguida de consumidores da App Store) sem fazer nenhuma contribuição ao marketplace”. 

terça-feira, 30 de abril de 2019

A baixa produtividade brasileira

O trabalhador brasileiro leva uma hora para fazer o mesmo produto ou serviço que um norte-americano consegue realizar em 15 minutos e um alemão ou coreano em 20 minutos. Isso significa que a produtividade do Brasil é baixa, mas não quer dizer que o brasileiro seja preguiçoso ou inapto. Há atrasos na formação e na infraestrutura das empresas, o que afeta os resultados, dizem especialistas. Em termos de riqueza, o Brasil produz em uma hora o equivalente a US$ 16,75, valor que corresponde apenas a 25% do que é produzido nos EUA (US$ 67). Comparado a outros países, como Noruega (US$ 75), Luxemburgo (US$ 73) e Suíça (US$ 70), o desempenho do país é ainda pior. As informações são do professor José Pastore, presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da Fecomercio-SP.  O acesso a certos recursos no Brasil, como capitais humano, físico e financeiro, entre outros, é insuficiente e desfavorável se comparado ao de outros países. Entre os fatores que conspiram contra a produtividade, ele enumera: "Melhoramos nossa escolaridade média nos últimos 25 anos, mas foi insuficiente para aumentar a qualidade do capital humano e, assim, atender às necessidades das empresas", disse o professor da FGV. Para Pastore, o alastramento do trabalho informal também agrava o quadro de baixa produtividade no país. "Afinal, temos cerca de 40 milhões de pessoas nessa situação hoje. Isso significa que não é apenas o trabalhador que tem baixa qualidade, é o seu emprego que é de baixa qualidade", afirmou. Uma pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulgada na semana passada mostra que a produtividade do trabalho na indústria de transformação no ano passado aumentou 0,9%, em relação a 2017, quando já havia crescido 4,5%, em comparação a 2016. Trata-se do quarto ano consecutivo de crescimento do indicador, mas ainda insuficiente para ganhar competitividade. O setor industrial brasileiro ainda é 23% mais caro que o norte-americano, segundo estudos da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) citados pelo professor Pastore.Um relatório do Banco Mundial sobre produtividade, lançado em 2018, aponta que a renda per capita brasileira é aproximadamente 20% da renda per capita dos EUA. Se o Brasil tivesse a mesma produtividade que a norte-americana, a renda do país seria mais de 50% da dos EUA, mesmo sem investimento adicional em máquinas ou capital humano. Ou seja, a renda per capita atual mais do que dobraria somente com melhorais na produtividade. Jorge Arbache, economista e estudioso do assunto, mostrou que em 1980 a produtividade do trabalhador brasileiro era 670% maior do que a do trabalhador chinês e 70% menor do que a americana. Em 2013, o Brasil perdia nos dois casos: a do trabalhador brasileiro era 80% inferior à americana e 18% menor à chinesa. No período, a eficiência dos chineses cresceu 895%. Já a dos brasileiros, meros 6%. E os números que conspiram contra o Brasil não param por aí. Pieri afirmou que a relação PIB/trabalhador em 1994 no Brasil era de R$ 25 mil. Em 2016, já considerada a inflação no período, passou para R$ 30 mil. Isto é, em 22 anos aumentou apenas 20%. "Nesse mesmo intervalo, a relação PIB/trabalhador nos EUA cresceu 48%", disse o professor da FGV. Eis alguns dos entraves:

-Baixa qualificação e capacidade dos trabalhadores (capital humano);
-Tecnologia atrasada e mal administrada nas empresas (capital físico);
-Investimento caro e abaixo do necessário (capital financeiro);
-Infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos insuficientes e sucateados);
-Burocracia complicada;
-Ambiente de negócios perverso;